Dólar tem queda contínua e empresas brasileiras podem ganhar novos investimentos internacionais ( user3222645/Freepik)
Plataforma de conteúdo
Publicado em 12 de fevereiro de 2026 às 07h00.
Após encerrar 2025 com uma desvalorização próxima de 10% frente a uma cesta de moedas, a pior performance desde a década de 1970, o dólar seguiu pressionado neste início de ano.
A situação da moeda americana — reflexo de tensões comerciais, incertezas fiscais e a expectativa de mudança no ciclo monetário do Federal Reserve — provoca um cenário cambial favorável a setores sensíveis a câmbio e juros, como:
O cenário cambial mais benigno começa a se refletir de forma direta no mercado, com redução do custo de capital, melhora das condições de financiamento e retomada de projetos que haviam sido represados pela volatilidade.
“A continuidade da queda global do dólar e a valorização do real reduzem o custo de capital e devolvem previsibilidade ao planejamento das empresas brasileiras”, afirma André Matos, CEO da MA7 Negócios.
Segundo ele, esse novo patamar cambial permite destravar projetos estruturais que estavam suspensos e melhora as condições de financiamento em um ambiente ainda marcado por cautela.
“Quando o câmbio deixa de ser um fator de estresse, as empresas brasileiras conseguem reorganizar cronogramas, revisar investimentos e voltar a pensar em crescimento”, explica.
O mercado financeiro global entrou em 2026 sob um novo regime de precificação de risco, marcado por maior seletividade, realocação de portfólios e perda de protagonismo do dólar como ativo de proteção automática.
O índice DXY passou a operar próximo aos menores níveis em quase 4 anos, enquanto investidores globais reduziram posições defensivas e ampliaram exposição a ativos de maior risco.
No Brasil, esse movimento se traduziu em uma apreciação mais consistente do real, com o dólar comercial oscilando na faixa de R$ 5,20, sustentado pela entrada de capital estrangeiro, melhora relativa do diferencial de juros e reprecificação do risco Brasil nos mercados internacionais.
O pano de fundo desse cenário segue sendo a política comercial dos Estados Unidos e seus efeitos sobre o fluxo financeiro internacional.
O tarifaço adotado pelo governo Trump, com alíquotas que chegaram a 50% sobre produtos de parceiros estratégicos como Brasil, Canadá e União Europeia, elevou a percepção de risco institucional da economia americana e acelerou o processo de desdolarização observado nos últimos trimestres.
Investidores institucionais passaram a reduzir exposição ao dólar e a buscar diversificação geográfica, ampliando posições em economias emergentes e blocos regionais. Nesse rearranjo, moedas como o real passaram a capturar parte desses fluxos, favorecidas por fundamentos relativos mais sólidos no curto prazo.
Mesmo em um ambiente ainda marcado por incertezas geopolíticas, Matos acredita que a trajetória mais fraca do dólar inaugura um novo ciclo de competitividade para o Brasil.
Analistas avaliam que o momento abre uma janela rara de reposicionamento econômico, capaz de destravar investimentos, ampliar a presença internacional das empresas brasileiras e reforçar a percepção do país como destino estratégico para o capital estrangeiro.
“Esse não é um movimento pontual. Trata-se de uma mudança de regime que pode redesenhar decisões de investimento ao longo de todo o ciclo. Quem entender isso cedo vai capturar oportunidades que não voltam com frequência”, conclui André Matos.