Carreira
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Confiança se ganha com a convivência, não com conversa

São as ações que geram a relação de confiança. Só a conversa não basta


	Somos dependentes de relações de confiança. Estabelecê-las exige atenção com o outro. É o cuidado de saber ouvir, a força de saber ajudar e uma inesgotável capacidade de ensinar. 
 (Getty Images)

Somos dependentes de relações de confiança. Estabelecê-las exige atenção com o outro. É o cuidado de saber ouvir, a força de saber ajudar e uma inesgotável capacidade de ensinar.  (Getty Images)

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Luiz Carlos Cabrera

12 de junho de 2013, 14h11

São Paulo - A etapa inicial de qualquer tipo de relacionamento é o estabelecimento de um vínculo de confiança entre as partes. A história de vida de cada um vai mostrando, a cada passo, a cada lição aprendida, a cada dor, a cada alegria e a cada frustração, que o sentimento que circunda esses acontecimentos é sempre a confiança.

Perenizada na amizade, expressa no afeto, a confiança sempre está no centro das relações. E o amor? Pois o amor germina a partir da confiança também.

Lembre-se de seu primeiro dia na escola. Faz tempo, eu sei, mas como foi que você adquiriu confiança na professora? Nasceu do primeiro gesto, da primeira palavra?

Ou foi mais difícil e não aconteceu de imediato? Algumas pessoas, devido às suas experiências, acabam por ter mais dificuldade em confiar. Quando ocorrem decepções, o sentimento congela. Agora, salte no tempo e lembre-se de seu primeiro dia no novo emprego. Quem o recebeu?

Quem demonstrou confiar em você ao lhe pedir uma tarefa ou uma opinião? Em quem confiar? A ideia inicial é sempre procurar os semelhantes, melhor ainda os que possuem os mesmos valores ou acreditam nas mesmas coisas.

No entanto, o estabelecimento da confiança exige atitudes e não só pensamentos comuns. São as ações que geram a relação de confiança, a conversa não basta. A criança confia na mãe que a abraça, alimenta, aquece e protege.

Somos dependentes de relações de confiança. Estabelecê-las exige atenção com o outro. É o cuidado de saber ouvir, a força de saber ajudar e uma inesgotável capacidade de ensinar. Pense por um momento nas pessoas em quem você confia. O que elas têm em comum?

Existe algum atributo comum que o faça confiar nelas? Tenho certeza de que sua resposta vai passar pela consistência no comportamento, pela relação aberta, pela coragem de fazer e receber a crítica. A resposta pode ser: confio nos meus amigos. A verdade é que a amizade foi também germinada a partir da confiança.

A tal história que ouvimos sempre dos mais velhos: "Para criar confiança, é preciso comer um quilo de sal junto". Pura verdade. Só a convivência é capaz de gerar tão nobre sentimento. Pode confiar.

Luiz Carlos Cabrera escreve sobre carreira. é professor da EASP-FGV, diretor da AMROP Panelli motta cabrera e membro do Advisory Board da AMROP International