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Com casos e mortes em alta, inverno amplia risco de novo repique da covid

Brasil ultrapassou a marca de 500 mil mortes e taxa de transmissão demonstra que contágio está acelerado

Por Marcelo Tokarski*

Nesta segunda, começou oficialmente o inverno no Brasil, que traz junto com ele uma ameaça de agravamento da pandemia de covid-19 no país. Isso porque, com temperaturas mais baixas, as pessoas tendem a ficar em espaços mais fechados, o que favorece a contaminação pelo SARS-CoV-2.

E, nas últimas duas semanas, quando os termômetros já marcaram temperaturas mais baixas em boa parte do país, o contágio se acelerou fortemente. A média móvel de novos casos registrados por dia saltou de 57.542 em 9 de junho para 73.595 ontem, um crescimento de 28%. Estamos nos aproximando do patamar recorde de toda a pandemia (77.129 novos casos por dia), registrado em 27 de março.

A taxa de transmissão (Rt) hoje no país está em 1,07, segundo o Imperial College de Londres. Sempre que está acima de 1,0, significa que o contágio está acelerado. O 1,07 indica que cada 100 pessoas infectadas transmitem o vírus para outras 107, o que aponta para o aumento do número diário de casos registrados nos próximos dias.

Com o contágio acelerado, o número de óbitos voltou a apresentar altas significativas. Na quarta-feira passada, o indicador superou novamente a casa das 2.000 mortes diárias, onde está desde então, chegando neste domingo a 2.063. É a maior média móvel desde 1º de abril.

Na comparação com duas semanas atrás, quando voltou a subir, a média móvel de mortes apresenta crescimento de 26%. Na semana terminada neste domingo, foram registradas 14.424 mortes por coronavírus em todo o país. Foi a pior em seis semanas consecutivas.

Com a chegada do frio em boa parte do país, a tendência é de aumento de casos e mortes. Para ter uma ideia, no ano passado morreram por covid-19 no Brasil 88.132 ao longo dos três meses de inverno, 76% mais do que nos três meses anteriores, de outono. Claro que o inverno e suas baixas temperaturas não são a única explicação, pois na época a pandemia acelerava no Brasil, mas as estações climáticas têm influência sobre o comportamento das pessoas e, consequentemente, do vírus.

500.000

Neste fim de semana, o Brasil rompeu a trágica barreira das 500.000 mortes. Já chegamos a 501.825 vítimas da covid-19. Em número absolutos, só perdemos para os Estados Unidos, que já passaram das 617.000 mortes. Mas a diferença é que, lá, com a maioria da população já vacinada, os números de casos e mortes vêm caindo.

Para ter uma ideia, na última semana, enquanto o Brasil registrou 67 novas mortes para cada grupo de 1 milhão de habitantes, nos EUA esse indicador foi mais de 10 vezes menor (apenas seis a cada 1 milhão). No acumulado de mortes, proporcionalmente ao tamanho da população, o Brasil já tem 27% a mais de mortes: 2.345 para cada 1 milhão de habitantes, ante 1.854 nos Estados Unidos.

O Brasil também é hoje o país que mais registra novos casos de covid-19 em todo o mundo. Nos últimos sete dias, de acordo com o Worldometer, foram 513.932 novos casos, quase 90.000 mais que a Índia, a segunda colocada neste triste pódio. Na última semana, o total de casos no Brasil aumentou 10% em relação à semana anterior, enquanto na Índia houve recuo de 29% no mesmo período.

Enquanto não tivermos a imunidade de rebanho gerada pela vacinação em massa, seguiremos como um dos piores palcos da pandemia em todo o globo. A boa notícia é que a média móvel de doses de vacina aplicadas por dia atingiu ontem o recorde de 1,249 milhão. Dividindo-se por dois, temos a média de pouco mais de 600.000 pessoas imunizadas por dia. A má notícia é que ainda estamos com apenas 11,5% da população imunizada (pessoas que receberam as duas doses). Ou seja, o caminho até alguma normalidade ainda será longo.

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