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Petróleo: por que o preço que você vê no noticiário não mostra a crise real

Cessar-fogo de duas semanas anunciado entre EUA e Irã não reabriu a via, e Donald Trump anunciou um bloqueio em todo o tráfego marítimo na região envolvendo o país pérsico a partir de hoje

Estreito de Ormuz: rota é responsável por 20% do escoamento global de petróleo. (Gallo Images/Orbital Horizon/Copernicus Sentinel Data 2026/Getty Images)

Estreito de Ormuz: rota é responsável por 20% do escoamento global de petróleo. (Gallo Images/Orbital Horizon/Copernicus Sentinel Data 2026/Getty Images)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 13 de abril de 2026 às 10h25.

Refinarias europeias e asiáticas travam uma corrida por barris físicos de petróleo com a evolução das tensões envolvendo o Estreito de Ormuz, um dos principais corredores de escoamento do óleo no mundo.

O resultado é uma distorção histórica de preços: enquanto o mercado futuro ainda reflete relativa calma, o mercado físico entrou em colapso de oferta, segundo fontes ouvidas pelo Financial Times.

Referência global de preços, os contratos futuros do petróleo do tipo Brent para junho subiam 7,09%, por volta das 9h45, a US$ 101,95.

Os contratos futuros de maio do West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos (EUA), também avançava 7,36%, para US$ 103,69.

A chefe de estratégia global de commodities do RBC Capital Markets, Helima Croft, classificou os preços dos contratos futuros como um "indicador defasado em relação à realidade física dos corredores marítimos."

A distorção foi tão intensa que travou um instrumento central do mercado de energia: os contratos Brent para diferença (CFDs), usados por empresas para se proteger de variações de preço, explicou ao FT.

Os CFDs superaram US$ 30 por barril, limite máximo aceito pela Intercontinental Exchange (ICE), tornando impossível negociá-los na bolsa. Operadores disseram não ter memória de outro episódio igual.

O que está travado no Golfo

O Estreito de Ormuz funciona hoje a 8% da capacidade normal, conforme análise distribuída pelo Goldman Sachs a clientes na quinta-feira.

O cessar-fogo de duas semanas anunciado entre EUA e Irã não reabriu a via, e Donald Trump anunciou um bloqueio em todo o tráfego marítimo na região envolvendo o país pérsico a partir de hoje.

A situação também piorou com danos à infraestrutura da Arábia Saudita. Ataques recentes reduziram sua capacidade de produção em 600 mil barris por dia — queda de 5% sobre a capacidade total de 12 milhões de barris diários.

O oleoduto Leste-Oeste, principal alternativa ao estreito para exportações sauditas, também foi atingido e perdeu 700 mil barris por dia em capacidade de transporte ao longo da última semana.

Consequências de Ormuz

O ex-assessor de energia da Casa Branca no governo de Joe Biden, Amos Hochstein, relatou que "se isso continuar por mais alguns dias, podemos ver o mercado decidindo que o estreito está fechado por tempo indeterminado."

"Isso pode levar não apenas a preços mais altos, mas a uma crise real na Ásia", pontuou. "Não estamos falando só de preços. Estamos falando de uma escassez física real que está se materializando."

O vice-presidente sênior de trading do BOK Financial, Dennis Kissler, alertou também que os desequilíbrios logísticos levarão pelo menos 20 dias para serem corrigidos se o fluxo de Ormuz for normalizado.

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