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Os caminhoneiros e a democratização digital

CEO da Trizy explica como o uso de plataformas apropriadas pode gerar ganhos para toda a cadeia logística e reduzir as desigualdades tecnológicas entre os elos

Tem sido cada vez mais comum, em visitas a clientes, eu ser convidado a conhecer suas Torres de Controle Operacional. São incontáveis monitores dispostos com todos os tipos de mapas e informações. Um visual digno da NASA. A sala é sempre apresentada com muito orgulho como um marco de evolução tecnológica.

Como eu prefiro ficar mais atento às pessoas do que aos painéis, frequentemente vejo que os funcionários estão usando apenas seus próprios computadores e celulares. Quase sempre, alguns painéis estão desatualizados e, eventualmente, parte não funciona como desenhado no projeto. Não parece uma infraestrutura montada para quem opera, mas um sinal para a corporação de que a tecnologia está presente.

Temas como AI, machine learning e blockchain são sempre os mais demandados nestas visitas. Depois de explorarmos todas as possibilidades com essas novas tecnologias, tento encerrar a visita com uma passada rápida no pátio de caminhões.

Esta nunca é uma visão tão sofisticada. Caminhoneiros confusos com papéis na mão tentando se encontrar. Muitas vezes, não há estrutura mínima de acolhimento, como um simples WI-FI para compensar a falta de sinal de telefonia. Um visual, definitivamente, não digno da NASA.

Como disse William Gibson em sua tão usada frase: “O futuro já chegou, só não está uniformemente distribuído”. Curioso é ver que isso acontece até mesmo dentro de uma mesma empresa, e não é um caso isolado.

O comportamento corporativo segue as tendências. Não é difícil encontrar empresas que desenvolvem seus próprios apps, que possuem hubs para incubar startups das mais diversas novidades tecnológicas, mas que negligenciam gargalos operacionais graves em seus processos.

É muito comum escutar dos que estão na linha de frente operando que não conseguem justificar certos investimentos junto à direção, pois os ganhos nem sempre são diretos, e o assunto não é considerado prioritário naquele momento.

A verdade incontestável é que um caminhão que espera horas para entrar numa operação vai afetar seu custo, por mais que essa fatura não chegue, e mesmo que você não acredite que é um problema seu. Direta ou indiretamente, todos pagam essa conta.

O problema da espera dos caminhoneiros é um exemplo emblemático. Com toda tecnologia que há por aí, ainda é comum encontramos tempos de espera superiores a 10 horas entre a chegada e a conclusão do processo. Em algumas situações mais críticas, pode até ultrapassar 24 horas.

A tão desejada transformação digital não está tão distante quando a enxergamos sob a ótica da inovação tecnológica. Realmente, muitas ferramentas já desenvolvidas têm o potencial de transformar a realidade da cadeia de suprimentos.

Imagine todas as vantagens de um fluxo único e integrado de documentos suportados por blockchain, na palma da mão de milhões de usuários. Tudo isto já está aí, pronto para ser usado. Mas será que é possível extrair todo o valor dessa tecnologia, se a cadeia não evoluir em conjunto? Até onde decisões individualizadas podem nos levar?

Para esta transformação digital acontecer teremos que passar por um processo de democratização da tecnologia. Se encontramos disparidades dentro da mesma empresa, imagine o tamanho do abismo entre companhias diferentes.

Como conectar uma cadeia logística tão heterogênea, se as empresas têm pouca disposição para colaborar genuinamente, especialmente quando isso também inclui os seus concorrentes? É aí que as plataformas tecnológicas têm um papel fundamental.

As plataformas de logística devem acelerar essa democratização. Dando acesso tanto para a pequena transportadora do interior do Goiás quanto para uma gigante na indústria. Disponibilizando ferramentas tão eficientes para os caminhoneiros calcularem suas rentabilidades, como para as grandes empresas calcularem seus custos.

A democratização da tecnologia cria um looping positivo e, em tempos de ESG, nada mais social que compartilhar e fomentar tecnologia. Dar acesso a quem precisa. Ter respeito ao motorista que espera na porta da sua empresa, mesmo que ele não faça parte da sua folha de pagamento, é ter também responsabilidade social. É corrigir um gargalo que afeta diretamente a cadeia da qual todos nós fazemos parte.

Imagine todos os caminhoneiros do Brasil revertendo os 30% do seu tempo que hoje é destinado a simplesmente esperar em uma maior utilização dos seus ativos, ou mesmo em tempo de qualidade com suas famílias. Essa é a transformação de que também precisamos. Este é o poder que a tecnologia já nos oferece. Cabe a nós decidirmos como vamos fazer.

*Renato Gouveia é CEO da Trizy, startup de logística do Grupo Cosan

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