A experiência do cliente se tornou prioridade na agenda de negócios dos CEOs (NDAB Creativity/Shutterstock)
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Publicado em 11 de julho de 2026 às 13h00.
Por Edson Alves*
Durante muito tempo, atendimento ao cliente foi tratado como uma área distante das grandes decisões de negócio.
Em muitas empresas, era visto como suporte, acionado apenas quando havia dúvidas, reclamações ou problemas a resolver. Esse cenário mudou.
Hoje, a experiência entregue por uma empresa influencia diretamente sua reputação.
Em um mercado mais digital, transparente e competitivo, a forma como uma marca atende, responde e acompanha seus clientes pode pesar tanto quanto o produto ou serviço que oferece.
Essa mudança colocou o atendimento na agenda das lideranças.
Não se trata de transformar CEOs em gestores de atendimento, mas de reconhecer que a experiência do cliente deixou de ser responsabilidade isolada de uma área.
Ela afeta vendas, retenção, percepção de marca, confiança e crescimento.
Quando uma empresa falha no relacionamento, o impacto raramente fica limitado a uma conversa.
Ele pode aparecer em avaliações públicas, perda de oportunidades, aumento de cancelamentos e queda de credibilidade.
A reputação de uma empresa não nasce apenas daquilo que ela comunica ao mercado.
Ela se forma, principalmente, na experiência que entrega todos os dias.
Esse movimento ficou ainda mais claro com a digitalização dos canais de relacionamento.
Hoje, o cliente conversa com empresas por WhatsApp, redes sociais, chat, e-mail e outros pontos de contato. Ele espera agilidade, continuidade e coerência.
Para as empresas, esse comportamento trouxe um desafio importante: estar presente em muitos canais não significa, automaticamente, atender melhor.
Muitos negócios ampliaram sua presença digital antes de estruturarem processos, gestão e tecnologia para sustentar essa expansão.
O resultado aparece em conversas espalhadas, histórico incompleto, equipes sobrecarregadas e pouca visibilidade sobre a operação.
Esse tipo de desorganização não é apenas um problema interno. Ele aparece para o cliente.
E, quando aparece para o cliente, passa a afetar reputação. É nesse ponto que tecnologia e confiança se encontram.
A tecnologia precisa ajudar empresas a organizar melhor suas relações, dar mais clareza à operação e criar condições para que a experiência seja mais consistente.
A discussão não deve ser sobre adotar ferramentas por pressão de mercado, mas sobre quais problemas reais a tecnologia resolve dentro da empresa.
Uma boa estrutura tecnológica pode centralizar canais, preservar histórico, apoiar equipes, automatizar etapas repetitivas e transformar dados em informação útil para a gestão.
Isso não elimina o fator humano. Pelo contrário, cria condições para que as pessoas atuem melhor.
O mesmo vale para automação e inteligência artificial. Existe valor real nessas tecnologias, mas esse valor aparece quando há clareza sobre o que precisa ser melhorado.
Automatizar uma operação desorganizada pode apenas acelerar problemas. Tecnologia, sozinha, não resolve falta de estratégia.
Ela precisa estar conectada a uma visão de negócio, a processos bem definidos, a pessoas preparadas e a indicadores que ajudem a empresa a evoluir.
Quando isso acontece, o atendimento deixa de ser apenas uma área de resposta e passa a gerar inteligência para a organização.
As dúvidas dos clientes revelam falhas de comunicação. As reclamações mostram pontos de atrito.
As conversas comerciais indicam objeções recorrentes. Uma empresa que organiza essas informações aprende mais rápido.
O futuro do atendimento digital será menos sobre estar em todos os canais e mais sobre integrar a experiência.
Será menos sobre responder rápido a qualquer custo e mais sobre responder melhor, com contexto e continuidade.
Atendimento entrou na agenda dos CEOs porque confiança virou um dos ativos mais importantes das empresas.
E confiança se constrói na prática, todos os dias, em cada interação.
*Edson Alves é CEO da Ikatec.