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Por que o estilo de vida Islandês pode mudar o futuro?

Diante de intempéries climáticas, isolamento geográfico e erupções vulcânicas, a população do país desenvolveu uma mentalidade de aceitação e otimismo que hoje pauta a transição para o futuro

O estilo de vida islandês: desapego do controle e convivência em sociedade (Travelpix Ltd/Getty Images)

O estilo de vida islandês: desapego do controle e convivência em sociedade (Travelpix Ltd/Getty Images)

Luiza Vilela
Luiza Vilela

Repórter de Casual

Publicado em 15 de julho de 2026 às 11h01.

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Como reagir quando o controle sobre o cotidiano é retirado pelas forças da natureza? Quando a luz do dia é escassa, o clima é inóspito e o isolamento acaba, muitas vezes, sendo a única opção? Na Islândia, a resposta para essa pergunta está sintetizada em uma expressão onipresente: þetta reddast (pronuncia-se thet-ta red-ust).

O termo, que significa "tudo vai dar certo no final", funciona como a filosofia de vida informal de uma nação de pouco mais de 400 mil habitantes, mas que aprendeu a transformar a vulnerabilidade geográfica em uma das sociedades mais prósperas, saudáveis e resilientes do planeta.

Há quem acredite que o estilo de vida é uma forma de negligência ou falsa positividade, mas a verdade é que a expressão funciona como um mecanismo psicológico de adaptação. Em um território sujeito a furacões de vento, terremotos semanais e invernos com apenas quatro horas de luz solar diária, os islandeses compreenderam que a persistência, aliada à aceitação do imprevisível, é o melhor caminho para manter a saúde mental e o foco em soluções práticas.

A cultura dessa crença é adotada, inclusive, por quase metade da população como o principal guia de conduta diária, segundo estudo da Universidade da Islândia. E já surte efeitos que podem influenciar a medicina global no futuro: os islandeses estão entre os que menos sofrem com ansiedade, burnout e estresse crônico na Europa.

Uma mulher está sentada em um corpo de água

Piscinas naturais na Islândia (Unsplash)

Saúde mental no corporativo (e, principalmente, fora dele)

Viver em uma ilha vulcânica, que exige a convivência com erupções e isolamento, moldou o temperamento dos islandeses de forma pragmática com o passar dos anos. Ao assumir que as circunstâncias externas podem mudar a qualquer momento, seja por uma nevasca repentina ou por uma erupção de cinzas, a população foca a energia em respostas rápidas e cooperativas, o que reduz a pressão do estresse e estimula a inteligência emocional coletiva.

Especialistas em comportamento, estudados na mesma pesquisa comportamental da Universidade da Islândia, associam essa estabilidade ao desapego do controle — e isso se aplica tanto às catástrofes climáticas quanto à convivência em sociedade. Flexibilidade no trabalho e tempo de lazer em família, por exemplo, são prioridades inegociáveis, já previstas pela maior parte dos empregadores islandeses. Na infância, crianças desenvolvem desde cedo autonomia para brincar em espaços públicos sem supervisão constante.

Posto em prática, esse hábito em prol da saúde mental é um complemento do estilo de vida físico na Islândia, que tira também dos recursos naturais do país insumos para uma convivência harmoniosa em comunidade. A rotina diária de boa parte do povo islandês inclui banhos termais e piscinas públicas aquecidas por energia geotérmica, que funcionam como centros de convivência social para todas as idades, promovem relaxamento muscular e reduzem indicadores cardiovasculares.

Soma-se à convivência uma alimentação limpa, baseada em pesca sustentável e estufas agrícolas alimentadas por fontes renováveis, e a prática de atividades físicas ao ar livre. Tudo junto fora um país com um dos maiores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) e uma das menores taxas de criminalidade do planeta.

Na Islândia, o vulcão subglacial Katla está em atividade constante há um ano e Grima continua procurando a irmã que desapareceu no dia em que a erupção começou. A esperança de encontrar o corpo diminui e os moradores da região começam a receber visitantes inesperados. (Netflix/Divulgação)

Tecnologia e a economia da propriedade intelectual para 2030

Essa resiliência cultural, que permitiu à Islândia superar crises financeiras e desastres naturais, agora serve de combustível para a transição econômica. Dependente da pesca e do turismo, o país passa por uma transformação estrutural acelerada, voltada ao setor de tecnologia e exportação de propriedade intelectual.

Análises da Federação das Indústrias Islandesas e do órgão Statistics Iceland mostram que a participação da tecnologia nas exportações do país saltou de 4% no ano 2000 para 16% em 2025, com projeções de alcançar 29% até o fim da década.

A combinação de energia renovável abundante (geotérmica e hidrelétrica) com o clima frio natural transformou a Islândia em um polo estratégico para a instalação de centros de dados em nuvem (data centers) de alta eficiência energética — uma uma vantagem competitiva sustentável na corrida global de inteligência artificial e processamento de dados.

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