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Margaret Qualley e os sapatos sem sola da Chanel

O modelo assinado por Matthieu Blazy foi apresentado durante o desfile Cruise 2027 em Biarritz, na França

Salto sem sola da Chanel apresentado no desfile Cruise 2027 (Divulgação)

Salto sem sola da Chanel apresentado no desfile Cruise 2027 (Divulgação)

Gustavo Frank
Gustavo Frank

Jonalista colaborador

Publicado em 21 de agosto de 2026 às 09h48.

Última atualização em 21 de agosto de 2026 às 09h49.

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Para o lançamento do filme Ponto Sem Retorno, a atriz Margaret Qualley escolheu usar um sapato incomum, apresentado pela Chanel durante o desfile Cruise 2027 em Biarritz, na França. A sandália que virou assunto imediato. O motivo é simples: o calçado não tem sola. O que Matthieu Blazy, diretor criativo da maison desde abril de 2025, chamou de "barefoot heel cap" é, na prática, uma base de salto presa ao tornozelo por duas tiras finas. O resto do pé fica completamente exposto.

O próprio Blazy admitiu que sua equipe questionou a ideia antes do desfile. "Em algum momento, alguém me disse: 'é demais'", contou ao WWD. "E aí eu vi uma foto incrível da beira-mar. É uma bagunça, uma explosão. Pensei: vamos lá."

Não é a primeira vez que a moda reduz o sapato à sua expressão mínima. Em 1947, Salvatore Ferragamo criou a Invisible Sandal, com cabedal feito de um fio de nylon transparente que prendia o pé nu ao salto. Nos anos 1950, Marilyn Monroe popularizou as Cinderella Slippers, feitas de lucite transparente, praticamente invisíveis no pé. Em 1997, Alexander McQueen apresentou plataformas completamente transparentes no desfile La Poupée, em que as modelos desfilavam sobre uma passarela coberta de água e pareciam flutuar.

Em 1998, Jeremy Scott apresentou na primavera-verão algo parecido: um salto fino com tiras de tecido que subiam pela perna inteira no estilo de sapatilhas de balé, deixando o pé quase completamente à mostra. O desfile, realizado na Bastille Opera em Paris, foi fotografado por Norbert Schoerner. No ano seguinte, Kylie Minogue usou o modelo no Life Ball, em Viena.

Mais recentemente, a Balenciaga foi ainda mais longe. Na coleção pré-outono 2025, Demna criou o Barefoot Zero: uma sola simples que envolvia apenas o dedão do pé. Sem cabedal, sem tiras. Antes disso, em 2018, a grife já tinha apresentado as plataformas de Crocs, a US$ 850, que esgotaram antes mesmo de chegar às lojas.

O que era considerado o calçado mais feio do mundo virou objeto de desejo com uma única passagem pela passarela de Paris. Simone Rocha foi pelo mesmo caminho e lançou sua versão cravejada de pérolas, que se tornou uma das colaborações mais bem-sucedidas da história da marca americana.

Barefoot Zero da Balenciaga

Sapato Barefoot Zero, da Balenciaga, criada pelo diretor criativo Demna Gvsalia (Divulgação)

A Maison Margiela fez o mesmo exercício em 1989, mas com outro ponto de partida. As Tabi, inspiradas nas meias tradicionais japonesas que separam o dedão dos demais dedos, estrearam no primeiro desfile de Martin Margiela e nunca saíram de circulação. Passaram de botas a sapatilhas, loafers e tênis. O modelo que durante anos dividiu opiniões hoje aparece em marcas mais populares e de street style, como a Vans e a etiqueta brasileira PACE, comandada por Felipe Matayoshi.

Sapato Tabi da Maison Margiela

Sapato da Maison Margiela no modelo Tabi, que separa o dedão dos outros dedos (Divulgação)

A “teoria do sapato errado”, popularizada pela stylist Allison Bornstein, defende que o calçado fora do lugar é exatamente o que tira um look do óbvio. A Birkenstock, que durante décadas foi sinônimo de sandália de farmacêutico, hoje aparece nos editoriais das principais revistas do mundo. As dad sneakers da New Balance e da Balenciaga seguiram o mesmo caminho.

A sandália ainda não tem preço confirmado nem data de lançamento. A versão de varejo, segundo a imprensa especializada, provavelmente incluirá uma sola.

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