Casual

Austrália adota maço de cigarro padronizado e sem propaganda

Fabricantes cujos produtos saírem do formato arcarão com multas superiores a US$ 100 milhões


	Embalagem de cigarro australiano: cigarros já não teriam o mesmo sabor de antes, afirmaram fumantes (AFP)

Embalagem de cigarro australiano: cigarros já não teriam o mesmo sabor de antes, afirmaram fumantes (AFP)

DR

Da Redação

Publicado em 1 de dezembro de 2012 às 09h26.

Sydney - Os maços de cigarros que começaram a ser vendidos neste sábado em toda a Austrália têm cor homogênea e não contam com publicidade, uma medida pioneira no combate ao tabagismo.

Em virtude da lei, todos os maços de cigarros têm a cor verde oliva, e as marcas têm uma tipografia homogênea e com letras pequenas. Imagens de doenças vinculadas ao tabagismo também são usadas.

As advertências sobre os riscos do tabagismo para a saúde ocuparão 75% da parte frontal dos maços de cigarros e 90% do verso.

A aplicação do novo formato começou a ter resultados positivos ou, pelo menos, psicológicos, segundo a ministra de Saúde da Austrália, Tanya Plibersek.

'Recebi algumas cartas na qual os fumantes dizem que os cigarros não tem o mesmo sabor de antes', declarou Tanya, embora as empresas se negam categoricamente uma possível mudança nos ingredientes.


As grandes lojas no varejo, que vendem 70% dos cigarros na Austrália, acataram a medida e esperam que a 'maioria' das empresas introduza as mudanças, segundo a agência local 'AAP'.

Se os fabricantes de cigarros descumprirem a nova lei, serão punidos com multas que ultrapassam os US$ 100 milhões e, inclusive, poderão ter o produto retirado do mercado.

O governo australiano aumentou sua pressão contra o tabagismo nos últimos anos porque essa é a causa da morte anual de pelo menos 15 mil australianos, afetados por doenças vinculadas, o que representava uma despesa de mais de US$ 31 bilhões ao orçamento da saúde.

O primeiro grande passo contra o tabagismo foi dado nos anos 90, quando o Executivo proibiu a publicidade do tabaco em qualquer meio de comunicação e suporte, assim como o patrocínio de todo tipo de evento.

Depois, as autoridades aumentaram os impostos e reforçaram as leis antitabaco no âmbito nacional como nos diferentes estados e territórios que formam o país. No entanto, somente em novembro de 2011, o governo australiano aprovou essa polêmica lei para eliminar o último vestígio de publicidade nos maços de cigarros.


Pouco após a aprovação da lei, a poderosa companhia British American Tobacco (dona de marcas internacionais como Lucky Strike) apresentou uma queixa nos tribunais australianos por considerar que a medida era inconstitucional e infringia os direitos de propriedade intelectual.

Embora a Japan Tobacco International, Imperial Tobacco (Cohiba e Golden Virginia) e Philip Morris (Marlboro, L&M e Chesterfield) também tenham se unido neste caso, a reivindicação das empresas foi anulada no último mês de agosto.

Essa verdadeira queda de braço entre governo e companhia, ao invés de ficar sentenciado, prosseguiu sem descanso desde então e com diversas táticas, como o uso de legendas nos maços: 'O que conta é o conteúdo'.

Honduras, República Dominicana e Ucrânia indagaram neste ano o órgão de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre a possível criação de um painel de analistas que se manifeste em relação à lei australiana de padronização dos maços.

A gigante Philip Morris também abriu outra frente de batalha no citado órgão de solução de controvérsias porque, segundo seus analistas, a lei australiana transgride um tratado bilateral de proteção de investimentos com Hong Kong, que comercializa os produtos vendidos para a Austrália. EFE

Acompanhe tudo sobre:AustráliaPaíses ricosSaúdeCigarrosPolítica de saúde

Mais de Casual

Gero Fasano lança livro com seus pitacos favoritos

Naomi Osaka transforma Roland Garros numa passarela de alta costura

Grife de óculos que conquistou Meryl Streep abre galeria em São Paulo

Hotel em Cascais e iates na Sardenha marcam nova fase do Fasano