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Será que a mamografia não deve começar mais cedo?

Brasil ainda segue resolução da OMS que recomenda fazer o exame a partir dos 50 anos, mas pesquisas já indicam que deveria começar aos 40

Exame previne ocorrência de câncer de mama (Reprodução/Thinkstock)

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Publicado em 19 de maio de 2023 às 16h10.

O crescente aumento nos diagnósticos de câncer de mama em mulheres jovens vem levantando o alerta há algum tempo: a mamografia, que atualmente é recomendada apenas após os 50 anos pela Organização Mundial de Saúde (OMS), deve ter indicação para pessoas mais novas? De acordo com a US Preventive Service Task Force, a resposta é sim. No último dia 10 de maio, a organização reforçou essa recomendação ao lançar o novo protocolo de prevenção à doença. Agora, mulheres a partir dos 40 devem realizar o exame anualmente no país. O Brasil ainda segue a resolução da OMS, mas a tendência, segundo especialistas, é de mudança no cenário.

"As sociedades especialistas no Brasil já faziam essa recomendação oficialmente, assim como muitos médicos com suas pacientes. Apesar do número de diagnósticos em mulheres jovens não ser tão comum, não é um dado irrelevante,cerca de 1/5 da população feminina possui o diagnóstico. Até então, existia um entendimento de que o custo-benefício de fazer esses exames não era eficiente, já que existiam muitos casos de falsos positivos, levando a cirurgias e outros procedimentos desnecessários, aumentando o comprometimento emocional da paciente. Mas, em geral, os casos de câncer em jovens têm aumentado nos últimos anos, o que deve desencadear em alterações, como essa nova determinação nos EUA", diz Gustavo Campana, vice-presidente médico da Alliança Saúde.

Por que fazer a mamografia mais cedo?

O câncer de mama é o tipo que mais atinge a população global feminina. De acordo com os dados mais recentes da OMS, a doença teve 2,26 milhões de casos identificados em 2020. No Brasil, projeções do Instituto Nacional de Câncer (INCA) indicam que cerca de 74 mil diagnósticos anuais serão registrados entre 2023-2025.

A mamografia é capaz de identificar tumores em estágios iniciais, o que aumenta as chances de cura de pacientes em até 95%, dependendo da fase em que foi diagnosticado. Estudos comprovam que esse exame vem reduzindo a mortalidade em até 40%. E, se essa orientação foi implementada no Brasil, mais de 14 milhões de mulheres serão impactadas positivamente.

Só na base de dados da Alliança, por exemplo, são cerca de 760 mil mulheres na faixa etária de 40 a 49 anos, aponta Campana. "No Brasil, a cobertura para exames de mamografia ainda é muito abaixo do preconizado pela OMS: apenas 20% das mulheres na idade recomendada o realizam, segundo a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM). Há muitos fatores para isso, tanto no sistema público como no particular. Mas um deles, com certeza, é a falta de informação sobre a sua importância e o acompanhamento periódico", afirma Campana.

Para o especialista, conscientizar o público-alvo, ou seja, mulheres a partir dos 40 anos, têm um impacto fundamental não só na prevenção, mas em diagnósticos precoces, que demandam intervenções médicas às vezes menos agressivas, aumentando a sobrevida e o bem-estar  dessas pacientes. "Temos como exemplo nossas próprias campanhas: por meio da tecnologia, conseguimos identificar quem são as pacientes que estão nessa faixa etária e quando realizaram os últimos exames, por exemplo. Com esses dados em mãos, fazemos uma mobilização voltada só para esse público, lembrando da importância do acompanhamento médico. Neste primeiro trimestre, conseguimos alcançar mais de 1 milhão dos nossos pacientes, em diversas especialidades de saúde", declara Campana.

Com a resolução nos Estados Unidos, o plano é começar uma iniciativa ainda em maio na Alliança Saúde, abrangendo o público-alvo mais jovem da mamografia. "Seguimos a recomendação do Ministério da Saúde e da Force Task americana. E entendemos que, nesse momento, essas novas recomendações são a tendência do que há de mais moderno no tratamento oncológico feminino e, por isso, serão os guias das próximas ações", afirma Dr. Gustavo Campana

Como a inteligência artificial pode ajudar a diagnosticar o câncer?

Para Rafael Canineu, médico e especialista em gestão de dados (Health Analytics) da Alliança Saúde, o uso da Inteligência Artificial pode se transformar em uma das grandes contribuições para melhorar o cenário da saúde como um todo. "Estamos implementando, inclusive, uma nova tecnologia que, por atuação de um algoritmo, consegue identificar as imagens suspeitas de tumor e encaminhá-las ao médico responsável pelo laudo com muito mais efetividade e rapidez. O diagnóstico chega ao paciente, por meio de seu médico, em menos tempo, o que faz toda a diferença no resultado final, em termos de saúde e de custos", diz.

O importante, segundo Canineu, é aliar as novas descobertas tecnológicas com a melhoria efetiva da qualidade de vida. "Temos que estar sempre atentos àquilo que é mais moderno e comprovadamente eficaz na medicina, tanto em termos de resolução (como essa, da Task Force americana) como em tecnologia. A vida está sempre em primeiro lugar", declara o especialista

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