O mundo é das mulheres, e os homens não são ameaça para elas

A presença feminina já provocou muitas mudanças no mercado de trabalho. Mas há um fogo amigo a ser enfrentado

	De um ponto de vista histórico, o ingresso feminino nas empresas já modificou vários hábitos e costumes. 
 (Ted Aljibe/AFP)
De um ponto de vista histórico, o ingresso feminino nas empresas já modificou vários hábitos e costumes.  (Ted Aljibe/AFP)
Por Luiz Carlos CabreraPublicado em 28/05/2013 19:00 | Última atualização em 28/05/2013 19:00Tempo de Leitura: 3 min de leitura

São Paulo - A presença da mulher no mercado de trabalho já provocou uma revolução. Uma das maiores da sociedade após a Revolução Industrial. De um ponto de vista histórico, o ingresso feminino nas empresas já modificou vários hábitos e costumes.

A existência das comidas instantâneas e dos eletrodomésticos se deve ao interesse da indústria em atender a um tipo de família contemporânea em que a mãe não fica mais em casa cuidando do lar.

As plantas das empresas foram alteradas ao longo do tempo para a inclusão de banheiros femininos na proporção do número de funcionárias. Tudo isso parece muito natural hoje em dia, mas nem sempre foi assim.

Milhares de estudos já foram feitos sobre as dificuldades de integração das mulheres nas empresas. Muito se fala da competição entre homens e mulheres, mas minhas observações mostram que o principal obstáculo à integração das mulheres no mercado de trabalho é imposto pelas próprias mulheres.

Em primeiro lugar no ranking de forças constrangedoras do trabalho feminino aparecem as mulheres que não trabalham! São as amigas (da onça) que vivem a censurar as profissionais pelo tempo dedicado à empresa em detrimento da família.

Alguns exemplos desse constrangimento: "Como você tem coragem de deixar seu filho em casa com uma empregada?" ou "Vai viajar e ficar dois dias fora de casa? Você pode encontrar alguém em seu lugar!". 

Outra força contrária são mulheres que trabalham, mas ocupam diferentes níveis hierárquicos. Quando uma gerente tenta falar com seu chefe e tem de passar pela secretária, pode-se ver as faíscas de longe. Essa falta de solidariedade revela atritos ásperos, porém, sempre cercados de sutileza.

Os homens — pobre de nós! — não são ameaça ao crescimento da mulher. Os conflitos gerados por diferença de gêneros são de pequena proporção. Nós sabemos o nosso lugar! A sabedoria popular conta que na porta do paraíso o anjo Gabriel organizava as filas dos que pretendiam entrar no reino dos céus.

"De um lado", gritou Gabriel, "fiquem todos os homens nos quais as mulheres mandaram." Formou-se uma extensa fila. "Deste outro lado", ordenou o anjo, "fiquem os homens que mandavam em suas mulheres." Apenas um se apresentou.

Gabriel se aproximou e perguntou por que ele havia escolhido aquela fila. A resposta foi solene: "Minha mulher me mandou ficar aqui!". Realmente, o mundo é das mulheres.

Luiz Carlos Cabrera escreve sobre carreira. É professor da EAESP-FGV, diretor da AMROP Panelli e Motta Cabrera e membro do Advisory Board da AMROP International