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Você pode usar Design Thinking para conseguir emprego. Veja como

O modelo usado por designers para buscar soluções criativas pode ajudar a tomar decisões inovadoras na sua carreira

Guerra de arte em post-it entre escritórios em Nova York, dia 24/05/2018 (Getty Images)

Luísa Granato

Publicado em 28 de agosto de 2018 às 14h50.

Última atualização em 28 de agosto de 2018 às 16h02.

São Paulo – Para quem relaciona Design Thinking com uma parede cheia de post-its coloridos e o cotidiano de startups , o conceito pode parecer muito mais distante e complexo do que realmente é.

Na verdade, o processo emprestado do mundo do design pode ser usado por qualquer um e para múltiplos propósitos, dentro ou fora de empresas. E até mesmo para tomar decisões pessoais, como auxiliar na evolução da sua carreira.

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Aline Tosini, consultora de treinamento da Learning Tribes no Brasil, conta que o modelo é usado nos treinamentos da empresa e consiste em assumir o papel de pensar como um designer , possuindo uma inquietação na hora de abordar problemas.

“Por ser tirado do design, omodelo tem uma associação com a estética. Você precisa de criatividade e vontade de encontrar múltiplas soluções, sem parar na primeira sugestão que encontra, mas tentando alcançar caminhos superiores”, explica ela.

João Marcelo Furlan, fundador da Enora Leaders, resume o método do Design Thinking a três etapas essenciais: entender a questão, criar ideias e entregar um protótipo.

Aplicado no processo de busca de emprego e oportunidades, ele pode agilizar e melhorar as opções do profissional, além de prepará-lo para as constantes mudanças do mercado e do mundo.

Os dois especialistas concordam que a abordagem focada em inovação pode ajudar a elaborar possibilidades para a carreira até para cargos que ainda não existem. Furlan lembra que cargos como analista de mídias sociais ou analista de sucesso do cliente não existiam há 10 anos.

Se você busca ou quer mudar de emprego, confira os passos estruturados de acordo com o modelo dos designers:

1º - Entender

Essa fase terá duas etapas: empatizar e investigar. O objetivo é se colocar no lugar de quem abriu a vaga e busca entender o que ela quer com essa contratação.

As ferramentas aqui serão a curiosidade e pesquisa para entender a fundo o contexto de cada área específica e o que será exigido de um candidato. É a hora de fazer muitas perguntas: com quem o possível chefe gostaria de trabalhar? Ele precisa de alguém para resolver qual problema? O que aparece sobre a situação da empresa nas notícias?

Ao coletar e analisar o máximo de dados, será possível seguir para a fase de criação com a capacidade de buscar múltiplas soluções ainda embasadas na realidade.

Furlan defende que a capacidade de empatia deve se tornar a mais cobiçada entre profissionais nesta década.

Para entender melhor o Design Thinking, parte do primeiro passo seria empatizar com esse profissional. Aline Tosini recomenda a série Abstract, da Netflix , que mostra o processo de trabalho de figuras consagradas em diversas áreas criativas, como ilustração, cenografia e arquitetura.

2º - Criar

Chega a hora da criação! Na hora de usar o modelo para pensar um produto, como fazem as startups, toda a pesquisa até agora teria definido um problema e agora eles iriam idealizar possíveis soluções.

Na busca de emprego, o profissional precisa se colocar como solução para a vaga que almeja, gerando ideias a partir das experiências e competências que tem para oferecer.

“É preciso olhar para você antes de chegar na entrevista. Assim, estará pronto e afiado com vários exemplos de formas que atuou antes para obter resultados”, explica Furlan.

Esse pensamento profundo sobre si mesmo pode até se desdobrar em novos caminhos a seguir na carreira.

“Pensar fora da caixa virou uma expressão clichê, mas é o que fazemos aqui. Quando você explora novas soluções, indo além do óbvio, vai dando impulso para tomar uma decisão ou compreender novas possibilidades dentro do mercado”, diz a consultora da Learning Tribes.

3º - Prototipar

Com todo esse preparo, ainda é necessário testar seu produto. Mesmo pensando em todas as possibilidade e necessidades de quem busca contratar, a realidade pode trazer inúmeras novas variáveis ao jogo.

O teste pode ser feito com colegas e parentes, que precisam dar um parecer imparcial sobre sua performance. Durante as entrevistas, é importante observar o feedback que o entrevistador dá com seu comportamento e reações ao que fala.

Dependendo de como seu protótipo (suas histórias e como as apresenta) é recebido, ele pode ser aprimorado. Fazendo bem o passo anterior, não vão faltar táticas e abordagens novas para a entrevista.

Tudo pronto?

Um dos princípios do Design Thinking é entregar rapidamente um protótipo - não um produto final.

A ideia é testar e aprimorar sempre, repetindo o ciclo de pesquisa e compreensão dos dados coletados, entendendo outras necessidades e tornando-o mais complexo e completo com o tempo.

O mesmo deve acontecer com sua carreira. “Esse é um processo utilizado para a inovação, para observar e entender o que está acontecendo à nossa volta. Não fique na zona de conforto da sua carreira ou no que planejou anos atrás”, diz Furlan.

Assim, o modelo pode continuar sendo aplicado mesmo após a conquista da vaga almejada, seja para crescer dentro da empresa, complementar sua formação ou planejar a carreira em longo prazo.

“Acho valiosíssimo ter o pensamento de um designer para qualquer âmbito da vida, buscando formas novas de resolver problemas. Esse comportamento atende às demandas do mundo instável e cheio de mudanças em que vivemos”, diz Aline Tosini.

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