Para Igor Sigiani, o futuro do ESG depende de modelos de negócio que integrem eficiência econômica, colaboração e desenvolvimento das comunidades (Wasana Kunpol/Shutterstock)
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Publicado em 22 de outubro de 2026 às 17h00.
Igor Sigiani, fundador e diretor-presidente da Coopercompany, cooperativa de plataforma de infraestrutura focada em telecom, tecnologia e energia, defende que o ESG da próxima década seja incorporado ao modelo de negócio. Para o executivo, cooperativismo, colaboração e tecnologia podem ampliar a eficiência, compartilhar riscos e distribuir valor às comunidades.
Por Igor Sigiani, fundador e diretor-presidente da Coopercompany.
O próximo salto do ESG não está em criar mais uma iniciativa de sustentabilidade. Está em repensar a própria forma de fazer negócios.
Essa mudança parece simples, mas altera profundamente a discussão. Se sustentabilidade significa criar valor no longo prazo, não faz sentido tratá-la como uma agenda paralela à operação.
O impacto ambiental, social e econômico de uma organização nasce das escolhas que ela faz todos os dias: como investe, com quem se relaciona, como utiliza seus recursos, quais tecnologias adota e, principalmente, como distribui o valor que produz.
É por isso que acredito que os modelos de negócio colaborativos terão um papel cada vez mais relevante na próxima década.
Em vez de concentrar decisões, recursos e resultados, esses modelos criam mecanismos para que diferentes atores participem da construção das soluções.
A colaboração, nesse caso, não é apenas um valor institucional. É uma estratégia para aumentar a eficiência, compartilhar riscos, aproveitar conhecimentos diferentes e criar relações mais sustentáveis no longo prazo.
O cooperativismo é um exemplo concreto dessa lógica.
Quando pessoas e organizações participam de um modelo em que são, ao mesmo tempo, parte da atividade econômica e beneficiárias de seus resultados, a relação entre negócio e comunidade ganha outra dimensão.
Na minha visão, essa proximidade também produz uma vantagem competitiva.
Quem está mais conectado às pessoas e aos territórios consegue compreender melhor suas necessidades e identificar oportunidades que dificilmente aparecem em modelos mais centralizados.
Isso se torna ainda mais importante em um país como o Brasil, onde os desafios de infraestrutura, conectividade e acesso a serviços variam significativamente entre regiões.
Soluções construídas a partir da realidade local tendem a ser mais aderentes, e podem ser mais eficientes justamente por considerar as particularidades de quem está na ponta.
A tecnologia pode acelerar esse processo. Plataformas digitais, conectividade e dados permitem conectar diferentes atores, compartilhar infraestrutura e conhecimento e levar soluções colaborativas a uma escala que antes seria difícil alcançar.
O ponto central, porém, não é a tecnologia em si. É a maneira como ela é utilizada para aproximar pessoas e ampliar a capacidade de um modelo de gerar valor.
Por isso, acredito que a próxima fase do ESG exigirá uma mudança de pergunta. Em vez de olhar apenas para indicadores de impacto, será necessário olhar para a arquitetura dos negócios.
Como a empresa cresce? Quem participa desse crescimento? Quem se beneficia dele? Quais recursos são compartilhados? Que tipo de desenvolvimento é deixado nos territórios onde a organização atua?
Essas perguntas aproximam a sustentabilidade de estratégia, e é justamente aí que vejo uma das maiores oportunidades para os modelos colaborativos.
O ESG da próxima década não será definido apenas pela quantidade de projetos sociais, pelas metas ambientais ou pela qualidade dos relatórios publicados.
Esses elementos continuarão importantes, mas serão cada vez mais consequência de decisões tomadas na origem.
A sustentabilidade começa no desenho do negócio.
E organizações capazes de combinar eficiência econômica, colaboração e desenvolvimento das comunidades terão não apenas uma agenda ESG mais consistente, mas também um modelo mais preparado para um cenário em que recursos são disputados, relações são mais transparentes e a sociedade cobra cada vez mais coerência entre discurso e prática.
Talvez o grande desafio da próxima década seja justamente esse: deixar de perguntar como tornar um negócio mais sustentável e começar a perguntar como construir negócios que já nasçam sustentáveis.
* Igor Sigiani é diretor presidente da Coopercompany. Com mais de 20 anos de experiência no mercado de cooperativas, o executivo é hoje um dos nomes mais respeitados do setor. Formado em Direito pela Faculdade de Direito de Varginha (MG), o executivo iniciou sua trajetória assessorando a diretoria de um parceiro da Telemig Celular, onde obteve grande destaque, tornando-se, posteriormente, Gerente de Vendas diretamente da operadora.
Na avaliação de Igor Sigiani, o ESG precisa deixar de funcionar como uma agenda paralela e passar a orientar o modelo de negócio desde sua concepção. Para o executivo, sustentabilidade deve estar presente nas decisões sobre investimentos, recursos, relacionamentos e distribuição de valor.
Segundo Igor Sigiani, modelos colaborativos permitem que diferentes atores participem da construção de soluções e compartilhem recursos, riscos e conhecimentos. Essa estrutura pode aumentar a eficiência econômica e fortalecer relações sustentáveis no longo prazo.
O cooperativismo permite que pessoas e organizações participem da atividade econômica e também se beneficiem de seus resultados. Para Igor Sigiani, essa proximidade com as comunidades facilita a identificação de necessidades locais e a construção de soluções mais adequadas a cada território.
Plataformas digitais, conectividade e dados ajudam a conectar diferentes participantes, compartilhar infraestrutura e conhecimentos e ampliar a escala das soluções colaborativas. Igor Sigiani ressalta que o principal fator não é a tecnologia isoladamente, mas sua utilização para aproximar pessoas e gerar valor.
Na visão de Igor Sigiani, as organizações devem analisar como crescem, quem participa e se beneficia desse crescimento, quais recursos são compartilhados e que desenvolvimento deixam nas comunidades onde atuam. Essas perguntas ajudam a aproximar a sustentabilidade da estratégia empresarial.
Para Igor Sigiani, projetos sociais, metas ambientais e relatórios continuam importantes, mas devem ser consequência de decisões tomadas na origem dos negócios. O executivo defende que a consistência do ESG depende da capacidade de combinar eficiência econômica, colaboração e desenvolvimento das comunidades.