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Como um C-level deve se informar para tomar melhores decisões?

Executivos consomem cada vez mais conteúdo, mas precisam desenvolver critérios para separar o que importa do que distrai

Executivos enfrentam excesso de informação e precisam criar filtros para transformar conteúdo em decisões melhores (Stock 4you/Shutterstock)

Executivos enfrentam excesso de informação e precisam criar filtros para transformar conteúdo em decisões melhores (Stock 4you/Shutterstock)

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Publicado em 19 de setembro de 2026 às 13h00.

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Por Cristián Sepúlveda é executivo, empreendedor e conselheiro*

Um C-level começa o dia com notícias no celular, passa por mensagens de equipes e clientes, acompanha o LinkedIn, recebe newsletters, participa de reuniões e, entre uma atividade e outra, consulta uma ferramenta de inteligência artificial. Ao fim do dia, consumiu dezenas, talvez centenas de de informações. Mas quantas delas ajudaram, de fato, a tomar decisões melhores?

Esse é um dos efeitos da chamada infoxicação: o excesso de informação disponível transforma a atenção em um recurso cada vez mais escasso. O problema não está apenas na quantidade de conteúdo, mas também na dificuldade de distinguir o que é realmente relevante daquilo que apenas parece urgente.

Uma pesquisa recente ajuda a dimensionar esse cenário: 107 executivos de direção, vice-presidência e presidência, de 13 setores da economia, foram ouvidos sobre seus hábitos de consumo de informação. Cerca de 90% dos entrevistados trabalham em grandes empresas e dedicam, em média, duas horas por dia ao consumo de informações. Desse total, 73 minutos são destinados ao noticiário geral, segundo dados do Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados (IBPAD).

Essa rotina, porém, está longe de se concentrar em uma única fonte. Sites e portais de notícias são utilizados por 64% dos executivos como fonte de informação geral. Newsletters e Instagram aparecem com 21% cada, enquanto podcasts e aplicativos de mensagens são citados por 17%. Entre esses formatos, o podcast foi o que mais avançou em relação a 2021.

Ao mesmo tempo, a multiplicação dos canais digitais não significou perda de espaço para a imprensa tradicional. Em 2026, 84% dos entrevistados disseram ter um jornal impresso favorito, ante 47% em 2021.

O uso de chatbots de inteligência artificial para acompanhar notícias também cresceu. Entre 90% dos entrevistados que trabalham com IA, 28% usam a ferramenta para se informar.

Como criar um filtro informacional

Para um executivo, isso significa que a informação chega por todos os lados, em diferentes formatos e com diferentes níveis de profundidade e confiabilidade. Por isso, o C-level precisa construir um bom “filtro informacional”.

O primeiro passo é identificar quais assuntos realmente podem afetar o negócio. Uma mudança regulatória pode exigir acompanhamento diário; uma tendência de consumo talvez mereça uma análise semanal; uma notícia viral pode ser apenas um sinal para investigar, e não necessariamente um motivo para agir.

Também é preciso diferenciar descoberta de confirmação. Redes sociais são ótimas para mostrar rapidamente o que está acontecendo, mas decisões relevantes exigem voltar à fonte original, consultar dados e ouvir perspectivas diferentes.

O papel da inteligência artificial na tomada de decisão

A inteligência artificial pode ser uma aliada importante em todo esse processo. Pode resumir relatórios, comparar documentos, cruzar informações e organizar grandes volumes de conteúdo. Mas existe uma diferença fundamental entre usar a IA para processar informação e usá-la como base para formar um julgamento.

A tecnologia pode ampliar a capacidade de análise do líder, mas a responsabilidade de interpretar o contexto, avaliar as implicações e decidir o que fazer continua sendo humana.

Estar bem informado não significa consumir mais informação, mas desenvolver critérios para saber o que merece atenção, o que precisa ser verificado e o que pode ser simplesmente ignorado.

* Cristián Sepúlveda é executivo, empreendedor e conselheiro que ajuda empresas a navegar pelas transformações que estão redesenhando os negócios: como atendem seus clientes, para quem vendem em uma sociedade que envelhece e como se reinventam por meio da inovação.

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