Fernando de Noronha aparece como um dos destaques do Brasil na plataforma Ranqia (Arquivo/Agência Brasil)
Repórter
Publicado em 11 de agosto de 2026 às 16h24.
Última atualização em 11 de agosto de 2026 às 20h47.
Um levantamento da Ranqia, empresa de tecnologia especializada em infraestrutura para Generative Engine Optimization, baseado em 20.309 respostas do ChatGPT 5.6 em 21 mercados, revela uma nova fronteira da competição turística global: a disputa por recomendação dentro dos sistemas de inteligência artificial.
Os resultados mostram um contraste relevante para o Brasil. Enquanto o país domina praticamente todas as consultas relacionadas à América do Sul, ele quase desaparece quando a pergunta é global.
A conclusão tem implicações que vão além do turismo. O estudo sugere que a capacidade de um destino ser recomendado por modelos de IA passa a depender cada vez menos apenas de seus atributos turísticos e cada vez mais de sua presença nas fontes que alimentam as respostas desses sistemas.
Na pergunta considerada mais estratégica pela pesquisa, "quais são os melhores países para visitar", o Brasil aparece com baixa visibilidade global e raramente figura entre os principais destinos recomendados. O espaço é ocupado de forma recorrente por países como Japão, Vietnã, Maldivas, Seychelles, Costa Rica e Tanzânia. Em contrapartida, quando a consulta é restringida à América do Sul, o Brasil é mencionado nos 21 mercados e é o país número um do ranking de visibilidade em 15 deles, com 100% de presença nas respostas coletadas no Peru e na na Bolívia, e com 99% no Chile, figurando consistentemente entre os líderes da região.
O estudo identifica um motivo estrutural para essa diferença. A arquitetura de busca do ChatGPT é amplamente dependente de conteúdos em inglês. O português representa apenas uma fração residual. Como consequência, os sites e publicações que conseguem influenciar a recomendação da IA são predominantemente plataformas internacionais.
Entre as fontes mais recorrentes estão Lonely Planet, SouthAmerica.travel, Forbes, Timeout, National Geographic, Tripadvisor, Condé Nast Traveler e Reddit. O levantamento mostra que guias editoriais globais, portais especializados e plataformas de viagens exercem papel muito mais relevante na formação das respostas do que sites oficiais de promoção turística.
Para o Brasil, esse cenário cria um desafio de posicionamento digital. Embora o país tenha ativos reconhecidos mundialmente, eles aparecem concentrados em poucos territórios narrativos.
Quando o ChatGPT recomenda o Brasil, as justificativas mais frequentes são praias, biodiversidade, natureza, cidades e experiências culturais. Rio de Janeiro, Salvador, Amazônia, Pantanal, Mata Atlântica e Fernando de Noronha aparecem entre os elementos mais associados ao país.
A pesquisa indica que a IA enxerga o Brasil principalmente como um destino de natureza e lazer, mas não o posiciona com a mesma força em atributos como luxo, romance, segurança, infraestrutura, sustentabilidade ou turismo de negócios. Essa limitação ajuda a explicar por que o país mantém relevância regional, mas encontra dificuldades para disputar espaço nas listas globais mais competitivas.
Outro achado relevante para o mercado é que as respostas do ChatGPT tendem a seguir uma lógica de personalização. Em vez de apenas sugerir destinos, o sistema frequentemente conduz o usuário para etapas seguintes da jornada de compra, solicitando informações sobre orçamento, preferências, duração da viagem e perfil do viajante. Na prática, a IA atua não apenas como mecanismo de descoberta, mas como intermediária do funil de decisão turística.
Sob a ótica de negócios, o estudo da Ranqia sugere o surgimento de uma nova agenda para destinos, empresas de turismo e órgãos de promoção. A disputa por visibilidade passa a ocorrer dentro dos ecossistemas de informação que as IAs utilizam para formular recomendações.