Japão: banheiros públicos se tornaram uma atração turística (Sergio Yoneda/Getty Images)
Repórter de Casual
Publicado em 2 de fevereiro de 2026 às 11h43.
Os banheiros públicos de Tóquio ganharam fama no enredo de Dias Perfeitos. No longa indicado à categoria de Melhor Filme Internacional do Oscar de 2024, os banheiros são o cenário do dia a dia de Hirayama, um zelador japonês. Com a alta no turismo no país asiático, os banheiros se tornaram uma atração, ainda que tenham paredes transparentes que pareçam contradizer qualquer noção básica de privacidade, em projeto assinado pelo arquiteto japonês Shigeru Ban, vencedor do Prêmio Pritzker.
A escolha do vidro não é apenas estética. Ela faz parte da iniciativa Tokyo Toilet, conduzida pela administração do bairro de Shibuya com apoio de instituições e patrocinadores locais. O programa busca transformar estruturas comuns da cidade em peças de arquitetura contemporânea, levando inovação para um serviço essencial: a higiene pública.
Um dos princípios do projeto parte de duas preocupações frequentes em banheiros instalados em parques ou áreas abertas: a limpeza e a privacidade. A transparência, nesse caso, responde ao primeiro ponto. Antes de entrar, qualquer pessoa consegue observar se o espaço está bem cuidado e se está em uso.
Nos parques Yoyogi Fukamachi e Haru-no-Ogawa, as cabines projetadas por Ban se destacam pelas cores vibrantes e pelo visual que lembra instalações artísticas. Durante o dia, funcionam como marcos urbanos. À noite, iluminadas, ganham um aspecto ainda mais chamativo.
A questão da privacidade é resolvida com tecnologia. Ao trancar a porta, o material muda de estado e bloqueia a visão de fora, tornando-se opaco automaticamente.Os espaços também foram organizados em três áreas separadas, destinadas a mulheres, homens e pessoas com mobilidade reduzida.
Ban não está sozinho na iniciativa. Segundo o site Architectural Digest, o Tokyo Toilet reuniu 16 escritórios de arquitetura e design, que redesenharam banheiros públicos em 17 pontos diferentes da região central da capital japonesa. A proposta é transformar essas estruturas em símbolos da hospitalidade e do cuidado urbano associados ao Japão.
Entre os participantes estão nomes como Kengo Kuma, Sou Fujimoto, Nigo e Tadao Ando, e o projeto pode ser explorado por meio de um mapa interativo disponível online.
Os modelos variam bastante, com projetos que lembram bolas de neve, cogumelos ou formas inspiradas na natureza. No caso de Ando, o arquiteto optou por uma construção circular, com cobertura ampla e um corredor externo que dialoga com seu estilo minimalista.