Casual

Bem-estar guia escolha de destinos turísticos

Práticas voltadas à saúde física e mental deixaram de ser bônus das viagens e se tornaram objetivo central delas

 (Barcroft Media/Getty Images)

(Barcroft Media/Getty Images)

Marina Semensato
Marina Semensato

Colaboradora

Publicado em 18 de março de 2026 às 09h31.

Tudo sobreBem-estar
Saiba mais

O que você costuma considerar ao escolher o destino das férias? Algumas pessoas começam pelo destino e atrações turísticas, enquanto outras se atentam à praticidade ou aproveitam para curtir a cidade em que vivem. Mas existe um grupo cada vez maior de pessoas que, antes de mais nada, consideram o bem-estar  para escolher como os dias de folga serão aproveitados.

Para esse público, a viagem de férias deixou de ser só uma pausa na rotina. Em vez de escolher o destino apenas para descansar ou "desligar", o objetivo agora é cuidar da saúde e voltar para casa melhor do que antes — com menos estresse e, de preferência, com hábitos que possam se manter depois da viagem.

Se antes o autocuidado era um mero detalhe da viagem, agora ele passou a orientar a escolha do destino. Segundo dados da consultoria The Business Research Company, o mercado global de turismo de bem-estar deve atingir cerca de US$ 1,067 trilhão em 2026, acima dos US$ 974 bilhões estimados para 2025. As projeções indicam que o setor pode chegar a US$ 1,5 trilhão até 2030, alcançando cerca de 20% dos gastos globais com viagens.

Um mercado dividido

Bem-estar é um conceito amplo, visto que as pessoas têm visões diferentes do que as faz se sentirem bem. É por isso que o turismo voltado para esse nicho se divide em duas vertentes distintas: uma inclui os programas sofisticados voltados para a longevidade, com exames, protocolos personalizados e tecnologia médica, enquanto a outra abrange as experiências mais simples e acessíveis, ligadas à natureza ou a culturas tradicionais.

É o que afirma Beth McGroarty, vice-presidente de pesquisa do Global Wellness Institute, ao New York Times: "nunca houve um mercado tão polarizado em termos de custos e objetivos".

Isso ajuda a explicar por que experiências simples continuam atraindo viajantes. Em Akureyri, na Islândia, por exemplo, é possível pagar cerca de US$ 11 para acessar piscinas geotérmicas públicas usadas pelos moradores locais. O país tem cerca de 120 piscinas desse tipo, que fazem parte da cultura cotidiana.

Bem-estar com um toque de luxo

O turismo de bem-estar vai muito além de spas tradicionais e retiros, embora esse tipo de experiência continue forte — e muitas vezes ligado ao luxo. Em um retiro de longevidade no hotel Proper, em Santa Monica, por exemplo, participantes fazem exames de sangue antes da viagem para receber orientações médicas durante a estadia. A programação incluiu consultas e sessões de bem-estar voltadas à longevidade.

Esse tipo de experiência faz parte da vertente mais high-tech do setor. Outros exemplos incluem os hotéis que investem em quartos com aromaterapia ou equipamentos de treino, os spas que passaram a oferecer tratamentos sem contato — no Royal Palms Resort and Spa, em Phoenix, por exemplo, uma "massagem de água seca" custa cerca de US$ 50. O cliente se deita sobre um colchão de água que aplica pressão nas costas e nos ombros.

Robôs de massagem também são novidade, como os da empresa Aescape, que permitem ajustar pressão e técnica da sessão. Academias da rede Equinox, nos Estados Unidos, oferecem esse tratamento por cerca de US$ 60.

Outra tendência são os spas nórdicos, que alternam calor e frio com saunas, mergulhos em água gelada e áreas ao ar livre. No Nordik Spa-Nature, em Quebec, o circuito termal custa cerca de US$ 72.

Bem-estar além do spa

Nem todo turismo de bem-estar precisa ser caro. A maioria das experiências mais populares hoje é simples e, às vezes, até gratuita. Aulas públicas de ioga, caminhadas e atividades ao ar livre passaram a fazer parte da oferta de várias cidades, como as sessões de ioga abertas ao público em lugares como Auckland e Zurique.

Entram na lista as práticas ligadas à água, como fontes termais naturais. Nos Estados Unidos, o Hot Springs State Park, em Wyoming, oferece acesso gratuito a algumas piscinas naturais. Em Montana, as Quinn’s Hot Springs cobram cerca de US$ 20 pela entrada diária. No Brasil, há a região de Caldas Novas e Rio Quente, em Goiás.

As saunas também voltaram com tudo, dados seus benefícios associados à redução da pressão arterial. Em Reno, Nevada, por exemplo, um clube local cobra cerca de US$ 25 pela entrada. No Brasil, o Jardim Botânico de Brasília possui uma sauna finlandesa gratuita, aberta ao público.

O contato direto com a natureza é outra tendência do setor. O chamado banho de floresta, inspirado na prática japonesa shinrin-yoku, consiste em caminhadas lentas em áreas verdes com foco na atenção plena. Estudos associam a atividade à melhora da saúde mental.

Áreas de conservação e jardins botânicos passaram a oferecer experiências guiadas desse tipo. No Chattahoochee Nature Center, na Geórgia, sessões meditativas na floresta custam cerca de US$ 35.

E no Brasil?

O turismo de bem-estar também ganha espaço no Brasil. No município de Penedo, no Rio de Janeiro, o Rituaali Clínica Spa ocupa uma área de 155 mil metros quadrados dentro do Parque Nacional de Itatiaia. Inspirado na tradição finlandesa da região, o centro trabalha com a chamada medicina do estilo de vida. Os programas incluem avaliação médica, orientação nutricional e atividades para a saúde mental.

Outro exemplo é o Kurotel, em Gramado, referência em medicina preventiva no país. Fundado em 1982, o centro já recebeu mais de 45 mil clientes. A marca abriu sua unidade em São Paulo em 2026, com terapias voltadas à longevidade e qualidade de vida, além de tecnologias como sauna de infravermelho e banheiras de microbolhas.

Acompanhe tudo sobre:TurismoViagensBem-estarexame.core

Mais de Casual

Olhar criativo: a cofundadora da GoldKo e sua rara coleção de 3 mil óculos

Oscar 2026: veja onde assistir aos filmes vencedores no streaming

A mulher à frente da gigante dos vinhos orgânicos

Identidade de Bansky pode ter sido descoberta