Rigor da FIFA na proteção de ativos exige que marcas invistam em conformidade jurídica para o Mundial
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Publicado em 11 de maio de 2026 às 07h00.
Por Marcos Bruno, sócio do Opice Blum Advogados.
Com a proximidade da Copa do Mundo, empresas de diferentes setores se mobilizam para aproveitar a visibilidade do maior evento esportivo do planeta.
A competição se consolida como uma das maiores plataformas globais de exposição de marcas, movimentando bilhões em publicidade, patrocínios e ativações comerciais.
Para garantir a exclusividade dos patrocinadores oficiais, a FIFA, organizadora do evento, adota um sistema rigoroso de proteção de marcas e ativos de propriedade intelectual.
Nome oficial do torneio e do troféu, logotipos, mascotes, camisas e brasões oficiais das seleções, slogans e demais símbolos associados à competição são protegidos por registros de marca e contratos de licenciamento.
Nesse contexto, o chamado marketing de emboscada figura entre as principais preocupações da FIFA.
A prática ocorre quando empresas não patrocinadoras tentam se associar ao evento, explorando sua visibilidade para obter ganhos reputacionais ou comerciais.
O marketing de emboscada não é uma zona cinzenta. Quando há tentativa deliberada de associação indevida a marcas oficiais, estamos diante de potencial violação marcária e concorrência desleal.
Campanhas que sugiram vínculo institucional, utilizem elementos visuais similares ou promovam ações promocionais ancoradas na identidade da competição podem ser questionadas.
Grandes marcas costumam investir meses no conceito criativo de uma ação para a Copa. Sem uma revisão jurídica estruturada, esse investimento pode ficar vulnerável a questionamentos que impactam tanto a reputação, quanto resultados.
No ambiente digital, a vigilância é ainda mais intensa e acontece em tempo real.
Plataformas utilizam ferramentas automatizadas para identificar transmissões não autorizadas e usos indevidos de conteúdo protegido, o que reduz drasticamente a margem para improviso.
A mesma lógica se aplica ao mercado de apostas esportivas, já que a utilização de expressões oficiais ou a sugestão de vínculo com a competição, sem licença, pode gerar responsabilização.
Empresas interessadas em aproveitar a visibilidade do evento devem estruturar campanhas temáticas relacionadas ao futebol, mas sem utilizar ativos protegidos da organizadora.
Para ele, realizar auditoria jurídica prévia das campanhas, revisar peças publicitárias, treinar equipes de marketing e estabelecer cláusulas contratuais claras com influenciadores e parceiros são medidas preventivas.
Essas ações são fundamentais para preservar a reputação e evitar disputas futuras no ambiente de marketing de emboscada.