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Pessoas que ficam acordadas até tarde têm mais risco de doenças cardíacas, diz estudo

Pesquisa com mais de 322 mil adultos liga os chamados "notívagos" a uma pior saúde cardiovascular, especialmente entre mulheres

Cronotipo noturno: estudo associa hábito a maior risco cardíaco (staticnak1983/Getty Images)

Cronotipo noturno: estudo associa hábito a maior risco cardíaco (staticnak1983/Getty Images)

Marina Semensato
Marina Semensato

Colaboradora

Publicado em 11 de fevereiro de 2026 às 11h03.

Pessoas que têm o hábito de dormir tarde podem ter mais risco de desenvolver doenças cardiovasculares, segundo um estudo publicado no Journal of the American Heart Association.

Segundo a pesquisa, os adultos de meia-idade e idosos que são mais ativos à noite — os chamados notívagos — tendem a ter uma saúde do coração pior do que aqueles com preferência intermediária ou matutina.

O estudo analisou dados de mais de 322 mil participantes do UK Biobank, um estudo que reúne informações de adultos do Reino Unido. Os próprios indivíduos classificaram seu cronotipo, sem definição de horários fixos de sono ou vigília, e foram agrupados como matutinos, intermediários ou vespertinos.

Segundo o autor principal, Sina Kianersi, pesquisador da Harvard Medical School, os cronotipos refletem a preferência natural pelo horário de sono e pelos ritmos diários. Ele afirmou que adultos com cronotipo vespertino podem estar em maior risco devido ao descompasso entre o relógio biológico e fatores externos, como horários de trabalho.

Como o estudo avaliou a saúde cardíaca dos participantes

A pesquisa utilizou os oito Princípios Essenciais para uma Vida Saudável da Associação Americana do Coração para avaliar a saúde cardiovascular. Os critérios incluem alimentação, atividade física, tabagismo, sono, peso corporal, colesterol, glicemia e pressão arterial. Cada item recebeu pontuação de 0 a 100, e a média formou um índice composto individual.

Kianersi afirmou que a associação entre cronotipo noturno e problemas de saúde cardiovascular foi a principal descoberta. Segundo ele, pessoas notívagas apresentaram maior frequência de fatores de risco, como má alimentação, sedentarismo e tabagismo. A associação foi mais forte entre mulheres.

Em comparação com o grupo intermediário, participantes notívagos tiveram cerca de 79% mais probabilidade de desenvolver doenças cardiovasculares, além do maior risco de infarto ou acidente vascular cerebral durante o acompanhamento.

Diferenças entre os cronotipos

Durante quase 14 anos de acompanhamento, os vespertinos apresentaram risco 16% maior de desenvolver doenças cardiovasculares em relação ao grupo intermediário. Já aqueles que se identificaram como matutinos tiveram 5% menos probabilidade de apresentar esses problemas.

Especialistas destacam que a rotina diária também influencia esses resultados. Para Sabra Abbott, professora associada de neurologia da Universidade Northwestern, "ter um cronotipo vespertino está frequentemente associado a outros fatores que podem aumentar o risco de doenças cardiovasculares, como maior irregularidade nos horários de sono, refeições e exposição à luz".

Os autores ressaltam que a pesquisa é observacional e não permite concluir que o cronotipo, por si só, cause doenças cardiovasculares. Kianersi também afirmou que, como a amostra se concentrou em adultos de meia-idade e idosos, são necessários mais estudos para avaliar se os mesmos padrões se aplicam a pessoas mais jovens.

Apesar dos achados, especialistas afirmam que o risco não é inevitável. O estudo sugere que intervenções voltadas a fatores modificáveis, como parar de fumar e praticar atividades físicas, podem reduzir o risco cardiovascular entre pessoas que dormem tarde.

A recomendação de Kianersi é concentrar esforços no básico: manter horários de sono e vigília consistentes, dormir bem, buscar exposição à luz pela manhã, praticar atividade física regularmente e acompanhar indicadores como pressão arterial, colesterol e glicemia, além de evitar o tabagismo.

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