Precisamos de lideranças em que a diversidade lidere

Grande objetivo de políticas para ampliar a diversidade e promover a inclusão seja construir um ambiente em que não precisemos mais falar sobre isso
 (Angelina Bambina/Getty Images)
(Angelina Bambina/Getty Images)
Por BússolaPublicado em 04/03/2022 09:00 | Última atualização em 03/03/2022 18:31Tempo de Leitura: 3 min de leitura

Por Carlos Guilherme Nosé*

Proponho aqui uma reflexão para juntos avançarmos no tema da diversidade e inclusão que ainda gera algumas dúvidas na sociedade, sobretudo no mundo corporativo. Quantas discussões temos visto diariamente sobre essa pauta? Inúmeras. Fico pensando quando, de fato, veremos um mundo corporativo igualitário e inclusivo. Acredito que o grande objetivo de políticas para ampliar a diversidade e promover a inclusão seja construir um ambiente em que não precisemos mais falar sobre isso. Que se torne algo tão natural e que todos tenham vez e oportunidade de chegar à liderança.

Porém, um longo caminho ainda deve ser percorrido. Temos hoje grandes CEOs e empresários abraçando o tema, diversos executivos que chamamos c-level, em cargos de liderança, também engajados. Porém, é triste dizer que ainda há uma parcela, e aqui não estou dizendo que seja a maioria, de profissionais que impedem o avanço do tema nas organizações. E arrisco dizer que alguns deles nem percebem que fazem qualquer tipo de discriminação ou julgamentos enviesados. O fazem por não estarem preparados para lidar com o tema.

Acredito que ainda há um espaço enorme para as empresas prepararem seus líderes, e não somente o c-level, para que deixem de agir no dia a dia com ações que prejudiquem ou atrasem o desenvolvimento de qualquer profissional de um grupo sub-representado.

Ainda ouço comentários como “Promovi o José e não a Maria, porque a Maria vai ter filho em breve e pode prejudicar o desempenho da área”.  Ou “Para essa posição precisamos ter alguém com MBA Internacional” — e aqui inconscientemente se privilegia aqueles de classes sociais mais altas. Ou ainda “Tem que ser alguém com menos de 50 anos, com bastante energia” — e quem disse que idade é garantia de energia e, mais ainda, de alguém que esteja atualizado?

Então, enquanto não houver uma conscientização em todos os níveis hierárquicos, ainda andaremos a passos lentos rumo à diversidade e inclusão. Essa agenda deve ser de todos, não somente do CEO ou da área de Recursos Humanos. Imagine uma empresa com milhares de colaboradores. Como garantir, por exemplo, que um gestor em uma unidade fabril, esteja praticando o que o CEO e o RH estão dizendo? É difícil sim, mas só quando todas essas pontas estiverem alinhadas, poderemos garantir um processo autêntico, natural e eficaz de diversidade e inclusão.

E você que está lendo esta coluna, o que pode fazer para ajudar na evolução deste tema? Aprendi com meus avós e meus pais uma frase simples “Trate qualquer pessoa, da mesma forma que você gostaria de ser tratado”. Você reflete sobre isso em suas ações do cotidiano? Assim como você deixa de usar um celular antigo e para usar o da última geração, você também tem deixado velhos paradigmas para trás e tem aberto sua mente e coração para isso?

O mundo muda a cada segundo. As competências exigidas mudam a cada momento. Portanto, seja cada vez mais autêntico, pratique a empatia e abra espaço para o novo. E acredite, a diversidade gera riqueza. Riqueza de ideias, de soluções, de produtividade e também de dinheiro. Mas, principalmente, aumenta a riqueza da alma.

*Carlos Guilherme Nosé é CEO & Partner da Fesa Group, um ecossistema de soluções de pessoas e de conexões humanas

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