Férias ilimitadas: como a Netflix fez o polêmico benefício funcionar

Os funcionários da Netflix pode tirar quantas semanas quiserem de férias no ano. Isso já deu muito errado, mas eles aprenderam a fazer funcionar

Para uma empresa tão inovadora, a maneira como a Netflix organizava seus dias de folga era bem comum. Até que um funcionário mandou uma sugestão que mudou tudo em 2003.

Esse foi seu questionamento: “estamos todos trabalhando online aos finais de semana, respondendo e-mails fora do expediente e tirando tardes de folga para cuidar da vida pessoal. Nós não contabilizamos as horas trabalhadas por dia ou por semana. Então por que estamos contando os dias de férias por ano?”

Foi a inspiração inicial para uma nova política da empresa, as férias ilimitadas, ou “Sem política de férias”, como a empresa resolveu chamar. Na prática, o benefício dá liberdade e flexibilidade para que os próprios funcionários decidam quantos dias e quando vão descansar.

Diferente do Brasil, as empresas nos Estados Unidos não possuem a obrigação por lei de oferecer férias pagas aos funcionários. Assim, cada empresa define como vai oferecer os dias de descanso. Segundo relatório do Centro de Pesquisa Econômica e Política de Washington, um em cada quatro trabalhadores nos EUA não recebe nenhum dia de férias ou feriados pagos.

O benefício de liberdade total para as férias gera uma polêmica por seu lado negativo: quando não há regras, a cultura mais forte se sobressai. Assim, funcionários em ambiente de alta pressão onde ninguém tira folgas acabam não usufruindo de seu merecido descanso por não ter uma regra que os guie.

Na Netflix, o desafio não foi diferente. Em seu novo livro, “A regra é não ter regras”, o presidente da empresa Reed Hastings conta como foi o desenrolar dessa história que começou com a sugestão de um funcionário.

O executivo escreve que tinha seus temores sobre a proposta, mas que também percebia os benefícios. Hastings viu que as maiores inovações da empresa aconteceram depois que as pessoas voltaram de férias

“O descanso fornece banda larga mental que permite que você pense criativamente e veja o trabalho sob uma luz diferente. Se você trabalha o tempo todo, você não tem perspectiva para ver seu problema com novos olhos”, fala ele.

Houve um período de aprendizados diante de vários dilemas dessa nova liberdade. Um colaborador que tirou férias para evitar um período mais puxado na área de contabilidade; ou a funcionária que tinha medo de tirar férias para não parecer que estava atrasando a equipe.

Para alguns, o novo benefício foi maravilhoso para organizar a vida e equilibrar a rotina pessoal com o trabalho. E para reproduzir esse sucesso para todos, a liderança da empresa precisou aprender uma lição de inteligência emocional.

E Hastings escreve sobre isso: “Quando você remove uma política, os funcionários não sabem como operar com essa ausência. Se você não fala para eles ‘tire um tempo de folga’, eles não vão tirar. Outros vão imaginar que têm completa liberdade e se comportar de maneiras totalmente inapropriadas, como tirar férias na hora que causa dor a todos os outros. Na falta de uma política por escrito, cada gestor deve tirar um tempo para falar com o time sobre os comportamentos que são aceitáveis e apropriados”.

O aprendizado mais importante foi a necessidade de melhorar a comunicação e colocar os líderes como exemplos de comportamentos corretos.

O CEO da Netlfix mostra o caminho tirando seis semanas de férias por ano. E, “para todos que queiram ouvir”, ele fala abertamente sobre como aproveita esse tempo. A comunicação se torna mais positiva e menos uma cobrança a cada reunião — mesmo que ele lembre desse benefício também nos momentos mais formais.

“Sempre que ouço histórias por aí de pessoas que não tiram tempo de folga, é hora de colocar as férias na pauta da reunião”, escreve ele.

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