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Saúde, indústria e agro lideram depósitos de patentes em IA, revela pesquisa

Com 62%, empresas despontam nas reivindicações de propriedade intelectual; 39,8% das solicitações são tecnologias criadas por outros países

Os setores da saúde, indústria e agropecuária lideram os pedidos de registros de patentes em inteligência artificial depositados no Brasil nos últimos 6 anos. (Getty Images/Getty Images)

Os setores da saúde, indústria e agropecuária lideram os pedidos de registros de patentes em inteligência artificial depositados no Brasil nos últimos 6 anos. (Getty Images/Getty Images)

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Publicado em 25 de agosto de 2025 às 10h00.

Os setores da saúde (25%), indústria (14,4%) e agropecuária (8,3%) lideram os pedidos de registros de patentes em inteligência artificial depositados no Brasil nos últimos 6 anos, de acordo com levantamento da Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados, a partir de informações do Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI). Foram analisadas 264 solicitações feitas entre 2019 e 2024. Apenas 8 (3%) foram concedidas. A grande maioria (97%) continua em análise ou não teve a patente concedida.

Nesses 6 anos, o ápice foi em 2022, com 78 registros. Os dois anos anteriores também se destacam, com 64 pedidos em 2020 e 77 em 2021. Desde 2023, contudo, há uma queda nas solicitações (13). Das patentes concedidas, 5 foram depositadas por autores brasileiros, 2 dos Estados Unidos e uma da China.

Setores das patentes solicitadas no Brasil entre 2019 e 2024

O tempo médio para análise das patentes que foram concedidas foi de 2 anos, 11 meses e 10 dias. O Plano de Ação 2023-2025 da Estratégia Nacional de Propriedade Intelectual (ENPI), divulgado em outubro de 2023, estabeleceu como meta a diminuição do prazo de análise de patentes de modo geral. Antes de 6,9 anos, registrados em dezembro de 2022, a meta passou para 3 anos (junho de 2025) e quer diminuir para média de 2 anos até 2026.

Após o depósito do pedido de patente, o INPI analisa a concessão do registro de propriedade intelectual, que garante ao inventor os créditos – e a remuneração – pelo uso daquela criação no Brasil. A patente pode ser de invenção – uma solução para problemas técnicos – ou de modelo de utilidade, para melhoramentos de produtos existentes ou de suas aplicações.

“O levantamento mostra a diversidade de possibilidades da aplicação da inteligência artificial no Brasil e como os responsáveis por essas inovações têm buscado garantir esse uso. Apesar de algumas instituições brasileiras se destacarem, como universidades federais e a Petrobras, a grande participação de empresas estrangeiras mostra como Estados Unidos e China têm atuado para dominar o mercado brasileiro nesta tecnologia”, afirma Marcelo Tokarski, CEO da Nexus.

Estados Unidos lideram depósitos de patentes em IA entre estrangeiros

Entre os solicitantes, a maioria (59,8%) é brasileira e outros 40,5% são estrangeiros. Um pedido envolve instituições brasileiras e chinesa. Os Estados Unidos lideram a segunda lista, com 62 dos 106 pedidos feitos por outros países, o equivalente a 57,9%. Em seguida, está a China, com 23,6%; e a Coréia do Sul, com 4,7%.

Em relação aos autores, 164 dos pedidos – o equivalente a 62,1% – foram feitos apenas por empresas. Nesse grupo, a multinacional chinesa de telecomunicações Huawei se destaca com 18 solicitações; seguida pela brasileira Petrobras (8). Em 3º lugar,  com 5 registros cada, estão duas empresas americanas do setor de saúde: a AIxScan, especializada em imagens de raio-x; e a Paige, focada em diagnóstico e tratamento de câncer.

Patentes brasileiras em IA

Dos 5 registros de patentes em inteligência artificial concedidos a brasileiros, 4 têm como autores pessoas físicas. As inovações envolvem um dispositivo para evitar assaltos em automóveis, um kit de tração para veículos e semirreboques, um sistema de gestão de bacias hidrológicas e mecanismos de aprimoramento de fábricas de papel e celulose. O 5º pedido trata de um método e dispositivo para produção de hidrogênio e geração de energia elétrica.

China lidera patentes de IA concedidas no mundo

A China é o país que teve mais patentes relacionadas à inteligência artificial concedidas entre 2010 e  2022, de acordo com a edição de 2024 do AI Index, da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. A potência asiática contabiliza 61,1% dos registros, seguida pelos Estados Unidos, com 20,9%.

Ao considerar a população, a Coréia do Sul lidera o ranking, com 10,3 patentes concedidas a cada 100 mil habitantes no mesmo período. Em segundo lugar, está Luxemburgo, com 8,8 por 100 mil habitantes e os Estados Unidos em terceiro, com 4,2 por 100 mil habitantes.

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