Dados sob ataque. O que fazer?

Felipe Palhares, sócio da área de Proteção de Dados, Tecnologia e Negócios Digitais do BMA Advogados, fala sobre a importância das Privacy Techs para proteção de dados

Está preocupado com os vazamentos recentes de dados que não saem das manchetes de jornais? Então você precisa saber mais sobre Privacy Techs. Abaixo, 4 perguntas para Felipe Palhares, sócio da área de Proteção de Dados, Tecnologia e Negócios Digitais do BMA Advogados e um dos maiores especialistas sobre o tema.

1) O que é uma privacy tech e como ela contribui para a segurança da inovação?

Privacy Techs são empresas que ofertam produtos ou serviços relacionados à privacidade e proteção de dados, focados em resolver problemas de conformidade com as legislações atualmente vigentes ou de garantir maior privacidade aos usuários ou mesmo de implementar técnicas que permitem maior proteção aos dados tratados, como métodos de pseudonimização ou anonimização.

Essas novas startups contribuem para o desenvolvimento de um mercado no qual a segurança da informação é cada vez mais vital e a preocupação com privacidade e proteção de dados se torna um diferencial competitivo.

2)  Qual é a relevância das privacy techs no universo das startups?

O nicho das privacy techs ganhou mais relevância nos últimos anos, especialmente em decorrência da entrada em vigor de legislações de proteção de dados pessoais mais severas, a exemplo do GDPR na Europa, no CCPA na Califórnia e da LGPD no Brasil. Hoje, no mercado, já existem privacy techs que inclusive se tornaram unicórnios, com valor de mercado superior a US$ 1 bilhão.

3) Como convencer a alta direção das empresas sobre a aquisição de programas de privacidade se os benefícios ainda são poucos tangíveis?

Mostrando a realidade recorrente. Ao longo das últimas semanas, diversos vazamentos de dados catastróficos, envolvendo mais de 200 milhões de pessoas, foram divulgados no mercado.

Da mesma forma, organizações que não se atentam para aspectos de privacidade e proteção de dados perdem clientes de modo abrupto, a exemplo do caso da atualização das políticas de um conhecido serviço de mensageria privada. Os benefícios são pouco tangíveis apenas para quem não presta atenção ao que vem acontecendo ao redor do mundo, especialmente nesse período de pandemia, no qual o home office se tornou uma verdade constantes e, para muitas empresas que já decidiram não retornar ao trabalho presencial, um fato perene.

A digitalização forçada das empresas deve tornar as preocupações com proteção de dados e segurança da informação cada vez maiores, visto que o impacto à imagem e à reputação da empresa no evento de um vazamento de dados é imenso e, às vezes, irreparável. Nesse cenário, programas de governança em privacidade não são um custo, mas um investimento, que tende a trazer resultados positivos para as empresas que perceberem o valor da privacidade.

4) A aprovação da Lei geral de proteção de dados fomentou o mercado de Privacy Tech no Brasil? Esse tipo de empresa resolve o problema de adequação à LGPD?

Sim, a aprovação da LGPD e a recente entrada em vigor da legislação tem aquecido o mercado de privacy techs no Brasil, tanto para empresas brasileiras quanto para empresas internacionais que viram o tamanho do mercado existente no Brasil para seus produtos/serviços.

Esse movimento, inclusive, aconteceu também ao redor do mundo, em outros países que aprovaram leis de proteção de dados mais compreensivas e que demandam a estruturação de um programa de governança. Os produtos/serviços ofertados pelas privacy techs relacionados à conformidade com a legislação ajudam em vários cenários, mas não resolvem, isoladamente, o problema de adequação à LGPD.

Não há nenhuma solução plug-and-play que, num passe de mágica, ou no apertar de um botão, tornará a empresa compliant com a legislação. Pelas próprias características da LGPD, de ser uma lei que envolve aspectos de tecnologia e de segurança da informação, um projeto de adequação sempre será multidisciplinar, envolvendo profissionais das áreas de TI, SI e jurídico.

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