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COP27: Brasil pode ser líder em hidrogênio verde, diz diretor da Unigel

Como insumo, combustível ou fonte de energia, hidrogênio deve ser um dos principais fatores para adoção de uma matriz energética de baixo carbono
Unigel investiu US$ 120 milhões em sua fábrica. (Unigel/Divulgação)
Unigel investiu US$ 120 milhões em sua fábrica. (Unigel/Divulgação)
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Ana BuschPublicado em 16/11/2022 às 07:46.

Com condições climáticas privilegiadas para sua fabricação, o Brasil tem todas as condições de assumir a liderança mundial no mercado de hidrogênio verde. Essa é a avaliação de Edson Alves, diretor de Estratégia e Inovação da Unigel, primeira fabricante brasileira do insumo.

"Somos um país com água, sol e vento em abundância e, uma vez que já temos as condições climáticas ideais, o incentivo em políticas públicas em consonância com a iniciativa privada fará com que esse se torne um setor ainda mais efervescente não só no sentido da sustentabilidade, mas também na geração de empregos", diz.

O hidrogênio verde é uma das principais soluções para a adoção de uma matriz energética de baixo carbono. Suas aplicações vão desde a indústria de fertilizantes até como fonte de energia para turbinas.

Em entrevista à Bússola, Alves fala sobre o impacto que a produção de hidrogênio pode ter sobre a indústria e sobre como a Unigel se transforma para colaborar com um mundo mais sustentável.

Bússola: O hidrogênio verde é uma das sensações do momento, e não apenas na COP27. É um tema que coloca o Brasil em destaque no mundo todo. A Unigel é a primeira fabricante brasileira do insumo. Qual é o potencial real do Brasil em relação à produção de hidrogênio verde e como isso pode colaborar para o desenvolvimento de políticas sustentáveis mais efetivas para o país?

Edson Alves: O Brasil é um país com plena capacidade de assumir a liderança desse mercado, pois conta com condições privilegiadas para a fabricação do hidrogênio verde. Temos uma matriz energética de fonte renovável que já é referência para o mundo. Somos um país com água, sol e vento em abundância e, uma vez que já temos as condições climáticas ideais, o incentivo em políticas públicas em consonância com a iniciativa privada fará com que esse se torne um setor ainda mais efervescente não só no sentido da sustentabilidade, mas também na geração de empregos e na credibilidade de ser um país que investe em operações industriais que reduzem a emissão dos gases de efeito estufa de ponta a ponta, deixando um futuro melhor para o planeta.

O hidrogênio verde é um vetor de diversos setores da economia e, se impulsionado, pode ser fundamental para a economia de baixo carbono no Brasil e no mundo.

Bússola: O hidrogênio verde tem se apresentado como uma das principais soluções para a adoção de uma matriz energética de baixo carbono na indústria. Por que essa solução demorou tanto para ganhar destaque no mercado?

Edson Alves: O hidrogênio, de fato, se mostra como uma das principais soluções para a adoção de uma matriz energética de baixo carbono em diversas indústrias, uma vez que conta com diversas aplicações, como matéria-prima na siderurgia, nos fertilizantes e no refino de petróleo; como combustível, para veículos de passageiros; para frete ferroviário e para navios graneleiros; como fonte de energia para aquecimento e uso em turbinas; entre outros.

Como toda solução de alto impacto, necessita de tempo para que se consolide a tecnologia que promova uma operação viável com desenvolvimento de equipamentos e logística estruturada.

Nos últimos anos, convivemos com um esforço mundial em busca da transformação da matriz energética e, hoje, estamos em um momento de implementação dessa nova possibilidade. As políticas públicas e conferências de diversos órgãos mundiais, como o caso da COP27 por exemplo, têm o papel de intensificar ainda mais esse processo.

Diversos governos espalhados pelo mundo têm definido metas de sustentabilidade cada vez mais rigorosas e criando mecanismos de fomento, como as políticas de crédito de carbono. Tudo isso fará com que esse processo se acelere cada vez mais.

Bússola: O grande objetivo das reuniões da COP é discutir os efeitos e buscar soluções para as mudanças climáticas sobre o futuro do planeta. Como a Unigel trabalha essas questões institucionalmente e que ações de impacto a companhia vem desenvolvendo que colaboram para a construção de uma sociedade capaz de equilibrar desenvolvimento ambiental e econômico?

Edson Alves: A Unigel é uma empresa focada em investimentos que permitam a descarbonização de suas operações e que, ao mesmo tempo, também contribuam com soluções para a indústria. Somos a primeira empresa que aposta em uma operação em larga escala, tendo o investimento inicial de US$ 120 milhões.

A fábrica deve entrar em operação até o final de 2023. A sua primeira fase tem capacidade de produção de 10 mil toneladas/ano de hidrogênio verde e de 60 mil toneladas/ano de amônia verde.

Na segunda fase do projeto, prevista para entrar em operação até 2025, a companhia deve quadruplicar a produção de hidrogênio e amônia verdes. Além disso, essa fabricação já é um desdobramento de outras ações que a empresa tem feito nesse sentido, como a parceria para produção de energia eólica, em valor superior a R$ 1 bilhão, com a Casa dos Ventos, uma das maiores empresas de geração de energia a partir de fontes renováveis do País.

Bússola: A Unigel se posiciona no mercado como uma organização atenta e preocupada com o desenvolvimento sustentável. Que ações a empresa adota em sua cadeia produtiva que impactam as comunidades onde está inserida?

Edson Alves: A Unigel conta com uma área de Sustentabilidade criada em 2019 para sistematizar as inúmeras iniciativas de nossa gestão socioambiental e, em 2021, iniciamos o desenvolvimento do Programa de Sustentabilidade para fortalecer a integração dos aspectos econômicos, ambientais, sociais e de governança em nossa estratégia e modelo de negócio.

Vou mencionar alguns pontos de destaque. Na área de energia, em 2021, firmamos parceria com a Casa dos Ventos, maior desenvolvedora de projetos de geração de energia por meio de fontes renováveis no Brasil. Com ela, evitaremos a emissão anual de mais de 200 mil toneladas de CO₂ por ano, o equivalente ao plantio de mais de 1 milhão de árvores. O projeto vai gerar  mais de 500 empregos diretos e indiretos.

Adquirimos 1 milhão de certificados de energia renovável Recfy da Eletrobras Furnas, que permite a comprovação da origem renovável da energia consumida no ano. Dessa forma, compensamos cerca de 80% das emissões de CO₂ equivalente relacionadas à energia elétrica usada em todas as operações no Brasil em dois anos.

Também geramos energia por meio de resíduos. Em nossa planta de poliestireno em São José dos Campos (SP), parte do material que não é convertido em produto final segue para a unidade do Guarujá (SP). Todo o material não convertido é reaproveitado como energia térmica para o forno da planta, reduzindo o consumo de óleo diesel.

Desde 2019, definimos uma parceria com a empresa Santa Luzia, que tem o objetivo de incentivar o fomento da economia circular com a reintrodução de resíduos na cadeia do processo produtivo.

Na área de produtos, lançamos em outubro de 2020 nossa marca de produtos sustentáveis, a Ecogel. A marca, que trabalha em duas frentes de produtos, Eco-plastic e Biobased, tem como proposta valorizar os itens já produzidos por nós e promover a circularidade dos plásticos e o desenvolvimento de produtos sustentáveis de forma a minimizar os impactos do descarte inadequado no meio ambiente.

Realizamos ainda o que chamamos de reciclagem química. Os materiais que passam pelo processo são provenientes de nossas plantas – a exemplo de rejeitos, rebarbas de chapas acrílicas e produtos fora de especificação. Também adquirimos esses materiais gerados em nossos clientes, além de trabalharmos com empresas coletoras especializadas, proporcionando a logística reversa e a reinserção dos materiais em nosso e nosso processo produtivo. Em 2021, produzimos mais de 2000 toneladas de metil metacrilato por meio de material reciclado.

Também trabalhamos na área social. No município de Candeias, a empresa mantém o Centro de Educação Gisella Tygel, em parceria com a prefeitura, que atende gratuitamente cerca de 850 alunos de dois a 11 anos de idade. Em 2021, estabelecemos parceria com a Prefeitura Municipal de Laranjeiras (SE) para a criação de uma nova escola em prédio de grande porte, próximo à nossa fábrica, para atender comunidades em situação de vulnerabilidade.

Por fim, pelo segundo ano consecutivo, fomos reconhecidos pela Ecovadis, uma ação setorial que promove práticas de sustentabilidade na cadeia de suprimentos da indústria química, com a medalha de ouro pelas nossas ações voltadas para a sustentabilidade. E fomos certificados pelo CDP, organização sem fins lucrativos cujo objetivo é criar uma relação entre acionistas e empresas focada em oportunidades de negócio decorrentes do aquecimento global.

Bússola: A Unigel vai participar da COP27. O que a companhia vai levar para a conferência?

Edson Alves: Sim. A empresa estará presente no Espaço Brasil para o debate “Ações para o Desenvolvimento do Mercado De Hidrogênio Verde no Brasil”, no dia 16 de novembro, às 10h, promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). E no dia 17, às 9h, também no Espaço Brasil, a Unigel terá a oportunidade de apresentar a fábrica de hidrogênio verde da Unigel em discussão promovida pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA).

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