Cantores virtuais encontram um mercado bilionário na China

A China é o mais recente mercado a abraçar os vocaloids, que representam a combinação mais extrema de tecnologia e música. No país, estima-se que 390 milhões de pessoas curtam os ídolos virtuais

Pelos padrões das pop stars, o show de Luo Tianyi no Ano Novo estava praticamente vazio, com apenas 300 pessoas no local. Porém, ela também não estava ali. Para realmente ver Luo, uma das estrelas em ascensão na China, cerca de 150 milhões de pessoas entraram na transmissão ao vivo pela TV e dispositivos móveis. A cantora adolescente é uma vocaloid, a primeira pop star que fala mandarim e foi gerada por computador e sintetizador de voz.

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A China é o mais recente mercado a abraçar os vocaloids, que representam a combinação mais extrema de tecnologia e música. Embora tenham sido inventados no Japão e influenciado o K-pop coreano, a China tem o maior público potencial, estimado em 390 milhões de pessoas que curtem ídolos virtuais. A indústria de animação que acompanha a novidade inclui séries de TV e quadrinhos e movimentou US$ 35 bilhões em 2020, de acordo com a empresa de mídia iQiyi.

Desde o gato animado que dançava com Paula Abdul na década de 1990 aos hologramas que reviveram cantores mortos na década de 2000, a indústria da música flerta com performances não humanas na medida em que a tecnologia permite.

Atualmente, um software de edição de áudio capaz de gerar músicas com vozes humanas sintéticas custa US$ 225. A Yamaha está desenvolvendo tecnologia para tornar essas vozes mais realistas e permitir expressões musicais únicas aos vocaloids.

Fãs Jovens

Entoando melodias animadas, Luo exemplifica o gênero. Ela tem 15 anos, cabelos tingidos de cinza, olhos verdes e 5 milhões de seguidores no Weibo. Os ingressos para seus shows esgotam em minutos. Ela já cantou e dançou enquanto Lang Lang a acompanhava ao piano e a CCTV a colocou no Festival de Gala da Primavera ao lado de Andy Lau e Andrea Bocelli.

Entre os fãs de Luo, mais de um terço nasceu depois de 2000 e a maioria vive nas grandes cidades chinesas. Existe um esforço para expandir a base de fãs para outros locais. Nescafe, KFC e outras empresas usam suas canções em campanhas publicitárias.

“Algo único à cultura vocaloid em comparação com outras culturas amadoras de criação é que não é apenas a música que é criada”, disse Hiroyuki Ito, presidente da Crypton Future Media, dona de Hatsune Miku, a vocaloid mais conhecida do Japão. “Uma pessoa cria uma música e outra acopla uma história ou desenha uma ilustração ou faz um videoclipe.” A cultura vocaloid reduziu a distância entre a música amadora e a produção profissional, acrescentou.

Na China, vocaloids como Luo são promovidos ao lado de celebridades humanas, aparecendo em programas de variedades, competições de canto, festivais de compras e streaming ao vivo.

A Shanghai Henian Technology, que atua como empresária de vocaloids, pretende fundir Luo com a inteligência artificial para que ela pense de forma independente e se comunique com os fãs, além de aproveitar o interesse recente no gu feng, inspirado na história e na música tradicional chinesa, disse a diretora operacional Candy Huang. “Ela pode ter 15 anos para sempre, mas temos que atualizá-la para atender às mudanças no gosto do consumidor”, disse a executiva.

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