Por que a palavra “mas” pode tornar sua frase mais impactante

Na Língua Portuguesa, as oposições estão em dois tipos de orações: as adversativas (ligadas por "mas", por exemplo) e as concessivas (com uso de "embora")

Em dias ainda tão nebulosos, com tantas impensadas declarações políticas, os conectivos vão muito além de Gramática:

“Abominamos a tortura, mas naquele momento vivíamos na Guerra Fria.”

Na Língua Portuguesa, as oposições são representadas por dois tipos de orações: as adversativas e as concessivas.

Sob o ponto de vista sintático, as adversativas são ligadas – de maneira habitual – pelos conectivos “mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto”.

Refletindo sobre a Semântica (sentido da expressão), as estruturas adversativas apresentam oposição acentuada, garantindo à oração conectada por “mas” e seus semelhantes maior destaque:

“Ele argumenta bem, mas é agressivo.”

“Ele fala pouco, mas é convincente.”

“A tortura é abominável, mas vivíamos na guerra.”

Já as orações adverbiais concessivas, além de serem subordinadas, são ligadas – de maneira habitual – pelos conectivos “apesar de que, embora, mesmo que, posto que, ainda que” e outros. É também presença constante o subjuntivo verbal.

Sob a ótica do discurso e da argumentação, uma oração subordinada adverbial concessiva tem oposição menos acentuada em relação às coordenadas adversativas:

“Embora seja agressivo, ele argumenta bem.”

“Apesar de ser convincente, ele fala pouco.”

Caso fosse a intenção de quem argumenta, a mudança de adversativa para concessiva garantiria mais suavidade ao discurso e, consequentemente, mais elegância:

“Mesmo que se viva uma guerra fria, abominamos a tortura.”

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Diogo Arrais
http://www.ARRAISCURSOS.com.br
YouTube: MesmaLíngua
Professor de Língua Portuguesa
Fundador do ARRAIS CURSOS

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