Malha Central: a logística ferroviária em um novo patamar

Trecho da Ferrovia Norte-Sul, inaugurado ontem, deve movimentar 36 milhões de toneladas de produtos para o agronegócio

O agronegócio é um dos orgulhos brasileiros. O setor gerou 21,4% do PIB em 2019. Sua pujança não foi abalada nem mesmo pela pandemia. Pelo contrário, os números são notáveis, com alta acumulada de 19,66% de janeiro a novembro de 2020 – de acordo com dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, em parceria com a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil).

Parte desse crescimento se deve, sem dúvida, à evolução do transporte ferroviário. Desde 1996, quando começaram a ser concedidas à iniciativa privada, as ferrovias de cargas tiveram um salto de 95% no volume movimentado, segundo a Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF).

Esses percentuais tendem a aumentar com a concretização de um sonho de décadas: a inauguração da Ferrovia Norte-Sul.

Projetada para ser a espinha dorsal do sistema ferroviário nacional, a ferrovia foi concebida em um eixo norte-sul na região central do território brasileiro, possibilitando a conexão entre as malhas que dão acesso aos principais portos e regiões produtoras – até então regionalmente isoladas no que diz respeito aos trilhos.

Depois de 34 anos do anúncio do projeto, ocorrido em 1987, durante o governo Sarney, finalmente estamos colocando em operação um trecho importante dessa malha: 172 quilômetros entre São Simão (GO) e Estrela D’Oeste (SP).

É parte do que a Rumo vem fazendo, desde quando arrematou os 1.537 quilômetros dos tramos central e sul da Ferrovia Norte-Sul, em março de 2019, ainda com obras a serem concluídas. Como já administramos as malhas Norte, Paulista, Oeste e Sul, batizamos esta de Malha Central

Ao longo de 2020, a Companhia investiu cerca de R$ 700 milhões em obras de infraestrutura, terminais e material rodante nesta malha.

Isso nos permitiu colocar em funcionamento na manhã de ontem (4 de março) o Terminal de São Simão e o trecho correspondente até a conexão com a Malha Paulista, que segue em direção ao Porto de Santos (SP).

O Terminal de São Simão é uma sociedade entre a Rumo e a Caramuru Alimentos, empresa de Goiás com a qual já temos uma parceria consolidada no TXXXIX, em Santos (SP).

Levando em conta que o prazo para iniciar o atendimento ao mercado na Malha Central era até agosto deste ano, antecipamos em cinco meses este início.

Durante o processo de conclusão do trecho São Simão-Estrela D’Oeste foram gerados 290 empregos diretos e mais de 1.000 indiretos. As obras incluíram quatro pontes entre os estados de Goiás, Minas Gerais e São Paulo; um pátio de ligação em Estrela D´Oeste; e a implantação dos trilhos que restavam para conectar os três Estados.

E vem mais terminais por aí: o de Rio Verde (GO) está previsto ainda para o primeiro semestre deste ano. O de Iturama (MG), até o primeiro semestre de 2022 – um terminal para movimentação de açúcar, a cargo da Usina Coruripe.

A Malha Central tem potencial para movimentar uma produção agrícola de mais de 36 milhões de toneladas. Goiás será o grande polo, com 20 milhões. Os dois novos terminais goianos também movimentarão 12 milhões de toneladas de grãos do leste de Mato Grosso, que abrange municípios como Querência, Água Boa e Canarana. O Estado de Tocantins também será atendido.

O investimento vai mudar a dinâmica regional, que não contava com uma logística eficiente. Com esse primeiro trecho operacional da Malha Central, os trens oriundos da região passam a ter acesso ao Porto de Santos (SP), o mais estruturado do Brasil para exportação de grãos.

Mais: serão criados cerca de 2.000 empregos diretos e indiretos. Outros tantos devem surgir com a influência desse empreendimento na economia regional.

São números expressivos, que revelam o quanto a Malha Central será relevante. É um projeto ferroviário complexo, entregue cinco meses antes do prazo, o que demonstra uma grande capacidade de execução e o compromisso com o desenvolvimento brasileiro.

Os reflexos positivos serão duradouros. Ao proporcionar mais eficiência, segurança e produtividade para movimentar cargas e bens de consumo, a ferrovia vai elevar a logística nacional a um novo patamar, gerando reflexos positivos para diversas gerações.

* João Alberto Abreu é CEO da Rumo

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