Carreira

Programa de liderança leva brasileiras aos EUA para aprender com as ‘love brands’

Grupo de empresárias e executivas do Brasil irão participar da imersão 'Salto Mais Alto' para aprender sobre comunicação, posicionamento e influência com grandes empresas americanas como LinkedIn, Starbucks e Tiffany

Times Square, NY: a cidade, conhecida por ser o centro financeiro do mundo, vai receber mulheres brasileiras para aprender sobre posicionamento de uma líder (Leandro Fonseca/Exame)

Times Square, NY: a cidade, conhecida por ser o centro financeiro do mundo, vai receber mulheres brasileiras para aprender sobre posicionamento de uma líder (Leandro Fonseca/Exame)

Publicado em 19 de setembro de 2026 às 16h16.

Última atualização em 19 de setembro de 2026 às 16h27.

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Vinte empresárias, executivas e líderes brasileiras vão trocar o escritório por Nova York durante seis dias para discutir um desafio que aparece à medida que a carreira avança: como transformar experiência e resultados em influência, reputação e posicionamento profissional?

Entre os dias 27 de setembro e 2 de outubro, o grupo participará da imersão “Salto Mais Alto” voltada ao desenvolvimento da liderança feminina nos Estados Unidos. A programação prevê atividades relacionadas a comunicação, posicionamento, reputação, influência e coerência.

A viagem faz parte de uma edição especial do Programa Salto Alto, criado em 2023, em Orlando, pela jornalista e empresária Tatiana Marzullo, que atua há 27 anos no mercado de comunicação.

A agenda divulgada pela organização inclui experiências no Starbucks Reserve Roastery e na Tiffany, visita ao LIM College, passagem pelo LinkedIn e um workshop relacionado à Broadway voltado à comunicação e à voz.

Também está previsto um encontro em White Plains, no estado de Nova York, com brasileiras que construíram suas carreiras nos Estados Unidos.

A proposta é discutir competências que vão além do conhecimento técnico e da capacidade de entregar resultados, e que ganham espaço conforme profissionais passam a ocupar posições de maior exposição.

“Existe uma diferença entre ser boa no que faz e ser reconhecida pelo impacto que gera. Existe também uma diferença entre ter voz e se sentir autorizada a usá-la”, afirma Marzullo.

Tatiana Marzullo, empresária e fundadora do Programa Salto Alto: “Existe uma diferença entre ter voz e se sentir autorizada a usá-la” (Tatiana Marzullo/Divulgação)

Da competência técnica ao posicionamento

O programa foi estruturado a partir de cinco temas: comunicação, posicionamento, reputação, influência e coerência.

Na comunicação, a discussão passa por voz, presença e capacidade de transmitir uma mensagem com clareza. Já o posicionamento está relacionado à maneira como a profissional ocupa espaços e sustenta sua identidade diante de colegas, equipes e do mercado.

A reputação será trabalhada como um ativo construído ao longo da trajetória profissional, a partir de entregas, comportamentos e relacionamentos.

Já a influência será discutida para além do cargo ocupado. A ideia é abordar como uma liderança pode mobilizar pessoas e ampliar o alcance de suas ideias mesmo sem recorrer à autoridade formal.

“A mulher pode ter competência, resultado, experiência e uma história extraordinária, mas ainda assim não ocupar o espaço que poderia ocupar. Muitas vezes, não é falta de capacidade”, diz Marzullo.

Segundo a empresária, questões como medo da exposição, insegurança para se posicionar, dificuldade de receber feedback e a sensação de não estar preparada podem interferir na maneira como profissionais se apresentam e comunicam suas realizações.

Veja também: A magia da boa gestão: entenda como a Disney e outras gigantes dos EUA estão moldando novas líderes

Por que Nova York?

A escolha de Nova York não ocorreu apenas pelo peso da cidade no mundo dos negócios. O objetivo, segundo Marzullo, é usar empresas, instituições e experiências locais como pontos de partida para discutir diferentes aspectos da liderança.

No LinkedIn, por exemplo, a proposta é abordar reputação, posicionamento e influência no ambiente profissional. No LIM College, instituição de ensino voltada aos negócios da moda, as participantes terão contato com outro ambiente de formação e mercado.

“A gente não vai a Nova York apenas para conhecer lugares. Cada experiência foi escolhida para provocar uma pergunta: o que isso me ensina sobre a minha liderança? O que eu posso levar daqui para a minha empresa, para minha carreira e para minha vida?”, afirma.

Veja também: ‘Esses são os 3 motivos que fazem brasileiros mudar de emprego’, diz executivo do LinkedIn

Programa começou com uma experiência na Disney

O Salto Alto foi lançado em 2023, mas Marzullo relaciona a origem da iniciativa a uma experiência que teve quase uma década antes.

Em 2014, ela participou de uma imersão na Disney e passou a observar temas como cultura organizacional, atendimento, propósito e experiência. A partir desse contato, começou a desenvolver a ideia de levar discussões semelhantes para outras lideranças.

A primeira imersão internacional do programa aconteceu em Orlando, em 2024.

As duas cidades, porém, passaram a ter objetivos diferentes dentro do projeto. Enquanto a experiência de Orlando concentra-se em identidade, valores, propósito e autenticidade, Nova York foi escolhida para trabalhar a maneira como essas características são comunicadas e percebidas externamente.

“Orlando nasceu para falar de essência. Antes de liderar, precisamos saber quem somos, quais são nossos valores, qual é o nosso propósito e o que queremos construir. Nova York nos convida a dar o próximo passo: como essa essência chega ao mundo?”, diz Marzullo.

O programa já tem outra viagem prevista para 2026. Entre 1º e 6 de novembro, 30 mulheres devem participar de uma nova edição em Orlando.

Conexões depois da viagem

Além do conteúdo, a edição de Nova York pretende aproximar mulheres em diferentes momentos de suas trajetórias profissionais.

A expectativa é que a rede formada durante os seis dias permaneça ativa depois do retorno ao Brasil, com troca de experiências e contatos entre empresárias e executivas.

Para Marzullo, o desenvolvimento de uma liderança não passa apenas pela capacidade de chegar a cargos mais altos, mas também por aprender a comunicar o impacto gerado ao longo da carreira.

“Eu acredito em liderança que não termina quando o evento termina. O conteúdo precisa gerar consciência, a experiência precisa gerar transformação e a conexão precisa continuar produzindo oportunidades, aprendizados e apoio”, afirma.

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