Malala, Bial e Obama, como diferentes estilos de discurso podem emocionar, persuadir e mobilizar milhões de pessoas ao redor do mundo
Estagiária
Publicado em 14 de maio de 2026 às 06h00.
Malala, Bial e Obama, apesar de serem figuras reconhecidas por motivos distintos, compartilham da capacidade de mobilizar multidões, alterar percepções e marcar épocas, através da construção de discursos.
Seja no entretenimento, na política ou no ativismo, são figuras que utilizam das ferramentas narrativas para transmitir uma mensagem de maneira que gere impacto em seu público. Além disso, cada um faz isso de uma maneira pessoal e adaptada para alcançar o resultado desejado.
Ao analisar os discursos de Barack Obama, é possível notar ferramentas da retórica, a técnica de Aristóteles para convencer ou influenciar pessoas.
Obama utiliza pausas estratégicas e ritmo de fala semelhante ao de pregadores tradicionais, o que gera a sensação de solenidade e importância ao que é dito.
Além do ritmo, o ex-presidente dos Estados Unidos estrutura as falas em torno de valores universais. Em vez de focar apenas em dados técnicos, a narrativa de Obama privilegia a inclusão.
O uso constante de frases curtas e repetitivas, conhecido como anáfora, como o slogan "Yes, we can" (Sim, nós podemos), serve para fixar a mensagem principal na memória dos ouvintes.
Narrativas autênticas têm o poder de informar, emocionar e mobilizar pessoasPedro Bial marcou as eliminações do programa Big Brother Brasil com seus discursos. Seus pronunciamentos traziam um estilo mais poético e sentimental, para criar uma conexão com os participantes e os espectadores.
Seus textos são repletos de metáforas, que são comparações implícitas para explicar sentimentos complexos. Ao transformar uma eliminação de um jogo em uma lição de vida ou em um conto existencial, o comunicador transforma o entretenimento trazendo uma profundidade intelectual que mantém a atenção do público.
Malala Yousafzai baseia a força de seu discurso no ethos, um termo da filosofia que se refere à credibilidade e ao caráter de quem fala. Para a ativista, a autoridade não vem de um cargo político ou de uma carreira na mídia, mas de sua história de vida e resistência.
Seu discurso é caracterizado pela clareza e pela economia de palavras, evitando termos técnicos que possam distanciar a mensagem das pessoas comuns. A simplicidade em suas falas é uma escolha estratégica.
Ao tratar de temas complexos, como o direito à educação e direitos humanos em zonas de conflito, a ativista utiliza frases diretas e carregadas de verdade pessoal. O impacto de seu discurso não vem de figuras de linguagem rebuscadas, mas da autenticidade.
A capacidade de transformar ideias em discursos que mobilizem pessoas não é exclusiva de líderes políticos, ativistas ou comunicadores da televisão. Técnicas de narrativa, argumentação e construção de mensagem podem ser desenvolvidas e aplicadas em diferentes contextos profissionais e pessoais.
Com foco justamente nesse processo, o Na Prática oferece o curso gratuito Storytelling de Impacto, que aborda estratégias para estruturar narrativas mais claras, autênticas e persuasivas. A formação propõe exercícios e reflexões sobre como comunicar ideias de maneira capaz de gerar conexão e engajamento com diferentes públicos.