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Aprenda a transformar os sonhos em realidade

O devaneio tem fortes laços com a realidade e ajuda a desvendar desejos profundos. Veja então como converter os sonhos em ideias concretas

"Sonhar pouco significa aferrar-se às coisas como elas são e não como podem vir a ser" - Dulce Critelli, filósofa (marcos_bh/SXC.HU)
DR

Da Redação

Publicado em 3 de junho de 2013 às 12h38.

São Paulo - Criança costuma ter medo do escuro, nunca da imaginação. Os adultos, ao contrário, preferem andar com os pés colados no asfalto. A realidade, para ser compreendida, necessita de lógica. Assim supõe a maioria. No entanto, o devaneio nos arrebata a qualquer hora, sem permissão. Não é opcional, seja qual for a faixa etária.

"Na medida em que não temos acesso à realidade em si, nós a construímos, aprendemos a decodificá-la, adquirimos filtros para entendê-la. Um deles é a fantasia", afirma o psicanalista gaúcho Mário Corso, coautor de A Psicanálise na Terra do Nunca (Penso) e Fadas no Divã (Artmed), ambos escritos em parceria com a psicanalista Diana L. Corso. "Esse é o modo de operar dos seres humanos. Sempre funcionou dessa forma", diz.

Por que, então, subestimamos tal impulso, responsável por ampliar nosso imaginário e aguçar a percepção do mundo? "A maioria das pessoas entende o real como algo objetivo. Como o ato de fantasiar é de natureza oposta, passa a ser considerado ruim ou menor", afirma Corso. Eis a origem do desprezo que acompanha frases do tipo: "Fulana vive no mundo da lua", "ciclano não cresceu".

O curioso é que, mesmo depreciando a abstração, cedemos, inúmeras vezes ao dia, ao desejo de ruminar possibilidades, vislumbrar o que gostaríamos de encontrar no porvir. "Estamos sempre com um pé na ficção", diz o psicanalista.

Apesar de parecer uma ausência momentânea - já que estamos a léguas de distância da Terra -, o devaneio não tem uma única faceta. A filósofa e terapeuta existencial Dulce Critelli, coordenadora do Existentia - Centro de Orientação e Estudos da Condição Humana, em São Paulo -, identifica pelo menos três: a primeira é a fantasia como algo tangível, extensão do desejo; a segunda, especulações sem contato com a realidade; por fim, os sonhos, "projetos que nos lançam adiante e nos convocam a agir."


Sob essa perspectiva, o sonho nasce da fantasia, mas evapora sem o amparo de atitudes concretas que levem a sua realização.

Desanuviar é preciso

Se deixarmos a fantasia falar por si mesma, iremos nos surpreender com suas mensagens. "Ela nos fornece dicas extraordinárias sobre o que nos satisfaz, apavora, estimula", diz Corso. Em outras palavras, o devaneio esconde pistas que precisam ser decifradas para que possamos viver com mais plenitude.

Por exemplo: alguém sonha em morar no campo. Na prática, afirma Dulce, essa fantasia embute uma série de confortos que a pessoa gostaria de desfrutar na cidade, como menos barulho e menos tempo perdido no trânsito, mais aconchego, mais introspecção. "Muitas vezes, podemos providenciar no momento presente condições até então restritas ao devaneio", afirma a filósofa.

Mas como permitir que a mente voe para longe se não pararmos para descansar os olhos diante da paisagem ou mesmo fechá-los por alguns minutos? Eis a cilada da modernidade. Um turbilhão de estímulos, muitos deles descartáveis, nos invade sem pedir licença e, por sorte, encontram nossa complacência.

Resultado: acabamos preterindo imagens e experiências que realmente nos sensibilizam, como, por exemplo, passar a tarde de domingo na rede. "O tempo ocioso, em geral, é fantasioso. É quando nos lembramos de coisas, sonhamos com outras, nos arrependemos, nos perdoamos", diz Corso.

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São Paulo - Criança costuma ter medo do escuro, nunca da imaginação. Os adultos, ao contrário, preferem andar com os pés colados no asfalto. A realidade, para ser compreendida, necessita de lógica. Assim supõe a maioria. No entanto, o devaneio nos arrebata a qualquer hora, sem permissão. Não é opcional, seja qual for a faixa etária.

"Na medida em que não temos acesso à realidade em si, nós a construímos, aprendemos a decodificá-la, adquirimos filtros para entendê-la. Um deles é a fantasia", afirma o psicanalista gaúcho Mário Corso, coautor de A Psicanálise na Terra do Nunca (Penso) e Fadas no Divã (Artmed), ambos escritos em parceria com a psicanalista Diana L. Corso. "Esse é o modo de operar dos seres humanos. Sempre funcionou dessa forma", diz.

Por que, então, subestimamos tal impulso, responsável por ampliar nosso imaginário e aguçar a percepção do mundo? "A maioria das pessoas entende o real como algo objetivo. Como o ato de fantasiar é de natureza oposta, passa a ser considerado ruim ou menor", afirma Corso. Eis a origem do desprezo que acompanha frases do tipo: "Fulana vive no mundo da lua", "ciclano não cresceu".

O curioso é que, mesmo depreciando a abstração, cedemos, inúmeras vezes ao dia, ao desejo de ruminar possibilidades, vislumbrar o que gostaríamos de encontrar no porvir. "Estamos sempre com um pé na ficção", diz o psicanalista.

Apesar de parecer uma ausência momentânea - já que estamos a léguas de distância da Terra -, o devaneio não tem uma única faceta. A filósofa e terapeuta existencial Dulce Critelli, coordenadora do Existentia - Centro de Orientação e Estudos da Condição Humana, em São Paulo -, identifica pelo menos três: a primeira é a fantasia como algo tangível, extensão do desejo; a segunda, especulações sem contato com a realidade; por fim, os sonhos, "projetos que nos lançam adiante e nos convocam a agir."


Sob essa perspectiva, o sonho nasce da fantasia, mas evapora sem o amparo de atitudes concretas que levem a sua realização.

Desanuviar é preciso

Se deixarmos a fantasia falar por si mesma, iremos nos surpreender com suas mensagens. "Ela nos fornece dicas extraordinárias sobre o que nos satisfaz, apavora, estimula", diz Corso. Em outras palavras, o devaneio esconde pistas que precisam ser decifradas para que possamos viver com mais plenitude.

Por exemplo: alguém sonha em morar no campo. Na prática, afirma Dulce, essa fantasia embute uma série de confortos que a pessoa gostaria de desfrutar na cidade, como menos barulho e menos tempo perdido no trânsito, mais aconchego, mais introspecção. "Muitas vezes, podemos providenciar no momento presente condições até então restritas ao devaneio", afirma a filósofa.

Mas como permitir que a mente voe para longe se não pararmos para descansar os olhos diante da paisagem ou mesmo fechá-los por alguns minutos? Eis a cilada da modernidade. Um turbilhão de estímulos, muitos deles descartáveis, nos invade sem pedir licença e, por sorte, encontram nossa complacência.

Resultado: acabamos preterindo imagens e experiências que realmente nos sensibilizam, como, por exemplo, passar a tarde de domingo na rede. "O tempo ocioso, em geral, é fantasioso. É quando nos lembramos de coisas, sonhamos com outras, nos arrependemos, nos perdoamos", diz Corso.

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