Surfe de ondas grandes: modalidade conquistou um espaço central na estratégia de desenvolvimento turístico de Santa Catarina (Jonatã Rocha/Divulgação)
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Publicado em 28 de janeiro de 2026 às 16h01.
Última atualização em 28 de janeiro de 2026 às 17h08.
Como um dos principais destinos do país quando o assunto é turismo, Santa Catarina tem apostado em uma estratégia de diversificação de seus produtos turísticos. O objetivo é ampliar o tempo de permanência do visitante e distribuir melhor o impacto econômico ao longo do ano. Neste contexto, o surfe de ondas grandes passa a ocupar espaço central na estratégia de desenvolvimento turístico de do estado.
No litoral sul, a modalidade deixa de ser apenas um fenômeno natural conhecido por especialistas e se consolida como um novo vetor econômico, capaz de atrair visitantes, investimentos e visibilidade internacional.
Santa Catarina, inclusive, passou a integrar oficialmente a rota nacional das ondas gigantes, conectando os municípios de Jaguaruna, Laguna, Imbituba e Garopaba em um trajeto inferior a 90 quilômetros. A cidade de Tubarão atua como base de apoio, oferecendo infraestrutura urbana e serviços essenciais para atletas, equipes técnicas e visitantes que acompanham as atividades esportivas.
O fenômeno que permite a formação dessas ondas é o mesmo observado em destinos internacionais consagrados do surfe de ondas grandes, como Nazaré, em Portugal, e Teahupoo, no Taiti. Conhecido como empinamento, ele ocorre quando ondas geradas em águas profundas encontram fundos mais rasos, ganham altura e concentram energia.
No litoral catarinense, a combinação entre a presença de uma montanha submersa e a incidência frequente de sistemas meteorológicos intensos cria condições ideais para ondas que frequentemente ultrapassam os 10 metros de altura. Esse conjunto de fatores coloca a região em um seleto circuito global de ondas gigantes.
Foi em Jaguaruna que o Brasil registrou a maior onda já surfada em território nacional. Com 14,82 metros de altura, a onda foi enfrentada pelo surfista Lucas Chumbo na Laje da Jagua, uma formação rochosa submersa localizada a cerca de 5,3 quilômetros da costa.
Antes vista como um risco à navegação, a laje passou a ser reconhecida como um dos pontos mais promissores do país para a formação de ondas gigantes. A mudança de percepção transformou um obstáculo natural em ativo estratégico para o turismo esportivo.
A consolidação da Rota do Big Surf e a realização de competições nacionais inserem Santa Catarina em um circuito ainda restrito no mundo. O impacto, no entanto, vai além do esporte de alto rendimento.
O surfe de ondas grandes atrai um público altamente especializado, formado por atletas, equipes técnicas, fotógrafos, cinegrafistas e entusiastas, com tempo de permanência maior e gasto médio superior ao do turismo de massa. Esse perfil beneficia diretamente setores como: hotéis e hospedagens; serviços náuticos e de apoio marítimo; transporte e logística; alimentação; produção audiovisual e mídia especializada.
Ao transformar um fenômeno natural em produto turístico estruturado, o estado agrega valor à cadeia do turismo, contribuindo para reduzir a dependência da sazonalidade tradicional do verão, ampliando o fluxo de visitantes ao longo do ano e diversificando a economia local.