Líderes enfrentam pressão crescente por atualização e impacto na saúde mental (Gorgev/Shutterstock)
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Publicado em 1 de maio de 2026 às 10h00.
Por Daniel Spinelli*
Tem algo acontecendo nas organizações que não aparece nos relatórios. Líderes mais cansados do que deveriam. Equipes funcionando, mas sem vitalidade.
Decisões tomadas de forma cada vez mais instável. Por fora, tudo segue operando. Por dentro, algo se deteriora. E não tem relação com falta de competência.
Muitas dessas pessoas estão mais preparadas do que nunca, estudam mais e têm acesso a mais informação do que em qualquer outro momento da história.
A conversa sobre inteligência artificial trouxe um novo elemento de pressão para dentro da liderança.
Não é apenas sobre aprender novas ferramentas. É também sobre não ficar para trás.
Mas esse movimento tem um efeito colateral: quando a atualização vira corrida de sobrevivência, ela começa a deslocar o eixo.
A atenção sai do que realmente importa e passa a ser capturada pela aleatoriedade, afogando em excesso de informação.
Manter-se atualizado tecnicamente, quando não feito com sabedoria e visão ampla, pode gerar um efeito colateral grave: desorganização interna e organizacional.
Os números confirmam o que o olho clínico já percebia. Em 2025, o Brasil registrou 546.254 afastamentos por transtornos mentais, novo recorde histórico.
Houve crescimento de 15,7% em relação ao ano anterior, segundo o Ministério da Previdência Social. Ansiedade e depressão já são o segundo maior motivo de afastamento.
Ficam atrás apenas de doenças da coluna. E o burnout em líderes é ainda mais difícil de identificar.
Isso ocorre porque seus sinais costumam ser mascarados por uma atitude de "tudo sob controle".
Esse é o tipo de obsolescência que começa a aparecer junto com essa corrida por atualização.
A que vem da perda de qualidade humana no ambiente organizacional, a começar pela própria liderança.
Ao longo da minha trajetória, transitando entre o mundo corporativo e o estudo da mente humana, uma coisa fica cada vez mais clara.
A maioria das pessoas aprende a operar melhor o ambiente. Poucas aprendem a operar melhor a própria mente diante dele.
O cenário atual exige amplitude. Conseguir acompanhar o que está acontecendo fora sem perder esse olhar interno.
Quando isso não acontece, surgem distorções cada vez mais comuns: líderes atualizados tomando decisões reativas e profissionais brilhantes com dificuldade de cultivar relações maduras.
Tenho visto caminhos que fazem diferença. Trago três para compartilhar:
Uma forma simples de manter o eixo é parar uma vez por semana e responder três perguntas:
No ritmo atual, o risco não é apenas não acompanhar. É perder a si mesmo no processo.
Estamos entrando numa fase que demanda uma nova dimensão de liderança. Acredito que pode ser uma ótima fase, para quem se atualizar internamente também.
*Daniel Spinelli é especialista em liderança, palestrante, mentor e autor do livro best-seller A potência da liderança consciente.