A futurista Sabina Deweik ao lado de Daniele Martos, do SEST SENAT: no CONARH, especialisas debateram formação profissional, empregabilidade, inclusão e qualidade de vida (SENAT/Divulgação)
Exame Brand Solutions
Publicado em 3 de setembro de 2026 às 11h00.
A falta de profissionais com as competências que as empresas precisam passou a mudar a lógica de contratação. Em vez de esperar pelo candidato pronto, cresce a necessidade de criar caminhos para formar, qualificar e desenvolver talentos ao longo da carreira.
Esse foi um dos temas que atravessaram as discussões do CONARH 2026, onde o SEST SENAT apresentou iniciativas voltadas à formação profissional, empregabilidade, inclusão e qualidade de vida.
A programação integrou o espaço do Sistema Transporte, formado por SEST SENAT, ITL e CNT, que reuniu debates sobre as transformações no mercado de trabalho e seus impactos para empresas e profissionais.
“A resposta passa por ampliar as portas de entrada, investir em qualificação, criar oportunidades de aprendizagem contínua e preparar lideranças”, afirma Daniele Martos, gerente executiva de RH do SEST SENAT.
A velocidade das mudanças tecnológicas tornou mais difícil definir hoje todas as competências que serão necessárias amanhã. Ao mesmo tempo, diferentes gerações chegam ao mercado com expectativas distintas sobre carreira, liderança e relação com o trabalho.
Para a futurista e pesquisadora de comportamento Sabina Deweik, a transformação acontece em ritmo acelerado e também é geracional. “O conflito geracional está muito grande, talvez seja uma das maiores questões nas organizações”, afirmou durante o CONARH.
A Geração Z, por exemplo, já chega ao mercado questionando modelos tradicionais de trabalho e avaliando as empresas antes de aceitar uma vaga. “Dizem que eles é que entrevistam o RH. ‘Eu quero saber como é a diversidade na empresa, como é a cultura. Tem que trabalhar de segunda a sexta presencial? Então eu não sei se eu quero. Talvez eu vá para outra empresa’.”
Nesse cenário, a formação deixa de ser apenas uma etapa posterior à contratação. Pode se tornar também uma estratégia para ampliar o acesso a talentos e preparar profissionais para funções que estão mudando rapidamente.
Sabina Deweik, futurista: “conflito geracional talvez seja uma das maiores questões nas organizações” (SENAT/Divulgação)
É nessa frente que o SEST SENAT concentra uma de suas principais contribuições. A instituição oferece cursos presenciais e online, formação especializada, cursos técnicos e treinamentos obrigatórios, em áreas como logística, manutenção, tecnologia, gestão e segurança ocupacional.
A estrutura conta com mais de 170 unidades nas cinco regiões do país. Além da qualificação, há iniciativas voltadas à entrada e à permanência no mercado, como o Jovem Aprendiz, o Emprega Transporte e a Feira Emprega Transporte, que aproximam profissionais e empresas.
A lógica é criar uma ponte entre quem precisa de mão de obra e quem precisa de oportunidade.
Para as empresas, isso amplia as possibilidades diante de um mercado em que encontrar alguém que reúna, de imediato, todas as competências desejadas pode ser cada vez mais difícil. Em vez de procurar apenas quem já está pronto, a organização passa a participar da construção desse profissional.
A formação também ganhou peso na retenção. Matheus Agricola, consultor de RH e Negócios do GPTW, mostrou durante o evento que os fatores que mantêm profissionais nas organizações mudaram. “O salário que é tão importante, sim, passa a ter um segundo plano dentro desse contexto”, afirmou.
Segundo os indicadores apresentados por Agricola, o principal elo de conexão hoje é a oportunidade de crescimento e desenvolvimento, seguida por qualidade de vida e alinhamento de valores. A remuneração aparece em quarto lugar.
O dado ajuda a explicar por que treinamento e desenvolvimento deixaram de ser apenas uma agenda de capacitação. Aprender, crescer e enxergar possibilidades de carreira dentro da empresa passaram a fazer parte da própria estratégia de retenção.
Ampliar a oferta de profissionais passa ainda por aumentar o número de pessoas que conseguem acessar as oportunidades.
Programas de aprendizagem, empregabilidade e acessibilidade entram nessa equação. No SEST SENAT, o Jovem Aprendiz cria uma porta de entrada para quem está começando a carreira, enquanto a plataforma Emprega Transporte e a Feira Emprega Transporte aproximam candidatos e empresas. A instituição também desenvolve a Rota da Acessibilidade, voltada à inclusão profissional.
O desafio, porém, não termina na contratação. Para que a inclusão seja efetiva, é preciso criar condições para que o profissional permaneça, se desenvolva e avance na carreira.
E a própria mudança nas expectativas dos trabalhadores reforça essa necessidade. Se as novas gerações também avaliam cultura, diversidade, modelo de trabalho e oportunidades antes de aceitar uma vaga, atração e retenção passam a depender cada vez mais da experiência oferecida pela empresa.
Carla Tieppo: segundo neurocientista, dois terços dos trabalhadores relatam viver situações de estresse no Brasil (SENAT/Divulgação)
Formar e contratar não são suficientes quando as condições de trabalho dificultam a permanência. A saúde emocional foi outro dos temas que ganharam espaço no CONARH.
Segundo dados apresentados pela neurocientista Carla Tieppo, dois terços dos trabalhadores relatam viver situações de estresse no Brasil. Para ela, a resposta exige mudanças na própria gestão. “A gente realmente precisa de um processo de mudança dentro da gestão de pessoas.”
No SEST SENAT, a qualificação profissional está associada a uma estrutura de saúde e qualidade de vida que realiza mais de 21 milhões de atendimentos por ano. A rede oferece serviços como fisioterapia, nutrição, psicologia presencial e online, odontologia, esporte, lazer e cultura.
A atuação é voltada aos trabalhadores do transporte e seus familiares, mas a instituição também busca ampliar o alcance de sua estrutura.
“A gente também quer poder atender outras empresas da comunidade, o cidadão que está próximo de uma das nossas unidades, pois temos muito a oferecer em saúde, qualidade de vida e educação”, afirma Daniele Martos.
Se a qualificação prepara profissionais para novas demandas, a formação das lideranças é necessária para que essas competências encontrem espaço dentro das organizações.
Para Claudia Cavallini, psicanalista e professora associada da HSM Academy, o momento exige rever o próprio papel de quem lidera. “É o momento de a gente voltar para a sala de aula. É um momento de colocar em pauta qual é o papel da liderança e a gente tem que aprender coisas novas, formas novas, principalmente de tratar os humanos.”
No ITL, braço do Sistema Transporte dedicado à formação estratégica, essa preparação acontece por meio de cursos de alta gestão, pós-graduações lato sensu, programas executivos e certificações internacionais.
Segundo Gabriel Filipi, analista de gestão educacional executiva do ITL, o objetivo é fazer com que o conhecimento tenha aplicação prática. “Hoje, mais de 70% dos projetos que são desenvolvidos em sala de aula são aplicados nas empresas de transporte.”
O ITL já capacitou mais de 4 mil gestores e executivos do setor de transporte no Brasil, com mais de mil empresas beneficiadas.
SEST SENAT: parte do Sistema Transporte, ao lado de ITL e CNT, empresa atua diretamente na qualificação, empregabilidade, inclusão e promoção de saúde e qualidade de vida dos trabalhadores do transporte e seus familiares (SENAT/Divulgação)
A discussão do CONARH aponta para uma mudança importante na gestão de talentos: não basta encontrar profissionais; é preciso criar condições para que eles entrem, aprendam, permaneçam e cresçam. É uma jornada que começa na formação profissional e passa por empregabilidade, inclusão, saúde e desenvolvimento de lideranças.
Nesse percurso, o SEST SENAT atua diretamente na qualificação, empregabilidade, inclusão e promoção de saúde e qualidade de vida dos trabalhadores do transporte e seus familiares. O ITL prepara gestores e executivos para os desafios estratégicos do setor, enquanto a CNT é a entidade máxima de representação e defesa do transporte no Brasil, atuando na articulação institucional e na produção de estudos para fortalecer o setor e subsidiar políticas públicas.
Mais do que responder à falta de profissionais prontos, a proposta é ampliar a capacidade de formar os profissionais de que o mercado vai precisar. Como resumiu Sabina Deweik durante o evento: “Se a gente está no ponto de inflexão, no início da mudança, dá tempo da gente se adaptar.”