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Casas flutuantes: a tendência de Londres que combina luxo e conforto

A The Float House, projetada pelo escritório de arquitetura TiggColl, é o exemplo vivo de que viver na água pode ser uma experiência sofisticada

Arquitetura de luxo: as casas flutuantes de Londres (James Retief/Arch Daily)

Arquitetura de luxo: as casas flutuantes de Londres (James Retief/Arch Daily)

Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 17 de janeiro de 2026 às 15h01.

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Londres abriga hoje uma das comunidades fluviais mais vibrantes da Europa, com mais de 4 mil embarcações residenciais. Diferente do Brasil, no entanto, a tendência de arquitetura flutuante por lá se tornou sinônimo de luxo.

No Grand Union Canal, em Ruislip, está a prova de que morar em um barco não precisa ser o equivalente ao improviso. Batizada de The Float House, a residência projetada pelo escritório TiggColl Architects entrega uma solução de luxo modular que resolve o maior dilema das metrópoles globais: o aproveitamento de espaços subutilizados com alto valor agregado.

O projeto nasceu de um salto de fé da proprietária Narinda Desrosiers, que buscava substituir o estilo de vida claustrofóbico das barcaças tradicionais por uma casa que atendesse às necessidades de uma família completa. O escritório detalhou, em entrevista à revista Wallpaper*, como o uso de tecnologias navais permitiu criar uma estrutura que mantém todos os espaços habitáveis acima da linha da água.

Créditos: James Retief/Arch Daily (James Retief/Arch Daily)

Engenharia modular e logística

Diferente das barcas convencionais, onde o piso costuma ficar submerso e as janelas são pequenas vigias, a Float House privilegia a iluminação natural e a vista panorâmica.

O maior desafio para a permanência desse conceito em Londres reside na infraestrutura secular dos canais. Pontes baixas e eclusas estreitas impede m o transporte de grandes estruturas pré-fabricadas. A resposta da TiggColl foi o desenvolvimento de um sistema de dez cascos de aço independentes, unidos por um pórtico metálico.

Essa modularidade permite que cada seção seja destacada para manutenção individual, o que elimina a necessidade de deslocar a residência inteira para uma doca seca — um custo logístico proibitivo para a maioria dos proprietários.

A superestrutura segue a mesma lógica de montagem rápida. Uma vez lançada a base flutuante, a estrutura de madeira foi montada in loco, reduzindo o impacto ambiental e o ruído na vizinhança do canal. De acordo com o diretor David Tigg, em entrevista ao Wallpapper*, o imóvel funciona como um protótipo para ambientes de difícil acesso em todo o mundo, desde lagos isolados até rios urbanos densamente povoados, oferecendo uma alternativa ao mercado imobiliário tradicional de tijolo e argamassa.

Conforto térmico e lifestyle

Externamente, o edifício ostenta ripas de madeira Accoya, material reconhecido por sua resistência extrema à umidade. Com o passar do tempo, o material adquire uma coloração acinzentada, ajudando a casa a se fundir organicamente com a paisagem do canal. Internamente, a marcenaria em carvalho e uma cozinha equipada com bancadas de Dekton reafirmam o compromisso com o lifestyle de alto padrão. O espaço de 4 metros por 20 metros foi otimizado com janelas que se projetam para fora da fachada, criando volume extra sem violar as regras de navegação da hidrovia.

O resultado é uma moradia que desafia preconceitos e estabelece um novo modelo para habitações adaptáveis e de baixo impacto. Para os entusiastas da arquitetura sustentável, a residência flutuante representa a liberdade de viver cercado pela natureza, com o conforto de um apartamento de luxo no centro da cidade. Enquanto o setor imobiliário britânico lida com a escassez de terrenos, a The Float House aponta para o horizonte líquido como a próxima grande oportunidade de investimento e moradia.

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