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Networking não é LinkedIn: a lição que a presidente da EAF levou de um programa para conselheiras

No ABP-W, da Saint Paul, Gina Marques Duarte encontrou colegas com quem contar e um olhar mais crítico sobre o board

Gina Marques Duarte, presidente da EAF

Gina Marques Duarte, presidente da EAF

Publicado em 9 de outubro de 2026 às 15h04.

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Em um fim de semana de setembro, Gina Marques Duarte pediu indicação de alguém para preparar um jantar em sua casa. Recebeu várias e, dias depois, chegou mais uma, de uma colega do ABP-W, programa para conselheiras da Saint Paul: “Olha, eu vi que você pediu, tem mais essa aqui que eu acho que é legal”.

É com esse episódio, e não com uma aula, que a presidente da EAF explica o que trouxe da formação. “Não é aquela coisa fria de você ter o telefone de uma pessoa ou estar ligada com ela no LinkedIn. É o networking com que a gente pode contar”, diz.

Engenheira eletrônica, com mais de 30 anos em telecomunicações, infraestrutura e finanças, Gina preside desde janeiro de 2026 a EAF, Entidade Administradora da Faixa. 

A entidade executa projetos de infraestrutura digital como o Brasil Antenado, o Norte Conectado e a Rede Privativa do Governo Federal. No ABP-W, Advanced Boardroom Program for Women, ela encontrou uma rede de confiança e passou a olhar de forma mais crítica para o conselho da própria empresa.

A liderança que não vem pronta

A carreira de Gina passou por Telefônica, Brasil Telecom, Ambev e SAS Brasil. À engenharia, ela somou um MBA em Finanças pelo IBMEC. Em publicação no LinkedIn, resumiu o que se repetiu em cada etapa: estudo, relacionamento e confiança em si mesma.

Nenhum dos três, diz ela, resolve a liderança de antemão. “Independente de estudar, de ter relacionamento, a questão da liderança é um desafio em cada empresa”, diz. 

Gina cita as empresas de dono por onde passou como exemplo de contexto com dificuldades próprias. “Você vai para outro, obviamente vai com aquela bagagem, mas passa a ter outros desafios.”

O que a acompanhou nessas mudanças foi o foco no autoconhecimento e no que chama de “não pressa”. “A gente vive com pressa hoje em dia e acaba não tendo esse tempo de observar, de compor melhor aquilo que a gente está observando”, fala.

O que não aparece na obra

Nos projetos da EAF, Gina aponta decisões que o público de fora raramente enxerga. No Brasil Antenado, que instalou antenas parabólicas em cidades com sinal analógico, os resíduos das antenas tiveram destinação correta. A EAF fechou acordos com cooperativas locais e enviou para a Europa as partes com metais raros. Também treinou catadores na coleta de resíduo digital, que tem mais valor e rende receita maior para eles.

Na Amazônia, levar internet e computadores não bastava. “A maioria das pessoas naquela região não sabe usar o computador, não sabe usar o celular”, diz. Por isso, a EAF criou um programa de letramento digital com as comunidades.

Já a Rede Privativa instalou anéis ópticos pelo país, que serão criptografados e formarão uma rede do governo federal. “Isso fala um pouco de soberania”, afirma.

Gina Marques Duarte, presidente da EAF

De Amsterdã a Shenzhen

A agenda internacional recente de Gina tem um alvo: a TV 3.0, nova geração da TV aberta. Além de transmitir sinal, ela recebe interação do público e permite usar aplicativos do governo, como o do INSS, pela televisão.

A tecnologia, segundo ela, está hoje quase 100% baseada na China. Em um evento nos Estados Unidos, não encontrou nenhum fornecedor, porque os chineses deixaram de ir a esse tipo de evento americano. Foi então a Amsterdã para encontrá-los e, depois, à China.

Lá, viu também cabos subaquáticos mais resistentes, que podem ser usados em trechos de rio com rocha. Conheceu ainda soluções de internet para áreas remotas mais baratas que o satélite usado em muitas regiões da Amazônia. “Às vezes a gente fica tão perdido no dia a dia que não olha essas coisas e acaba tomando decisão errada, porque pensa que aquela é a tecnologia existente e não é mais”, diz.

Um curso maior que a sala de conselho

Gina ainda não ocupa assento em conselhos e diz que talvez comece a buscar uma posição no ano que vem. O efeito do ABP-W, porém, já aparece na rotina de presidente.

"O ABP-W me fez ter uma visão mais crítica do conselho que eu tenho na empresa. Às vezes o conselheiro tem uma posição que eu não acho adequada, e isso veio do que eu estudei"Gina Marques Duarte, presidente da EAF

No módulo internacional, em Londres, mudou uma convicção. Na época, cursava um mestrado em gestão de políticas públicas na FGV e se dizia “apaixonada pelo modelo político da França”. Lá, discutiu as práticas de governança surgidas na Inglaterra e os modelos de parceria público-privada. Concluiu que o modelo inglês estava mais próximo do que considera ideal.

Sobre um programa exclusivo para mulheres, ela fala em acolhimento. “Mesmo no mundo das mulheres, às vezes você não pode discutir de igual para igual, porque tem mulheres que pensam muitas coisas diferentes das que eu penso”, fala. No ABP-W, encontrou “uma possibilidade de atualização num grupo mais acolhedor”.

Em uma colega de turma ou em um fornecedor em Shenzhen, Gina busca o mesmo: tempo para enxergar o que ainda não está vendo.

Não é preciso ocupar um assento para se preparar para ele. O ABP-W, da Saint Paul, forma executivas que querem chegar aos conselhos ou se relacionar de forma mais estratégica com o board da própria empresa. Elas passam a fazer parte de uma rede de mais de 600 mulheres. Conheça o programa

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