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Por que pedir conselho à IA pode ser mais perigoso do que decidir sozinho, segundo especialistas (SvetaZi/Getty Images for National Geographic Magazine)
Jornalista
Publicado em 11 de junho de 2026 às 16h18.
Última atualização em 11 de junho de 2026 às 16h21.
Um estudo da Universidade de Oxford identificou um padrão preocupante: modelos de inteligência artificial treinados para parecerem amigáveis tendem a confirmar o que o usuário quer ouvir – mesmo quando a percepção do usuário está errada.
E isso tem se tornado cada vez mais comum. Especialistas explicam que os chatbots de inteligência artificial podem parecer aliados valiosos diante de conflitos e dúvidas profissionais, mas nem sempre entregam as orientações mais adequadas. Isso porque a IA não conhece sua personalidade, não compreende a dinâmica da sua equipe, não consegue avaliar seu momento na empresa, nem as possíveis consequências da atitude ou conversa sugerida.
Segundo o psicólogo organizacional Peter Stewart, falta aos sistemas de IA uma característica essencial para oferecer aconselhamento eficaz: a compreensão situacional. Embora sejam capazes de processar grandes volumes de informação e formular respostas coerentes, eles não têm acesso às nuances humanas que influenciam decisões no ambiente corporativo.
Como resultado, muitas recomendações tendem a ser genéricas e superficiais, desconsiderando fatores como contexto, histórico de relacionamentos, cultura organizacional e intenções envolvidas em cada situação. Em questões delicadas de carreira, liderança ou convivência no trabalho, o apoio de colegas, gestores, mentores ou profissionais qualificados continua sendo a alternativa mais confiável.
“Se você quiser praticar, pode ser útil, mas eles não serão os melhores tomadores de decisão para você” , afirma Stewart.
Os modelos de IA reproduzem informações que coletaram de diversas fontes - que nem sempre são corretas e confiáveis — mas, além disso, buscam apresentar respostas que satisfaçam os anseios do usuário. E isso pode se tornar um problema.
Segundo o estudo da Universidade de Oxford, a IA pode reforçar percepções equivocadas e transmitir uma falsa sensação de segurança. Quando isso acontece em decisões relacionadas à carreira ou ao ambiente de trabalho, o risco é transformar uma orientação aparentemente útil em um fator que contribui para escolhas mal fundamentadas.
"Conselhos acríticos podem fazer mais mal do que a ausência de conselhos", afirma o cientista da computação Pranav Khadpe, que também colaborou para o estudo.
No fim das contas, a inteligência artificial pode ser um recurso útil para organizar ideias, explorar possibilidades ou simplesmente ensaiar como comunicar algo difícil. O problema não está na ferramenta em si, mas na forma como ela é utilizada e, principalmente, no peso que se dá às respostas que ela oferece.
Decisões profissionais relevantes raramente cabem em um prompt. Elas envolvem histórias, relações, contextos e consequências que nenhum modelo de linguagem é capaz de captar por completo. Por isso, usar a IA com consciência significa reconhecer seus limites: ela pode ajudar a pensar, mas não deve ser quem decide.