Donna: drinque sem álcool Quela Caramella (Rodolfo Regini/Divulgação)
Repórter de Casual
Publicado em 1 de janeiro de 2026 às 07h53.
Os meses de janeiro, julho e outubro são conhecidos em diversos países do mundo, principalmente Estados Unidos, Inglaterra e Austrália, por serem momentos propícios para reduzir ou parar a ingestão de álcool. Os movimentos chamados Dry January, Dry July e Sober October (janeiro seco, julho seco e outubro sóbrio), concretizam a tendência que mostra a redução do consumo em todo o mundo, movimento encabeçado com o protagonismo da geração Z.
Segundo o Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA), em 2025, 64% dos adultos declaram não ter consumido álcool, um aumento de 9% em relação a 2023.
Impulsionados pelo movimento global do Dry January — que incentiva um mês de pausa no consumo alcoólico e por uma busca crescente por hábitos mais equilibrados — os drinques sem álcool vêm conquistando lugar de destaque nos menus da cidade. Muitos bebedores ainda torcem o nariz, mas, após o boom etílico da pandemia, as bebidas zero álcool estão ganhando protagonismo. Essa conclusão aparece em levantamentos das empresas americanas Af&Co e Carbonate, que analisam tendências do mercado, e também no relatório Pinterest Predicts, que aponta um interesse crescente pelo universo dos mocktails.
Essa onda não se limita aos bares especializados em coquetéis sem álcool. Gigantes do setor também mergulharam no segmento, caso da Pernod Ricard — dona de marcas como Absolut Vodka, Ballantine’s e Beefeater — que lançou a Ceder’s, bebida destilada zero álcool feita com extratos de quinze botânicos e levemente semelhante ao gim.
A Diageo segue caminho parecido com a Guinness sem álcool e o Tanqueray Zero, apostas que, segundo a empresa, devem levar o segmento a representar 23% do crescimento total das bebidas para adultos nos próximos três anos.
Lançado em agosto, o Lúcia é um aperitivo brasileiro não alcoólico, feito com plantas adaptógenas. Intenso e leve, a bebida foi feita por mixologistas especialistas em plantas para evocar a sensação — justamente — dos destilados, mas sem o consumo do álcool.“Essa tendência tem vários fatores. No pós-pandemia, a busca pela saúde cresceu muito. E as gerações mais novas bebem menos. O jovem dos anos 80 e 90 virava a noite, depois estudava de ressaca — hoje isso mudou completamente”, diz o bartender Alê D’Agostino do Coda Bar.
Engana-se quem imagina que um drinque sem álcool não possa ter camadas de sabor. Para acompanhar pratos e petiscos, a bebida precisa ser complexa, trazer nuances e, claro, parecer um drinque.
“Antes, a opção sem álcool era basicamente uma caipirinha de frutas super doce com água com gás. Com o amadurecimento da coquetelaria, os mocktails também precisaram evoluir: menos açúcar, mais amargor, montagem em taça, garnish… tudo como um bom drinque deve ser”, diz D’Agostino.
No Donna, comandado por André Mifano, o bartender Marcos Santos destaca ainda um novo protagonista: o chá. “O mundo dos chás é imenso e traz complexidade incrível aos drinques sem álcool. Dependendo da infusão, nem se percebe que não há álcool na composição.”
“No restaurante, percebemos um nicho quando alguns clientes elogiavam as versões sem álcool servidas no jantar”, conta Mifano. O restaurante Lassù vive um movimento semelhante: o aumento na venda de drinques só foi possível graças aos não alcoólicos. “Hoje eles representam 15% das bebidas vendidas. É uma revolução oferecer um drinque sem álcool que harmonize com a comida e acompanhe quem está bebendo”, afirma o restaurateur e sócio Ricardo Trevisani.
O fenômeno também chegou às pizzarias. “No fim de semana em que lançamos dois drinques zero álcool, um deles uma versão do Moscow Mule, quase 15% dos pedidos de bebidas foram mocktails. Eles são leves, refrescantes e harmonizam super bem com as pizzas”, comenta Gustavo Brunello, sócio da La Braciera.
O Carrasco: Virgin Grape Perrier (Rodolfo Regini/Divulgação)
Se antes era difícil encontrar opções para além dos sucos e refrigerantes, hoje há uma gama de opções que tornam o movimento ainda mais atrativo, mostrando-se como uma oportunidade para explorar novos sabores. Confira uma seleção de estabelecimentos que apostam nas opções sem álcool com criatividade e qualidade.
O Coda marca o retorno de Alê D’Agostino à coquetelaria paulistana, simbolizando uma nova fase pessoal e profissional. Localizado na Vila Buarque, o bar é inspirado no termo musical “coda”. Para quem busca por opções não alcoólicas, encontra no menu pedidas como o Apple Martini, o Nero, a Piña e a Mimosa de Café. Todos saem por R$ 28.
Serviço: Rua Barão de Tatuí, 233 – Vila Buarque, São Paulo/SP | Horário de funcionamento: terça a quinta das 18h às 00h, sexta e sábado das 17h à 01h | @_codabar
O restaurante localizado no 28º andar do Edifício K1 oferece uma vista panorâmica que se estende do Pico do Jaraguá até a Serra do Mar. O restaurante traz uma carta de drinques com boas opções sem álcool. Entre as sugestões, estão o Ginger Fresh & Honey (R$ 36), feito com água de mel e gengibre, limão taiti e Schweppes Citrus, e o Coringa (R$39), com xarope de tomilho e smenia, limão siciliano e hortelã.
Serviço: Rua Conselheiro Saraiva, 207 – 28º andar (Edifício K1) – Santana, São Paulo | Reservas pelo WhatsApp: (11) 97627-6148 | Horário de funcionamento: segunda a sexta das 12h às 15h e 18h às 0h, sábado das 12h às 16h e 18h às 0h, domingo das 12h às 17h | @lassu_ristorante
Instalado no piso superior do premiado Guilhotina, o bar com pegada de speakeasy também é dedicado aos drinques e tem atendimento mais personalizado. Dentre as opções sem álcool está o Virgin Grape Perrier (R$ 42), feito com xarope de maçã verde, suco de limão, suco de uva e Perrier.
Serviço: Rua Costa Carvalho, 84 (piso superior do bar Guilhotina) - Pinheiros, São Paulo/SP - Fone: (11) 3031-0955 | Horário de funcionamento: terça a sábado das 19h à 0h | @ocarrascobar
Com ambiente elegante e intimista, o restaurante tem cardápio assinado pelo chef André Mifano, que revisita a cozinha clássica italiana à sua moda. Para acompanhar os novos pratos do menu, vale provar a versão não alcoólica do Quela Caramella (R$ 26), com xarope de melão, limão siciliano, água e espuma de limão siciliano.
Serviço: Rua Peixoto Gomide, 1815 - Jardim Paulista, São Paulo/SP - Fone: (11) 97593-9047 | Horário de funcionamento: segunda a quinta das 19h às 22h45, sexta das 19h às 23h, sábado das 13h às 15h30 e das 19h30 às 22h45 | @restaurantedonna_
Famosa pelas pizzas feitas no estilo napolitano, a rede tem cardápio elaborado com a consultoria do chef italiano Pasquale Cozzolino. Quem busca opções de drinques sem álcool para acompanhar as redondas, encontra boas opções como o Ginger Mule (R$ 29), feito com suco de limão, ginger beer e espuma de gengibre, e o Tre Limoni (R$29), que combina água com gás, suco de limões (galego, siciliano e tahiti) e rapadura.
Serviço: 5 unidades + Alameda Lorena, 1040 - Jardim Paulista, São Paulo/SP - Fone: (11) 5990-2158 | Horário de funcionamento: domingo a quinta das 18h às 23h, sexta e sábado das 18h à 0h | @labracierapizza
No Animus, restaurante comandado por Giovanna Grossi em Pinheiros, a pesquisa sobre ingredientes brasileiros não se limita à cozinha. O bar, sob a batuta de Pedro Piton, também vem explorando insumos nativos em criações sem álcool. Entre elas está o Aluá (R$ 26), inspirado no tepache mexicano, preparado a partir da fermentação das cascas do abacaxi com especiarias brasileiras, resultando em uma bebida de perfil frutado e especiado. Outra opção é o Cajuju (R$ 26), que combina mel de abelhas nativas, nibs de cacau, cajuína e uma compota de caju.
Serviço: Rua Vupabussu, 347 – Pinheiros, São Paulo/SP | Telefone: (11) 2371-7981 | Horário de funcionamento: quarta a sexta das 12h às 15h; terça a sábado das 19h às 23h | @animusrestaurante
O Sky Hall Garden valoriza a coquetelaria também em sua versão sem álcool. A casa reúne no cardápio uma seleção de mocktails assinada por Renan Tarantino, que exploram combinações de frutas, chás e especiarias. Entre destaques, o Acalmomila (R$ 32) combina laranja, maracujá, xarope de camomila, capim-limão e limão taiti, enquanto o Clever Club (R$ 32) une chá de frutas silvestres, frutas vermelhas, limão taiti e albumina. Outra sugestão é o Fig Peasy (R$ 32), com compota de figo, albumina e limão taiti. O Mongito (R$ 32) complementa a carta com hortelã, extrato de capim-limão, menta, xarope de zimbro, gengibre e limão taiti.
Serviço: Rua Haddock Lobo, 1327 – Jardins, São Paulo/SP | Telefone: (11) 97689-3567 | Horário de funcionamento: terça a sexta das 12h à 0h e das 18h às 23h; sábado das 10h à 1h; domingo das 10h às 22h | @skyhallgarden
O Bar dos Arcos, localizado no subsolo do Theatro Municipal de São Paulo, amplia a experiência da coquetelaria ao oferecer uma seleção de mocktails autorais. Entre os destaques está o Ceci (R$ 22), que combina chá mate e cordial de cajá. O Nobre (R$ 19) traz chá de casca de abacaxi, cordial de basílico e xarope de açúcar. Já a Desvairada (R$ 19), versão sem álcool do clássico Pauliceia, mistura xarope de azeitona preta, cítricos e CO2. O Baque (R$ 24) apresenta um processo de clarificação em leite de coco, resultando em uma combinação de xarope de caramelo salgado e limão.
Serviço: Praça Ramos de Azevedo, s/n – República – Subsolo do Theatro Municipal, São Paulo/SP | Telefone: (11) 5148-0056 | Horário de funcionamento: terça e quarta das 18h à 1h; quinta e sexta das 18h às 2h; sábado das 18h às 3h | @bardosarcos
No Gurumê, restaurante japonês com influências contemporâneas, os mocktails também têm presença na carta de coquetéis elaborada pelo mixologista Anderson Alves. Entre as opções, o Red Berry (R$ 35) combina amora, lichia e xarope de limão em um drinque refrescante.
Serviço: Rua Natingui, 1536 – Vila Madalena, São Paulo/SP | Telefone: (11) 5194-6300 | Delivery: http://www.gurume.com.br | @gurume_oficial
Em sintonia com o espírito leve e descomplicado do NIT Bar de Tapas, as opções de drinques sem álcool aparecem como escolhas refrescantes e bem executadas para acompanhar as tapas ao longo do dia ou da noite. A Limonada Gengibre leva limão, gengibre, mel e água com gás, com acidez marcante e um toque levemente picante, enquanto a Limonada Rosada mistura framboesa, limão e água com gás, resultando em uma bebida delicada, aromática e frutada. Ambas custam R$ 23.
Serviço: NIT Bar de Tapas - Rua Oscar Freire, 153, Jardins. Horário de funcionamento: De terça a sexta das 17h às 0h. Sábado das 12h às 0h. Domingo das 12h às 22h. restaurantetanit.com.br