Casual

O "melhor ator" será uma atriz? Festival de cinema de Berlim gera debate

Em nome à igualdade de gêneros, o Festival de Berlim terá premiação de melhor atuação sem distinção entre atores e atrizes. A ação, porém dividiu opiniões no meio das artes

Com júri presencial, a 71ª edição do Festival de Cinema de Berlim, acontece virtualmente. (Fabrizio Bensch/Reuters)

Com júri presencial, a 71ª edição do Festival de Cinema de Berlim, acontece virtualmente. (Fabrizio Bensch/Reuters)

JS

Julia Storch

Publicado em 5 de março de 2021 às 08h44.

Priorizar nos meus resultados Google

E se o melhor ator for uma mulher, ou a melhor atriz, um homem? O Festival de Cinema de Berlim quis dar um passo em nome da igualdade e premiará a atuação "sem gênero". 

As dívidas tiram o seu sono e você não sabe por onde começar a se organizar? A EXAME Academy mostra o caminho

A Berlinale entrega seus cobiçados "Ursos" hoje (5). Em geral, o júri premia o melhor ator e a melhor atriz, cada um com um Urso de Prata. Mas este ano, o festival quer ser pioneiro na luta contra a discriminação e os estereótipos de gênero, tema atual no mundo do cinema depois do escândalo "#MeToo".

"Pela primeira vez, os prêmios serão definidos de uma forma neutra em termos de gênero", com um simples "Urso de Prata para Melhor Atuação" e um "Urso de Prata para Melhor Coadjuvante", anunciaram os organizadores.

No cinema, o único prêmio que "distingue os sexos [era] o de atuação", disse à AFP Mariette Rissenbeek, codiretora do Berlinale. "Acreditamos que podemos avançar nas discussões sobre igualdade [...] e também consideramos as pessoas que não querem ser designadas a nenhum gênero."

"Ato político"

A decisão foi aplaudida por vários diretores e intérpretes do concurso. Para a diretora libanesa Joana Hadjithomas, “é um ato simbólico forte, dizer: 'um ator é um ator', não é o seu gênero que determina" o seu valor.

O japonês Ryūsuke Hamaguchi destacou que este novo prêmio "reflete a essência do cinema", que, como arte, não distingue "com base no gênero". “Isso também abre as portas para um debate mais amplo, especialmente a questão de quem deveria interpretar os papéis de lésbicas, gays, etc.”, disse a atriz alemã Maren Eggert.

O anúncio, feito pelo Berlinale em meados de 2020, foi comentado por personalidades do cinema que se destacaram na luta pela igualdade de gênero, como a britânica Tilda Swinton e a atriz australiana Cate Blanchett, entrevistada pela AFP no Festival de Cinema de Veneza. "Uma boa atuação é uma boa atuação, seja qual for a orientação sexual ou da pessoa que a realiza”. A decisão da Berlinale, por enquanto, não influenciou os grandes festivais.

"Boas intenções"

"Existem opiniões diferentes sobre os prêmios 'sem gênero' e respeitamos diferentes pontos de vista", enfatizou Rissenbeek. Em termos de igualdade entre homens e mulheres, alguns até temem que a decisão pode premiar mais homens. O caminho para "o inferno é pavimentado com boas intenções", advertiu a  historiadora da sétima arte, Geneviève Scellier. "O problema subjacente é que os papéis masculinos são mais interessantes", mais numerosos e mais presentes na tela "do que os femininos", disse ela.

A premiação sem gênero na Berlinale se deve mais à ideia de fazer algo “politicamente correto”, considerou o sindicato de atores e atrizes alemães, que defende que, antes de tudo, “as mulheres sejam mais visíveis”.

A mesmo é a opinião da associação alemã Pro Quote, que milita para que a distribuição dos papéis no cinema seja equitativa, já que, segundo ela, 70% dos papéis são masculinos. "Em primeiro lugar, devemos defender a visibilidade das mulheres no cinema e alcançar a igualdade", disse à AFP uma de suas integrantes, a agente Chun Mei Tan. "Só então podemos falar sobre a introdução de prêmios sem gênero".

 

Acompanhe tudo sobre:Atores e atrizesCinemaFilmesFestivaisBerlim

Mais de Casual

15 filmes imperdíveis para assistir na 50ª Mostra de Cinema de São Paulo

Under Armour inaugura primeira Brand House no Brasil, em São Paulo

Cartier amplia Clash e LOVE com bolsa, óculos e pulseira flexível

Prêmio Jabuti 2026: Adélia Prado, Milton Hatoum são finalistas; veja a lista completa