default (Fernando Alves)
Redatora
Publicado em 5 de agosto de 2026 às 18h00.
Última atualização em 5 de agosto de 2026 às 18h12.
A disputa pelo vestibular tradicional deixou de ser o único caminho para entrar em uma universidade pública no Brasil.
Cada vez mais instituições como USP, Unesp e Unicamp reservam vagas para estudantes medalhistas em olimpíadas científicas, uma porta de entrada baseada em mérito acumulado ao longo da educação básica, não em uma única prova.
No Colégio Núcleo, em Pernambuco, esse caminho já é rotina. Em 2026, 206 dos 240 concluintes da 3ª série do Ensino Médio foram aprovados na USP, Unesp ou Univamp sem prestar vestibular, aproveitando medalhas conquistadas em olimpíadas do conhecimento e as chamadas Vagas Olímpicas.
O resultado não é pontual. A escola descreve um programa permanente de preparação para olimpíadas científicas, com professores especializados e treinamento contínuo, aberto a qualquer estudante interessado, não apenas a quem já demonstra facilidade.
"Um aluno que demonstra interesse por uma olimpíada de Matemática, História ou Astronomia pode até não conquistar uma medalha, mas o simples desejo de enfrentar um desafio acadêmico já representa um enorme ganho para a sua formação", diz Gilton Lyra Vasconcellos, diretor do Colégio Núcleo.
Segundo o professor, essas competições, que vão da Mostra Brasileira de Foguetes a olimpíadas de conhecimento tradicionais, desenvolvem autonomia e persistência antes mesmo de qualquer medalha aparecer. O Núcleo soma centenas de medalhas nacionais por ano e é a única escola do Brasil com medalha de ouro por oito anos consecutivos na ONHB da Univamp, além da maior premiação do país na 41ª Olimpíada de Matemática da Unicamp.
Gilton Lyra Vasconcellos, diretor do Colégio Núcleo. (Fernando Alves)
A escola rejeita a ideia de que métodos de ensino mais participativos disputam espaço com o desempenho em provas. Dezenas de disciplinas eletivas no contraturno dão ao estudante responsabilidade sobre a própria trajetória, mas a preparação para exames continua treinada de forma específica, com simulados e gestão de tempo.
"A escola deixa de ser apenas um lugar onde se precisa estar e passa a ser um lugar onde as pessoas querem estar", afirma Rafael Freire, professor do colégio.
No ENEM, o Núcleo registra uma das maiores médias do Brasil e a maior média geral de Pernambuco, com 100% dos alunos inscritos no exame.
O ensino de inglês segue metodologia CLIL, com certificação Cambridge, e funciona como ferramenta de uso, não como disciplina isolada.
Em 2026, um estudante do Núcleo foi eleito Best Delegate no Comitê de Segurança de uma simulação da ONU realizada na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, premiação inédita para uma escola brasileira ainda na educação básica.
A instituição também é a primeira escola particular de Pernambuco com Ensino Fundamental e Médio associada à UNESCO, o que integra ao currículo temas como cidadania global, sustentabilidade e pensamento crítico.
Para a escola, o resultado é consequência de uma escolha antiga: não repetir o modelo tradicional de ensino, mesmo quando isso significava resistência.
"O maior risco foi escolher não fazer o que todo mundo fazia. É muito mais confortável repetir modelos tradicionais do que construir uma identidade própria", dizem os professores.
Hoje, ex-alunos do Núcleo cursam Medicina em universidades brasileiras e estrangeiras e seguem carreiras científicas, jurídicas e empreendedoras. Para a escola, o critério de sucesso vai além do nome da universidade: é a capacidade de cada um construir uma trajetória própria de impacto.