O domínio de um segundo idioma vai além da fluência: desenvolve o cérebro e prepara jovens para um mercado globalizado e interconectado (StockPlanets/Getty Images)
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Publicado em 24 de janeiro de 2026 às 07h00.
Por Santuza Bicalho*
O Dia Internacional da Educação, celebrado em 24 de janeiro, é um convite à reflexão sobre como estamos preparando as crianças e jovens brasileiros para um mundo cada vez mais interconectado.
Em um cenário global, marcado pela circulação intensa de conhecimento, pessoas e ideias, a educação bilíngue se consolida como uma das ferramentas mais estratégicas para ampliar horizontes e promover inclusão, autonomia e protagonismo.
O inglês, hoje, é a língua predominante da ciência, da inovação, da tecnologia e dos negócios. Falado por cerca de 1,5 bilhão de pessoas no planeta, o idioma funciona como uma ponte de acesso ao conhecimento global.
Cerca de 5% dos brasileiros têm alguma noção do idioma, e menos de 1% da população pode ser considerada fluente – números que mostram que há um amplo espaço para evolução na proficiência em inglês da população, e evidenciam o tamanho da oportunidade diante de nós.
O Brasil tem avançado nessa agenda, um movimento que já é visível. Hoje, o País conta com mais de 1,2 mil escolas bilíngues, número que cresce ano após ano.
Segundo dados do Ministério da Educação (MEC), a procura por esse modelo de ensino aumentou significativamente em 2023, com destaque para grandes centros urbanos como São Paulo, Rio de Janeiro e o Distrito Federal.
Tal cenário sinaliza uma transformação estrutural: a educação bilíngue deixa de ser exceção e passa a integrar, cada vez mais, o debate sobre qualidade e equidade educacional.
O crescimento do ensino bilíngue brasileiro reflete uma maior consciência, por parte das famílias e de educadores, de que o processo de aprendizagem através de um segundo idioma é mais eficaz quando começa cedo.
São diversos os estudos científicos que apontam a infância e a adolescência como períodos de alta plasticidade cerebral, proporcionando uma aquisição linguística de forma mais natural, profunda e duradoura.
Integrado de forma intencional ao currículo da educação básica, o ensino bilíngue contribui para o desenvolvimento de competências essenciais do século XXI, como pensamento crítico, criatividade, flexibilidade cognitiva e abertura cultural.
Assim, são formados cidadãos capazes de dialogar com o mundo, preparando-os para atuar com confiança em contextos diversos, multiculturais e complexos, sem abrir mão da identidade e cultura locais.
No campo profissional, os benefícios são evidentes. O domínio de outros idiomas amplia as possibilidades de carreira, favorece a mobilidade social e está associado a melhores perspectivas de crescimento.
Uma pesquisa da Catho mostrou que profissionais fluentes em inglês podem ganhar até 70% a mais do que aqueles que não falam o idioma; e em cargos de liderança, essa diferença chega a 61%.
Investir em educação bilíngue é uma escolha estratégica para acelerar o desenvolvimento. O futuro de uma nação e de seus cidadãos passa, necessariamente, pela valorização do ensino de qualidade e por escolhas educacionais alinhadas aos desafios globais.
A educação bilíngue é uma dessas escolhas. Quando bem estruturada, ela ensina através de outros idiomas, ampliando repertórios, fortalecendo a autoconfiança dos alunos e criando bases sólidas para uma trajetória acadêmica e profissional mais conectada ao mundo.
Ampliar o acesso a uma formação bilíngue de qualidade é assegurar, de forma concreta, as oportunidades de participação do Brasil no cenário global, ampliando a empregabilidade e fortalecendo a inserção das atuais e futuras gerações nas cadeias globais de conhecimento e inovação.
*Santuza Bicalho tem mais de 25 anos de experiência executiva, tendo ocupado cargos de liderança, orientando companhias de diversos portes, desde empresas familiares até instituições de capital aberto e entidades governamentais. Atualmente é Managing Director da International Schools Partnership no Brasil, liderando a gestão estratégica e operacional da subsidiária brasileira do grupo.