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Com Michelin em Paris, chef brasileira aposta na Bahia

O destino escolhido para a estreia de Alessandra Montagne no Brasil será o Nanö Beach Hotel Subaúma

Alessandra Montagne: chef brasileira possui dois restaurantes em Paris, e irá comandar um restaurante no Museu do Louvre (Anne Claire/Divulgação)

Alessandra Montagne: chef brasileira possui dois restaurantes em Paris, e irá comandar um restaurante no Museu do Louvre (Anne Claire/Divulgação)

Júlia Storch
Júlia Storch

Repórter de Casual

Publicado em 13 de abril de 2026 às 10h32.

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A efervescência em torno de Alessandra Montagne não para. A chef mineira radicada em Paris há mais de duas décadas, que comanda os premiados restaurantes Nosso e o bistrô Tempero na capital francesa, além do Cícero Bistrot, em Lisboa, chega ao Brasil pela primeira vez com a assinatura de um cardápio e liderando a cozinha de um hotel. O destino escolhido para essa estreia é o Litoral Norte da Bahia: o Nanö Beach Hotel Subaúma, novo empreendimento de luxo que será inaugirado em novembro com a chef como mente criativa por trás da gastronomia.

Nascida no Morro do Vidigal e criada em Poté, pequena cidade de Minas Gerais, ela se mudou para Paris aos 22 anos sem falar francês. A linguagem que usou para se comunicar foi a da cozinha. Formada pela Médéric, prestigiada escola de hotelaria parisiense, construiu uma carreira que a levou da periferia mineira às mesas mais disputadas da Europa.

O restaurante Tempero fez sucesso imediato, com filas que dobravam o quarteirão. O burburinho chegou aos ouvidos do lendário chef Alain Ducasse, que se apaixonou pela comida de Alessandra e a apadrinhou. O Nosso, seu restaurante mais recente, é recomendado pelo Guia Michelin.

A chegada ao Brasil representa um retorno carregado de significado. "Quando saí do Brasil a minha situação estava bem complicada, eu tinha pânico de ir ao Brasil, ficava com medo de sofrer", diz. Foi a partir de um convite para um evento gastronômico em 2022 que ela percebeu o quanto seu trabalho havia expandido para além do oceano. "Voltei para Poté, a minha cidade, e comecei a ver com outro olhar. Entendi a sorte que tive de ter crescido ali, protegida de tantas coisas."

Entrada do Nosso: pão de queijo e caviar de Madagascar. (Maki Manoukian/Divulgação)

Em Subaúma, Alessandra traz uma assinatura que vai além do sabor. Com especialização em Naturopatia, ela incorpora plantas e ervas medicinais em suas criações. A cozinha do hotel nasce da fusão entre a precisão francesa e os ingredientes da pequena vila de pescadores baiana.

"Percebemos que ninguém melhor do que uma brasileira que conquistou o mundo para reinterpretar nossas raízes", diz Antoine Painblanc, proprietário do hotel que terá 30 bangalôs exclusivos à beira-mar.

A preocupação com o desperdício zero, marca registrada de Alessandra em Paris, onde mais de 90% dos insumos que usa são provenientes da região parisiense, deve se traduzir em Subaúma no uso intensivo dos ingredientes locais. "O meu trabalho faz com que eu tenha um consumo alto de água, carnes, legumes e eletricidade. Então, por conta disso, eu sempre luto muito para ter zero desperdício. Inclusive, eu não tenho lixo na minha cozinha, os resíduos vão para a composteira", diz. "Gosto de usar ingredientes simples, que todo mundo pode comprar, e transformá-los em pratos gastronômicos. Eu sou cozinheira. Eu não estou salvando o planeta."

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