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‘Reputação é agir pelo bem comum, unindo propósito e lucro’, afirma Luiza Trajano

No RepCast da FSB Holding, Luiza Helena Trajano detalha como transparência, cultura enraizada e coragem para quebrar paradigmas sustentam o valor da marca

Luiza Trajano, presidente do conselho do Magazine Luiza (RepCast / YouTube/Reprodução)

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Publicado em 18 de abril de 2026 às 07h00.

A construção de grandes empresas, na visão de Luiza Trajano, presidente do conselho do Magazine Luiza, exige alinhar o sucesso financeiro ao cuidado constante com as pessoas. 

Em entrevista ao RepCast, videocast da FSB Holding, a executiva eleita pelo nono ano consecutivo como a líder de melhor reputação do Brasil apresenta sua visão sobre liderança: reputação se constrói enfrentando tempestades com a verdade e nunca abandonando seus valores.

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A raquete de ping-pong: Propósito e lucro 

Para Luiza, reputação e resultado financeiro andam necessariamente juntos. "Eu sempre pensei isso: por que uma empresa não pode ganhar dinheiro e ser boa para as pessoas?", questiona a executiva. 

Ela define essa visão de negócios com a metáfora de uma raquete de ping-pong: em uma mão está o propósito e, na outra, o lucro. A crença de que é impossível sobreviver sem gerar resultados, mas inaceitável atuar sem um propósito, guiou o Magazine Luiza a ser a primeira varejista no mundo a conquistar o primeiro lugar no ranking de melhores empresas para se trabalhar.

O orgulho de ser vendedora 

Apesar do forte apelo social, Trajano não perde de vista o motor do negócio: a operação comercial. Ela critica a tendência corporativa de renomear equipes de vendas para "atendentes" e faz questão de manter para si mesma o título de vendedora. 

A executiva é pragmática ao lembrar a todos os departamentos da empresa, do marketing ao financeiro, de onde vem a receita: "a venda é que faz isso tudo aqui, ela que paga tudo isso aqui."

Transparência como motor de crescimento 

Para a executiva, trajetórias sólidas dependem de atitudes transparentes e fomento à legalidade corporativa. Um exemplo prático dessa crença foi a decisão de auditar o balanço da companhia em 1995, em uma época em que concorrentes do varejo não o faziam, e abrir estrategicamente o fluxo de caixa para os credores. 

Essa atitude de vulnerabilidade e transparência não só gerou confiança imediata no mercado, como abriu portas para a chegada de sócios estratégicos e fundos de investimento nos anos seguintes.

Cultura não se pendura na parede, se vive no campo 

Ao abordar a cultura organizacional, Luiza rejeita a visão de manuais frios. "Eu nunca levei um quadro sobre valores ou missão se não vier do campo", afirma a executiva, ressaltando o esforço contínuo para que a cultura esteja "nos ossos" da companhia e não apenas em murais. 

A lógica é inegociável: se você quer cuidar do seu cliente, precisa cuidar primeiro da sua equipe. Isso envolve gerir os colaboradores integrando "cabeça, coração e bolso", dando espaço para ideias, acolhendo os erros humanos e dividindo financeiramente os resultados quando as metas são superadas.

Coragem para bancar decisões difíceis 

Outro ponto de destaque da entrevista é a forma como a empresa lidou com a quebra de crenças estruturais. A criação do ousado programa de trainees exclusivo para profissionais negros, em 2020, gerou forte retaliação e acusações de "racismo reverso" no final de semana de seu lançamento. 

Em vez de recuar frente ao cancelamento digital, a liderança da companhia bancou o programa baseada em seus princípios de justiça social, comunicando primeiro os funcionários internos. 

"Você para mudar paradigmas e quebrar crenças limitantes, você paga um preço", reflete Luiza, provando que a verdadeira reputação exige consistência para suportar ataques sem ceder às pressões externas.

A reputação nas pequenas atitudes 

Ao final da entrevista, a mensagem de Luiza Trajano converge para um ponto central: a reputação não é fruto de lances de marketing, mas da soma do comportamento cotidiano. Para ela, em uma palavra, reputação é agir sempre pelo "bem comum"

Essa premissa é testada na coerência dos pequenos atos: ela não admite que sua posição seja usada para obter vantagens, como furar filas, e exige que o respeito comece na base. 

Como ela mesma relata, em sua família, ninguém sai de uma mesa, de um táxi ou de um elevador sem agradecer à pessoa que prestou o serviço. Para líderes e empresas, o recado é claro: em um mercado implacável, a reputação deixou de ser conceito abstrato. Ela é, em essência, "você ser você", mantendo a integridade no negócio e a humanidade nas atitudes diárias.

 

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