Diretor financeiro/CFO (Reprodução)
Articulista convidado
Publicado em 2 de fevereiro de 2026 às 10h47.
Em um ano marcado por incertezas macroeconômicas, avanços regulatórios e um ambiente político mais complexo, o mercado de trabalho em Finanças entra em 2026 sob novas regras.
A combinação desses fatores tem levado as empresas a rever prioridades, freando investimentos em expansão e direcionando esforços para eficiência operacional, controle de riscos e geração sustentável de valor.
Esse movimento reposiciona o papel das lideranças financeiras e redefine as estratégias de contratação ao longo do ano.
Mais do que o volume de vagas, mudam os critérios: os perfis técnicos e comportamentais mais demandados, os setores com maior tração e o nível de exigência dos processos seletivos.
Em um cenário que foca melhoria de processos e aumento da produtividade, ganham relevância trajetórias que combinam visão analítica, controle e planejamento.
Na prática, os processos seletivos tendem a priorizar líderes financeiros capazes de transformar dados em decisões, revisar custos e sustentar a performance do negócio em ambientes adversos.
Além disso, para que o negócio funcione de forma integrada, também tende a crescer a valorização de líderes de Finanças com forte capacidade de atuação transversal, que se consolidam como influenciadores internos, atuando de forma coordenada com áreas como Operações, Jurídico, RH, Tecnologia, Comercial e Marketing.
Entre as disciplinas financeiras mais demandadas para este ano, observa-se uma procura crescente por profissionais com experiência em Planejamento Financeiro (FP&A), Contabilidade e Planejamento Tributário, este último impulsionado pelos desafios e pelas mudanças decorrentes da Reforma Tributária em curso no Brasil.
Paralelamente, cresce também a busca por profissionais de M&A, à medida que a área se consolida como uma alavanca estratégica para a otimização de portfólio: contextos instáveis podem gerar valuations mais baixos, que favorecem a aquisição de ativos com maior potencial de retorno e o desinvestimento de negócios menos estratégicos para a organização.
Do ponto de vista comportamental, cresce o protagonismo de líderes financeiros mais resilientes, adaptáveis e ágeis na tomada de decisão, aptos a identificar oportunidades em um cenário de transformação.
Essa tendência é reforçada por dados da pesquisa realizada pela Assetz, “O Perfil do CFO no Brasil 2025”, que indica que 31% dos CFOs respondentes apontam “resiliência, flexibilidade e agilidade” como as competências comportamentais mais valorizadas ao contratar profissionais para formar suas equipes.
Também ganham espaço talentos que tenham bem desenvolvidas competências como comunicação efetiva, capacidade de influência e habilidade para construir alianças internas, que serão determinantes para viabilizar iniciativas e impulsionar resultados.
Como diferenciais, curiosidade intelectual e aprendizado contínuo ganham cada vez relevância para a proposição de soluções e iniciativas de inovação.
Apesar do ambiente de cautela, alguns setores devem manter o ritmo das contratações. O segmento de Bens de Consumo não duráveis tende a se beneficiar da demanda recorrente, enquanto o setor de Serviços ganha destaque com a implementação mais ativa da Reforma Tributária, exigindo revisão de estruturas e simulações de cenários.
O setor de Óleo e Gás permanece como um vetor relevante de investimentos, com impacto em toda a cadeia produtiva, especialmente no Rio de Janeiro.
Já o setor de Tecnologia volta a ganhar tração, impulsionado por automação e Inteligência Artificial, incorporando à agenda financeira temas como governança de TI e segurança cibernética.
Quanto à nacionalidade das empresas, as companhias estrangeiras tendem a intensificar as contratações, aproveitando custos mais atrativos e oportunidades decorrentes de assimetrias na percepção de risco e no horizonte de planejamento em relação às organizações locais.
Historicamente, períodos eleitorais são marcados por maior cautela, sobretudo na segunda metade do ano, quando as empresas tendem a se concentrar em orçamento, controle de riscos e preservação de caixa.
Nesse contexto, é comum a antecipação de decisões de contratação para o primeiro semestre ou o adiamento de movimentos estruturais para 2027, priorizando reposições consideradas inadiáveis.
Além disso, a maior oferta de profissionais em 2026, combinada a um volume mais restrito de posições abertas, tende a tornar os processos seletivos mais criteriosos e a reduzir a flexibilidade nas negociações salariais.
As companhias passam a priorizar perfis com experiência diretamente alinhada à posição, valorizando trajetórias sólidas na mesma função e, de preferência, no mesmo setor.
Em 2026, o mercado de trabalho em Finanças se torna mais seletivo e orientado por impacto.
A disciplina na tomada de decisão, a atuação integrada e a alocação eficiente de capital ganham protagonismo, enquanto empresas e profissionais passam a ser avaliados menos pela capacidade de crescimento e mais pela consistência na performance e pela proposição de soluções.