IA na Saúde: modelos de inteligência artificial para prever doenças podem ter sido treinados com dados inconsistentes, aponta estudo (Yaroslav Kushta/Getty Images)
Redatora
Publicado em 27 de agosto de 2026 às 16h50.
Antes de chegar à banca final do Prêmio Na Prática Protagonismo Universitário, Pedro Docema, estudante de medicina da USP, passou por uma etapa que nunca tinha enfrentado em nenhum processo seletivo.
Em vez de um recrutador do outro lado da tela, uma inteligência artificial apresentava situações e cobrava resposta imediata, avaliando raciocínio lógico e tomada de decisão em tempo real.
"Foi um negócio totalmente diferente, novo. Nunca tinha visto nenhum processo seletivo com uma questão dessa área", contou.
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O relato de Pedro deixou de ser incomum. Segundo levantamento da plataforma de recrutamento Greenhouse, 63% dos candidatos a emprego em processos recentes já foram entrevistados por inteligência artificial em algum momento da seleção, o que sugere que a experiência vivida no prêmio universitário está alinhada com um movimento maior do mercado de trabalho.
O avanço não deve desacelerar. O relatório Future of Jobs 2025, do Fórum Econômico Mundial, projeta que 86% das empresas pretendem acelerar a adoção de tecnologias baseadas em inteligência artificial até 2030.
A consultoria Gartner vai além ao estimar que metade das atividades de recursos humanos estará automatizada ou apoiada por tecnologia até o fim da década.
Diferente de um recrutador, a inteligência artificial não interrompe o raciocínio nem oferece pistas sobre o que já convenceu ou não. Pedro descreveu ter sido colocado diante de um cenário hipotético e precisado responder ali, sistematicamente, o que faria naquele contexto.
Como ele é da área da saúde, avalia que outras pessoas com formação mais técnica talvez encontrassem esse tipo de dinâmica com mais naturalidade, mas para ele foi um desafio à parte dentro do processo.
Nem todo mundo recebe bem esse formato. Segundo a mesma pesquisa da Greenhouse, 38% dos candidatos já abandonaram um processo seletivo justamente por envolver entrevista conduzida por IA, e outros 12% afirmam que fariam o mesmo se fossem apresentados a essa etapa. O incômodo aparece mesmo em um mercado de trabalho descrito como de baixa contratação e baixa demissão, o que tem dificultado a busca por vaga.
Especialistas em recrutamento reforçam que a inteligência artificial funciona melhor como apoio à primeira triagem do que como avaliadora final.
Nuances como empatia, criatividade e alinhamento cultural continuam sendo terreno da decisão humana, e não por acaso o processo seletivo do prêmio universitário manteve etapas presenciais depois da entrevista com IA, incluindo bancas regionais e uma banca final com avaliadores de mercado.
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Para quem está entrando agora no mundo dos processos seletivos, a lição prática que fica do relato de Pedro é simples: a etapa automatizada existe para filtrar raciocínio rápido sob pressão, não para substituir a conversa que ainda vem depois dela.
O Na Prática nasceu como uma plataforma educacional criada para impulsionar a carreira de jovens, do estágio à liderança, complementando o ensino universitário com uma formação voltada para o mercado de trabalho.
Pensando nesse propósito, a instituição criou o Prêmio Na Prática Protagonismo Universitário. Com cinco ganhadores, um de cada estado, ele é o primeiro reconhecimento nacional com recorte regional focado exclusivamente em estudantes de alto desempenho prático e acadêmico.