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Para Emicida, Brasil tem racismo sofisticado e letal

"O que caracteriza a sociedade brasileira é o encontro: com todas suas tragédias, com toda sua barbárie", afirmou o rapper

"Eu me dedico a utilizar essa força do encontro para questionar todos esses pilares opressores que construíram nossa história" (Wendy ANDRADE/AFP)

"Eu me dedico a utilizar essa força do encontro para questionar todos esses pilares opressores que construíram nossa história" (Wendy ANDRADE/AFP)

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AFP

Publicado em 23 de dezembro de 2020 às 10h36.

Jovem e carismático, o rapper Emicida construiu um império cultural a partir da periferia de São Paulo, fundindo diferentes ritmos, realidades e perspectivas de um país polarizado com desigualdades abismais e um "racismo sofisticado e letal". Seu segredo? Ser o ponto de encontro dessas correntes e tensões.

"O que caracteriza a sociedade brasileira é o encontro: com todas suas tragédias, com toda sua barbárie, ainda assim é um encontro", revela em entrevista à AFP o artista, cuja trajetória - que inclui música, literatura, moda e televisão - acaba de ser relatada no documentário "AmarElo - É Tudo Pra Ontem", produzido pela Netflix.

 

Emicida

"Talvez os melhores cartões postais do Brasil sejam por causa do encontro entre samba, gastronomia, nossa arte como um todo. Eu me dedico a utilizar essa força do encontro para questionar todos esses pilares opressores que construíram nossa história", reflete o músico de 35 anos.

Leandro Roque de Oliveira, que ganhou fama como Emicida, conta que anos atrás tentou construir pontes por meio das palavras, mas agora faz isso através das emoções que suas histórias expressam.

"Diferente do racional, a emoção cria uma ponte antes da gente entender alguma coisa", explica.

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