Nosso lixo vale bilhões e continuamos jogando fora

Vamos parar de falar em “gestão de resíduos” para nos concentrar em “valorização de resíduos”; quem sabe assim essa ficha caia

Por Renato Krausz*

Estamos a somente um mês do fim do novo prazo concedido às grandes cidades do Brasil para dar cabo dos lixões. Será que agora vai? Pouco provável. Aprovada em 2010, a Política Nacional de Resíduos Sólidos previa o fim de todos eles até 2014. Contudo, como quase toda meta ambiental traçada por força da lei nesses trópicos, não vingou. O prazo, então, foi estendido e escalonado pelo tamanho dos municípios.

Vence no próximo dia 2 de agosto para todas as capitais e regiões metropolitanas. Os últimos a se adequar serão os municípios com menos de 50.000 habitantes, que têm até agosto de 2024 para resolver a encrenca.

O diabo é que ainda existem cerca de 3.000 lixões espalhados pelo Brasil. No estado mais rico da Federação, São Paulo, o problema persiste em 24 municípios, segundo levantamento do Tribunal de Contas, o TCE.

Jogar fora o lixo e rasgar dinheiro são de certa forma a mesma coisa. Já estimaram em 14 bilhões de reais as perdas anuais por falta de reciclagem, mas essa é uma cifra modesta diante do potencial que existe em reinserir tudo quanto é resíduo nos processos produtivos. Quantos bilhões de reais poderiam ser gerados em energia elétrica limpa, se todo lixo orgânico virasse biogás?

O termo “gestão de resíduos”, eu aposto, apareceu em todos os ppts de ESG que você já viu até hoje. Mas está na hora de mudar esse nome para “valorização de resíduos”. Algumas instituições e empresas já fizeram essa troca de nomenclatura. Por exemplo, a Ambipar, multinacional brasileira presente em 16 países e referência mundial em gestão ambiental. Entre várias outras frentes de atuação, a companhia possui um marketplace para transformar resíduos em oportunidades de negócios.

Em 2008, levei minha filha mais velha, na época com 4 anos, para a estreia de Wall-E no cinema. O desenho conta uma história de amor entre dois robôs que se conhecem na Terra, transformada num grande lixão por uma humanidade que decide ir embora para viver e ser obesa em outro lugar do espaço sideral. No meio do filme, a Julia me cutucou e perguntou: “Papai, esse lixo todo não dava para aproveitar?” Devia dar, Ju.

Até que algo acontece e os humanos decidem voltar à Terra. Compreensível, porque por mais distante o errante navegante, quem jamais a esqueceria? E o filme termina dando a entender que a regeneração será possível. Na ficção é mais fácil. Na vida real dá mais trabalho, sem falar que não existe planeta B. Tratemos, pois, de cuidar do nosso lixo.

*Renato Krausz é sócio-diretor da Loures Comunicação

Este é um conteúdo da Bússola, parceria entre a FSB Comunicação e a EXAME. O texto não reflete necessariamente a opinião da revista.

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