Humberto Campana: 20 anos de colaborações com a Melissa (Melissa /Divulgação)
Repórter de Casual
Publicado em 6 de outubro de 2026 às 12h01.
Última atualização em 6 de outubro de 2026 às 12h01.
Uma viagem de Humberto Campana aos Lençóis Maranhenses virou o ponto de partida do novo lançamento da Melissa. Inspirada nas lagoas que surgem entre as dunas, a sapatilha Laguna chega ao mercado em 15 de outubro para celebrar duas décadas de colaboração entre a marca e o Estúdio Campana — uma relação que, desde 2004, gerou milhões de pares vendidos no mundo.
O modelo leva para o plástico as formas e a transparência da paisagem brasileira. A proposta combina uma estética minimalista com texturas que remetem ao movimento da água e aberturas que deixam parte dos pés à mostra. Para a Melissa, o lançamento também atualiza uma parceria que ajudou a ampliar seu diálogo com a arquitetura e a arte.
“Os Campana não são apenas parceiros históricos, eles são coautores da própria maturidade estética da Melissa”, afirma Paulo Pedó, gerente de marca da empresa.
Segundo Humberto Campana, cofundador do estúdio, a Laguna tem uma diferença em relação às criações anteriores, já que a inspiração veio diretamente da viagem, em vez de partir do trabalho de mobiliário dos designers.
“Me lembrou muito uma cidade futurista, onde as dunas são palácios, e as lagoas são os jardins aquáticos”, diz. O contraste entre a areia branca e a água transparente orientou a criação, assim como as formas de uma paisagem que muda constantemente.
Essa observação se traduziu em uma sapatilha aerada, pensada para conciliar o conceito artístico com o uso cotidiano. “Eu quis fazer uma radiografia da visão que eu tive ao visitar esse espaço, conectando funcionalidade com arte”, afirma Campana.
A mudança de referência também exigiu outra abordagem industrial. Enquanto modelos anteriores exploravam tramas e entrelaçados, a Laguna aposta em acabamentos translúcidos e nos efeitos da luz sobre o plástico. Segundo Pedó, a evolução da produção permitiu trabalhar essas sutilezas no PVC.
Sapaatilha Laguna: modelo assinado pelo Estúdio Campana, com inspiração nos Lençóis Maranhenses (Tainan Basile /Divulgação)
A colaboração se sustenta na divisão de tarefas entre a criação do estúdio e a capacidade industrial da Melissa. Para Campana, a familiaridade construída ao longo dos anos confere liberdade aos projetos, sem eliminar a busca por novidades.
“Mandamos a poesia, e eles mandam a matemática para que o projeto se materialize e seja viável”, diz Campana.Pedó afirma que a relação vai além da aplicação de uma assinatura em um produto. O desafio é adaptar a fabricação à proposta dos artistas e reproduzir suas formas em grande escala.
“Nós adaptamos a tecnologia fabril para servir à visão dos artistas, e nunca o inverso”, diz. Na avaliação do executivo, esse trabalho permite ampliar o acesso ao design autoral e preservar as características da criação.
Campana diz dedicar a mesma energia a uma peça de arte e a um calçado. Na produção em escala, porém, entram exigências como função e durabilidade. Segundo ele, a colaboração também aumenta, a cada coleção, a proporção de plástico reciclado na composição.
Para Pedó, a permanência da parceria tem uma explicação comercial. “O maior aprendizado foi constatar que autenticidade constrói longevidade comercial”. O executivo associa essa continuidade à procura por produtos que tenham história e identidade, além da aparência.
A Melissa/Campana Laguna será vendida na Galeria Melissa SP, em Clubes Melissa selecionados, no site e no aplicativo oficial da marca por R$ 250.