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Redatora
Publicado em 2 de outubro de 2026 às 12h15.
Planilhas, projeções e indicadores continuam fundamentais. Mas algumas das decisões mais difíceis de um CEO começam justamente onde os números deixam de oferecer uma resposta definitiva.
Como equilibrar resultado de curto prazo e impacto futuro? Até onde avançar com uma nova tecnologia? O que fazer quando acionistas, funcionários, clientes e sociedade apontam para direções diferentes?
São questões de estratégia. Mas também são questões de interpretação, valores e visão de mundo.
A Harvard Business Review já chamou atenção para esse movimento ao discutir por que líderes precisam revisar premissas filosóficas que sustentam suas decisões. Em ambientes de incerteza, a capacidade de questionar pressupostos pode ser tão importante quanto dominar ferramentas de gestão.
A resposta não está em transformar executivos em filósofos.
Está em desenvolver uma competência cada vez mais relevante para a alta liderança: examinar as premissas que vêm antes da decisão.
Toda escolha parte de alguma visão sobre risco, crescimento, responsabilidade, pessoas e sucesso. E, quando não existe uma resposta técnica evidente, esses critérios ganham peso.
Stanford Graduate School of Business também aproxima filosofia e liderança ao discutir como executivos tomam decisões em situações nas quais diferentes valores entram em conflito e nenhum algoritmo consegue indicar, sozinho, qual caminho seguir.
Executivos não deixam experiência, subjetividade e vieses do lado de fora da sala de conselho.
Por isso, compreender como as pessoas percebem o mundo também ajuda a entender como decisões são construídas.
Esse é o ponto de partida do primeiro módulo do SEER, Programa Avançado para CEOs, Conselheiros e Acionistas da Saint Paul. A jornada passa por subjetividade, inconsciente, neurociência aplicada à alta liderança e diferentes perspectivas sobre o humano.
A lógica é simples: antes de compreender como uma organização decide, é preciso compreender quem decide.
Em um dos experimentos do módulo, a arte aparece como expressão do subjetivo humano.
A relação com a liderança é direta.
Duas pessoas podem observar a mesma obra e chegar a interpretações completamente diferentes. Em uma reunião de conselho, algo semelhante acontece: os executivos recebem os mesmos dados, mas podem enxergar riscos, oportunidades e prioridades distintas.
É justamente por isso que ampliar repertório não significa apenas acumular conhecimento técnico. Significa desenvolver novas formas de observar problemas, contextos e pessoas.
Boa parte das decisões que chegam a um CEO ou conselho chegou até ali porque não havia uma solução evidente nas camadas anteriores da empresa.
São escolhas com informação incompleta, interesses conflitantes e consequências difíceis de antecipar.
Nesse cenário, liderar não é apenas saber mais. É conseguir enxergar mais.
É nesse espaço que filosofia, comportamento, neurociência e cultura deixam de parecer assuntos abstratos e passam a integrar o repertório de quem precisa decidir em ambientes de alta complexidade.