Matcha: o que se sabe até o momento sobre a bebida "queridinha" cotada para substituir o café (Anna Blazhuk/Getty Images)
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Publicado em 22 de março de 2026 às 09h17.
O matchá saiu de um ritual tradicional japonês para virar um dos itens mais desejados entre entusiastas do bem-estar, especialmente nos Estados Unidos. A bebida aparece com frequência em vídeos de influenciadoras e registrou alta de 77% nas vendas no varejo americano nos últimos três anos, segundo a consultoria NIQ.
O sucesso está nos supostos benefícios que vão além da estética: menos estresse, mais foco e mais disposição. Neste último tópico, o matchá tem sido comparado ao café e, por vezes, sai ganhando como uma fonte de energia "equilibrada", que não teria tantos efeitos colaterais. Mas será que isso é verdade?
O matchá é um tipo de chá verde em pó, produzido a partir de folhas cultivadas à sombra semanas antes da colheita. Esse processo aumenta a concentração de antioxidantes e aminoácidos, segundo informações do New York Times. Além disso, apesar do nome parecido, não é a erva-mate que os sulistas usam no chimarrão.
Diferente do chá tradicional, que é infusionado, o matchá é dissolvido diretamente na água quente, o que deixa a bebida e seus nutrientes mais concentrados.
Parte do hype vem de compostos como a L-teanina, um aminoácido associado à redução do estresse e ao aumento da concentração quando combinado com cafeína. Outro destaque é a epigalocatequina galato (EGCG), uma catequina com propriedades antioxidantes associada a efeitos calmantes.
A questão é que a maior parte dos estudos sobre esses compostos foi feita de forma isolada, em suplementos ou em doses mais altas do que as encontradas no matchá comum. Quando pesquisadores analisam a bebida em si, os resultados são mais fracos.
Em um estudo com 39 universitários, o consumo de matchá foi associado a uma leve redução da ansiedade, mas não do estresse. Em outro, com 19 participantes, não houve diferença no humor entre quem consumiu matchá e quem tomou placebo.
É aqui que entra o principal argumento das redes sociais: o de que o matchá oferece um estado de "alerta calmo", sem os efeitos colaterais do café.
Isso pode estar relacionado à quantidade de cafeína. Uma xícara de café coado (240 ml) tem cerca de 100 mg da substância. Já o matchá pode variar bastante, mas uma porção típica (com uma colher de chá do pó) entrega entre 38 e 88 mg, segundo o Departamento de Agricultura dos EUA.
Para alguns especialistas, como a Dra. Marilyn Cornellis, professora associada de nutrição da Northwestern Medicine, essa dose intermediária pode ser suficiente para dar energia sem provocar efeitos colaterais como ansiedade ou insônia, o que explica essa percepção dos consumidores, explicou ao New York Times.
No entanto, ainda não existem provas de que a cafeína do matchá seja absorvida mais lentamente ou tenha um efeito prolongado diferente do café.
Para algumas pessoas, sim — sobretudo para quem busca reduzir a ingestão de cafeína ou evitar efeitos como nervosismo. Mas isso não significa que o matchá seja automaticamente melhor, visto que cada organismo vai reagir de uma maneira.
Além disso, há um detalhe que costuma passar despercebido: muitas bebidas populares à base de matchá vêm carregadas de açúcar, alertou Lena Beal, nutricionista cardiovascular do Hospital Piedmont Atlanta, ao NYT.
A recomendação é testar e observar como o corpo reage. Se der tudo certo e quiser incluir o matchá na rotina, é importante priorizar preparações mais simples — com o pó puro e sem adição de xaropes ou adoçantes — para garantir todos os seus benefícios.