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ESG: Combate à pobreza e sustentabilidade, ou as metas ainda longínquas

Vontade política e prioridade para o que realmente importa são premissas fundamentais para virar esse jogo

A pobreza é multidimensional e interligada (Getty Images/Getty Images)

A pobreza é multidimensional e interligada (Getty Images/Getty Images)

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Danilo Maeda

29 de novembro de 2022, 14h30

Nas últimas semanas, mencionamos de forma recorrente a necessidade de ambições mais altas para cortes de emissões de Gases de Efeito Estufa, pelo fato de que ainda existir um largo espaço entre os compromissos assumidos atualmente e a mudança necessária para conter o aquecimento global no limite de 1,5ºC estabelecido no Acordo de Paris – a soma das novas NDCs (Contribuições Nacionalmente determinadas, na sigla em inglês) ainda somam emissões que representam 2,4º C de elevação.

Mas esta não é a única grande meta global que corre o risco de não ser atingida. Outro compromisso atualmente sob risco, também com consequências perversas, é o de baixar a 3% a pobreza extrema até 2030. Segundo uma análise do Banco Mundial,  é muito pouco provável que este objetivo seja atingido, devido a efeitos da pandemia e da guerra na Ucrânia.

O Relatório Pobreza e Prosperidade Compartilhada explica que “em 2015, a taxa global de extrema pobreza havia sido reduzida em mais da metade. Desde então, o ritmo de redução da pobreza diminuiu juntamente com o crescimento econômico global . As convulsões econômicas provocadas pelo covid-19 e, posteriormente, a guerra na Ucrânia produziram uma reversão total. Ficou claro que a meta global de acabar com a pobreza extrema até 2030 não será alcançada. Dadas as tendências atuais, 574 milhões de pessoas – quase 7% da população mundial – ainda viverão com menos de US$ 2,15 por dia em 2030”.

Quando consideramos o aspecto multidimensional da pobreza – que na métrica do Índice Multidimensional de Pobreza (MPI) criado pelo PNUD e pela Iniciativa Oxford de Pobreza e Desenvolvimento Humano considera 10 indicadores abrangendo saúde, educação e padrão de vida – o problema fica ainda maior: ao menos 1,2 bilhão de pessoas vivem na chamada pobreza multidimensional aguda. Metade dessas pessoas (593 milhões) são crianças menores de 18 anos.

Um dos aspectos importantes para estratégias que busquem mitigar tal situação é que a pobreza é multidimensional e interligada. Ou seja, as restrições experimentadas por pessoas pobres mudam de acordo com a região, cultura e economia em que estão inseridas. As estratégias de resposta a tais situações devem considerar essa complexidade. Segundo o relatório mais recente do MPI, a redução da pobreza é possível e os exemplos de sucesso destacam que as “políticas de alto impacto tendem a ir além dos silos institucionais e abordar as dimensões interligadas da pobreza.”

Para o Banco Mundial, os impostos podem ter papel relevante no desenvolvimento de tais estratégias. “A política fiscal – usada com prudência e considerando as condições iniciais do país em termos de espaço fiscal – oferece oportunidades para os formuladores de políticas nas economias em desenvolvimento intensificarem a luta contra a pobreza e a desigualdade”, atesta em relatório.

Os caminhos para estruturação de estratégias de impacto na redução da pobreza podem ser compreendidos no detalhe nos relatórios citados acima e outros tantos que estudam o tema. A premissa fundamental é vontade política e prioridade para o que realmente importa. Neste caso, não apenas o futuro, mas o presente que clama por atendimento a necessidades básicas. Da mesma forma que procuram fazer com compromissos ESG, é preciso que instituições e organizações se engajem no processo. Não existe geração de valor em meio à pobreza.

*Danilo Maeda é head da Beon, consultoria de ESG do Grupo FSB

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